
GTA 6 sem microtransações nem IA generativa, confirma Rockstar
A Rockstar confirmou que GTA 6 chega sem compras reais no jogo base e foi desenvolvido sem recurso a inteligência artificial generativa, numa decisão que contraria tendências da indústria.
A Rockstar acabou de confirmar que o modo single-player de GTA 6 não vai incluir qualquer sistema de compras com dinheiro real quando o jogo chegar às lojas a 19 de novembro. A notícia veio de Rob Nelson, co-diretor do estúdio Rockstar North, durante uma visita de pré-visualização à sede da empresa em Edimburgo, a mesma sessão que antecedeu a exibição especial do jogo na Netflix.
Nem monetização nem IA generativa
Quando questionado diretamente por Andy Cortez e Greg Miller, anfitriões do Kinda Funny Games, Nelson esclareceu dois pontos: não haverá forma de gastar dinheiro real dentro do jogo base, e nenhuma ferramenta de inteligência artificial generativa foi usada no desenvolvimento. A resposta sobre IA refere-se especificamente às tecnologias generativas que têm dominado manchetes nos últimos tempos, não aos sistemas tradicionais que controlam trânsito, pedestres e polícia na série há anos.
Esta posição da Rockstar já tinha sido antecipada em fevereiro por Strauss Zelnick, presidente da Take-Two, quando explicou à GamesIndustry que o mundo de GTA 6 é construído rua por rua, sem qualquer ajuda de IA generativa. Os números dão uma ideia do esforço manual envolvido: o jogo contém mais de 600 mil animações, contra as cerca de 55 mil de GTA 5 e as aproximadamente 300 mil de Red Dead Redemption 2, segundo reportou o New York Times após a mesma semana de pré-visualizações.

E quanto ao GTA Online?
A confirmação aplica-se apenas ao modo single-player que chega em novembro para PlayStation 5 e Xbox Series X/S. Quando os apresentadores do Kinda Funny tentaram saber o que a Rockstar planeia para a próxima iteração do GTA Online, a empresa recusou comentar. Isto não é propriamente surpreendente o GTA Online tem vendido Shark Cards, pacotes de moeda virtual comprados com dinheiro real, há mais de uma década, e sempre foi aí que a série concentrou toda a sua monetização pós-lançamento.
Há ainda outra nuance: o jogo vai ter duas edições, com a versão standard a custar cerca de 74 euros (80 dólares) e a Ultimate Edition a rondar os 92 euros (100 dólares), que inclui conteúdo extra no jogo como bónus de pré-encomenda. Não é exactamente o mesmo que ter uma loja integrada no menu de pausa, mas continua a ser uma forma de pagar mais por conteúdo adicional.
Pré-encomendas disparam após vídeo da Netflix
A Sensor Tower registou um salto brutal nas pré-encomendas depois do Extended Look da Netflix ter sido transmitido a 27 de agosto. As reservas subiram 436% nesse dia comparado com o anterior, e 572% ao longo de 27 e 28 de agosto face à média dos 30 dias precedentes. A diferença entre plataformas é gritante: as vendas na PlayStation dispararam 606%, enquanto na Xbox o aumento foi de 127%. Mesmo antes da exibição especial, a empresa já tinha contabilizado 4,55 milhões de pré-encomendas.
Uma excepção num mercado cada vez mais monetizado
A decisão de lançar o jogo base sem microtransações coloca a Rockstar numa posição cada vez mais rara na indústria, onde mesmo títulos single-player de topo têm vindo a incorporar lojas digitais e passes de temporada. A ausência de IA generativa no processo criativo também contrasta com a corrida recente de vários estúdios para integrar estas ferramentas, seja para acelerar produção ou cortar custos.
Resta saber quanto tempo esta filosofia se vai manter quando o GTA Online eventualmente chegar a esta nova geração do jogo. Até lá, quem comprar GTA 6 em novembro vai ter a garantia de que o modo história foi feito à mão e sem monetização extra a meio da campanha.
Via: Notebookcheck



