
Spotify vai identificar artistas virtuais com selo AI Persona
O Spotify vai começar a identificar perfis de artistas que usam identidades geradas por inteligência artificial. O selo AI Persona surge em resposta a pedidos de ouvintes e distingue músicos virtuais de pessoas reais.
O Spotify decidiu criar um sistema de identificação para distinguir perfis de artistas que representam identidades geradas por inteligência artificial. O novo selo AI Persona responde a pedidos de utilizadores que querem saber quando um perfil corresponde a uma pessoa real ou a uma entidade virtual criada através de IA.
A novidade faz parte da estratégia Artist Identity & Trust da plataforma e junta-se a outras ferramentas já disponíveis, como a verificação de artistas humanos e informação sobre o uso de IA no processo criativo de músicas.
Como funciona a identificação de perfis virtuais
Os próprios artistas podem revelar através do Spotify for Artists que a sua identidade pública é gerada por IA. Mas a plataforma também vai analisar perfis cuja apresentação visual nome e imagens sugere tratar-se de uma pessoa real criada artificialmente através de fotorrealismo.
Numa primeira fase, o Spotify concentra-se em perfis que atingem determinados patamares de audiência. O objetivo é garantir que a grande maioria dos perfis visitados pelos utilizadores fica coberta por esta identificação, sem ter de analisar milhões de contas que quase ninguém escuta.
O selo vai aparecer em três sítios: no topo do perfil do artista e na secção Acerca de, nos resultados de pesquisa, e nas listas de faixas dentro das playlists. Ao tocar no selo, o utilizador descobre se foi o próprio artista a revelar a natureza virtual da sua identidade ou se o Spotify fez essa determinação após análise.

Direito de resposta e exclusão de recomendações
Quando a plataforma identifica um perfil como AI Persona sem que o artista o tenha revelado primeiro, esse artista recebe uma notificação. A partir daí, pode confirmar a classificação ou contestá-la através de um processo de recurso.
Nos próximos meses, os próprios ouvintes vão poder reportar perfis suspeitos de usarem identidades geradas por IA, enviando-os para análise da equipa do Spotify.
Por defeito, as AI Personas ficam excluídas das recomendações editoriais e algorítmicas da plataforma. A música desses artistas virtuais só surge nas sugestões personalizadas de um utilizador se este seguir explicitamente o perfil caso contrário, fica de fora.
Identidade do artista versus criação da música
O selo AI Persona diz respeito exclusivamente à identidade pública do artista, não ao processo de criação das músicas. Um músico pode usar ferramentas de inteligência artificial durante a produção de uma faixa sem que isso implique ter um perfil virtual.
Para esclarecer o uso de IA na produção musical propriamente dita, o Spotify criou outro sistema chamado AI Credits. Dezenas de milhares de créditos deste tipo são submetidos diariamente por artistas que querem revelar como recorreram a IA durante o processo criativo.
A plataforma também oferece o SongDNA, que mostra informação sobre todos os intervenientes numa faixa, e o Artist Details, que apresenta marcos de carreira, histórico de lançamentos e atividade de digressões com base em dados internos.

Verificação humana e proteção de perfis
O sistema de verificação Verified by Spotify funciona no sentido oposto: confirma que um artista é uma pessoa real que se apresenta de forma autêntica. Centenas de milhares de perfis já estão verificados, a maioria artistas independentes, representando mais de 99% dos músicos que os ouvintes procuram ativamente na plataforma.
Existe também uma ferramenta de proteção de perfil, Artist Profile Protection, que permite aos artistas rever e aprovar lançamentos entregues ao Spotify antes de aparecerem associados ao seu nome uma forma de evitar confusão com música atribuída incorretamente.
Calendário de lançamento
A funcionalidade de auto-revelação já está disponível através do Spotify for Artists. O selo AI Persona começa a aparecer em perfis relevantes a partir de meados de setembro de 2026, cobrindo a secção superior do perfil, o campo Acerca de, os resultados de pesquisa e as linhas de faixas em todas as playlists.
Os recursos de contestação ficam acessíveis assim que os artistas receberem notificação de que o seu perfil foi identificado pela plataforma. Já a possibilidade de os ouvintes reportarem perfis suspeitos chega nos meses seguintes.
O Spotify admite que vai continuar a ajustar esta abordagem à medida que o ecossistema musical evolui e à medida que recebe feedback de artistas, ouvintes e parceiros da indústria. A ideia é encontrar equilíbrio entre transparência e criatividade num momento em que a IA generativa se torna cada vez mais acessível.
Via: Fone Arena



