Nikon pode estar na mira de gigante francês EssilorLuxottica

EssilorLuxottica passou de 5,1% para quase 20% das ações da Nikon em apenas ano e meio. Yahoo Japan sugere que aquisição rápida de participação pode sinalizar takeover iminente da fabricante japonesa de câmaras.

A Nikon pode estar prestes a mudar de mãos. A EssilorLuxottica, gigante francês da indústria ótica, tem vindo a aumentar a sua participação na fabricante japonesa de câmaras de forma acelerada e isso está a fazer soar alarmes sobre uma potencial aquisição total. Em outubro de 2024, a empresa francesa tinha apenas 5,1% das ações da Nikon. Quando chegou abril de 2026, essa fatia já tinha saltado para 19,61%, tornando a EssilorLuxottica de longe o maior acionista da marca nipónica.

Compra acelerada de ações levanta suspeitas

O Yahoo Japan foi dos primeiros a apontar o óbvio: este ritmo de compra não é normal. Quando uma empresa passa de participação residual para quase um quinto do capital social de outra em menos de dois anos, raramente é por mero interesse passivo de investimento. A velocidade a que a EssilorLuxottica tem acumulado títulos da Nikon sugere uma estratégia mais ambiciosa possivelmente a preparação para uma oferta de compra completa.

Por agora, nenhuma das duas empresas confirmou ou desmentiu oficialmente os rumores. Mas os números falam por si: a francesa é uma potência com mais de 200.000 colaboradores e receitas anuais na ordem dos 30,5 mil milhões de euros (33,27 mil milhões de dólares). A Nikon, pelo contrário, emprega cerca de 20.000 pessoas e faturou aproximadamente 4,2 mil milhões de euros (4,55 mil milhões de dólares) no último ano fiscal. A diferença de escala é brutal.

Nikon EssilorLuxottica

Mercado de câmaras em queda livre

A Nikon não está numa posição confortável. A indústria de câmaras fotográficas tem sofrido uma erosão constante com a ascensão dos smartphones quem precisa de uma câmara dedicada quando o telemóvel no bolso tira fotos cada vez melhores? Os números da PhotographyTalk, citando dados da Nikkei, mostram que em 2025 a quota de mercado da Nikon tinha caído para uns magros 8,9%, o que a deixou em quarto lugar na corrida.

À frente estão a Canon, com uma quota confortável de 45,7%, a Sony com 24,6%, e até a Fujifilm conseguiu ultrapassar a Nikon com 11,8%. Para uma marca que foi sinónimo de fotografia profissional durante décadas, estar atrás da Fujifilm é um sinal claro de que algo correu mal. A combinação de mercado em contração e perda de terreno para rivais diretos torna a Nikon um alvo vulnerável.

O que falta para um takeover se concretizar

Mesmo que a EssilorLuxottica esteja de facto a preparar uma aquisição completa, há vários obstáculos regulamentares pelo caminho. Operações deste calibre exigem aprovações antimonopólio em múltiplas jurisdições, especialmente quando envolvem uma empresa europeia e outra japonesa. As autoridades de concorrência vão querer perceber se a fusão cria posições dominantes problemáticas em qualquer segmento de mercado embora ótica médica e câmaras fotográficas sejam negócios distintos, ambas as empresas trabalham com tecnologia ótica avançada.

Por enquanto, tudo isto permanece no campo da especulação. Mas é difícil ignorar o padrão: uma empresa que multiplica por quatro a sua participação noutra em menos de dois anos raramente está só a diversificar a carteira de investimentos. Se a EssilorLuxottica avançar mesmo para um takeover, a Nikon pode estar a caminho de se tornar mais um capítulo na longa lista de marcas icónicas japonesas que acabaram absorvidas por grupos estrangeiros. Para já, resta esperar para ver se Paris e Tóquio chegam a acordo ou se a Nikon consegue encontrar outra saída para o impasse em que se meteu.

Via: Notebookcheck

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Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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