Lojas falsas online: este desconto de 65% pode sair-te muito caro!

As lojas falsas online estão a usar descontos de 65% para enganar compradores e roubar dados de cartões. Saiba como identificar estas burlas.

Encontrar uma loja falsa online com descontos de 65% em produtos de marcas conhecidas pode parecer uma oportunidade imperdível. O problema é que, em muitos casos, o objetivo não é vender o produto mais barato: é roubar os dados do cartão bancário.

Uma empresa de segurança alemã identificou uma enorme rede com 119.012 domínios fraudulentos que imitam lojas e fabricantes reais. Os sites copiam fotografias, descrições de produtos, logótipos e até contactos legítimos das marcas para convencer as vítimas de que estão perante uma loja verdadeira.

O ataque acontece sobretudo no momento do pagamento. Os dados introduzidos no formulário podem ser enviados diretamente para os atacantes, antes mesmo de o consumidor concluir a compra.

119 mil lojas falsas online fazem parte da mesma rede

A dimensão da operação é um dos aspetos mais preocupantes. Segundo a empresa de segurança Nebty, foram identificados 119.012 domínios confirmados associados à rede fraudulenta, conhecida como DoppelCart.

A maioria utiliza a extensão .shop. Só neste domínio de topo foram encontrados 118.787 endereços fraudulentos, correspondentes a 2,72% dos 4,36 milhões de domínios .shop analisados pela empresa.

A escala ultrapassa a da operação BogusBazaar, descoberta em 2024 e que envolvia cerca de 75 mil domínios fraudulentos.

Os investigadores encontraram ainda uma característica que ajuda a perceber que estes sites estão relacionados: 96% das páginas confirmadas partilham ficheiros de construção idênticos e utilizam 27 infraestruturas de comércio eletrónico partilhadas.

Ou seja, aquilo que parece ser uma coleção de lojas independentes é, na realidade, uma gigantesca rede construída com métodos muito semelhantes.

lojas falsas online

Marcas conhecidas são usadas para enganar compradores

Para tornar as burlas mais credíveis, os criminosos escolhem marcas que os consumidores reconhecem.

A investigação encontrou lojas falsas online que imitavam empresas como Dreame, FRITZ!, EcoFlow, Bluetti, Roborock, Narwal, Jackery, Keychron, HyperX e Sennheiser.

A Dreame surge particularmente exposta, com dezenas de domínios fraudulentos identificados. Alguns apresentam-se como lojas da marca na Alemanha, enquanto outros utilizam referências a mercados como Itália, França, Espanha ou Bélgica.

No caso da FRITZ!, foram identificados vários domínios que utilizavam diretamente o nome da marca juntamente com termos como store ou direct.

O objetivo é simples: fazer com que o consumidor reconheça a marca, veja um preço muito inferior ao habitual e avance rapidamente para a compra.

O desconto de 65% é uma das principais armadilhas

Os descontos muito elevados são uma das características mais comuns destas lojas falsas online.

Um produto que normalmente custa centenas de euros pode aparecer com uma redução de 50%, 60% ou até 65%. Para o consumidor, a promoção pode parecer uma campanha especial, uma liquidação de stock ou uma oportunidade limitada.

É precisamente essa sensação de urgência que pode levar a uma decisão impulsiva.

Um preço demasiado baixo não prova, por si só, que uma loja é fraudulenta. No entanto, quando um produto recente aparece muito abaixo do preço praticado pelos principais retalhistas, vale a pena parar e verificar cuidadosamente o site antes de introduzir qualquer dado pessoal ou bancário.

Nem o contacto da marca garante que a loja é verdadeira

Um dos detalhes mais sofisticados desta campanha é que os criminosos não se limitam a copiar o aspeto das lojas.

A Nebty encontrou 2.494 contactos associados às marcas imitadas. Em alguns casos, os sites fraudulentos apresentavam mesmo endereços de email que pertencem às empresas verdadeiras.

Isto pode criar uma falsa sensação de segurança.

Imagine que encontra uma loja online que vende um produto Dreame e apresenta um endereço de apoio associado ao domínio oficial da fabricante. À primeira vista, parece uma prova de autenticidade.

Não é.

Os criminosos podem simplesmente ter copiado essa informação de uma página legítima. Se a encomenda nunca chegar e o consumidor contactar o endereço indicado, poderá estar a falar com a empresa verdadeira, que não teve qualquer envolvimento na compra.

Por isso, verificar apenas o email ou número de telefone apresentado na loja não é suficiente.

O roubo dos dados acontece durante o pagamento

É no checkout que a burla se torna particularmente perigosa.

Segundo a investigação da Nebty, algumas das páginas analisadas continham código capaz de recolher informações como o número do cartão, data de validade, código de segurança, nome, email, telefone e morada.

Os dados podem ser enviados individualmente através de uma ligação WebSocket para servidores controlados pelos atacantes à medida que são introduzidos no formulário.

Isto significa que o consumidor pode estar a fornecer os dados do cartão mesmo antes de carregar no botão para finalizar a compra.

A investigação identificou ainda código capaz de intercetar códigos de autenticação utilizados para confirmar pagamentos.

É um cenário particularmente preocupante porque uma camada de segurança bancária pode não impedir o ataque se o próprio utilizador acabar por autorizar a transação, acreditando que está a comprar um produto numa loja legítima.

Vês um desconto de 65%? Cuidado: esta loja pode estar a roubar o teu cartão!

Como identificar uma loja falsa online

Não existe um único método infalível para identificar uma loja fraudulenta, mas existem vários sinais que devem levantar suspeitas.

Desconfie de descontos muito superiores aos praticados pelo mercado. Compare sempre o preço com o de outros retalhistas conhecidos.

Verifique cuidadosamente o endereço do site. Muitos dos domínios identificados nesta operação utilizam o nome de uma marca combinado com palavras como store, direct, global ou hub.

Não confie apenas no aspeto da página. Fotografias, logótipos, descrições e outros elementos podem ser copiados diretamente de uma loja legítima.

Procure a loja através do site oficial da marca. Em vez de clicar num anúncio ou resultado de pesquisa que apresenta uma promoção, entre diretamente no site oficial e confirme se aquele vendedor é autorizado.

Pesquise referências independentes. Uma loja desconhecida que não tem histórico, avaliações credíveis ou presença fora do próprio site merece atenção redobrada.

E, sobretudo, não introduza os dados do cartão apenas porque a página parece profissional.

Uma loja online segura não depende apenas do cadeado

Outro erro comum é assumir que o cadeado apresentado no navegador significa que uma loja é legítima.

O HTTPS apenas indica que existe uma ligação cifrada entre o navegador e o servidor. Não significa que a empresa por trás do site seja verdadeira ou que a loja seja segura.

Uma página fraudulenta também pode utilizar HTTPS.

Por isso, o endereço correto, a identidade da empresa, a reputação da loja, os métodos de pagamento e a relação com a marca devem ser analisados em conjunto.

No caso desta rede, os criminosos foram precisamente além do aspeto visual para tornar os sites mais convincentes.

A rede continua ativa

A dimensão do problema torna a situação particularmente preocupante. Segundo as observações da Nebty, mais de 105 mil lojas associadas à operação continuavam acessíveis no momento da investigação.

A empresa afirma ter contactado o fornecedor de alojamento responsável pela maioria dos sites, sem receber resposta. Algumas páginas foram, contudo, removidas depois de pedidos apresentados pelas marcas afetadas e permaneceram offline.

A Nebty disponibiliza também uma base de dados pública que permite verificar determinados endereços associados à rede.

Para os consumidores, a regra mais simples continua a ser a mais importante: se uma promoção parece demasiado boa para ser verdade, confirme a loja antes de comprar.

Uma loja falsa online pode ser visualmente indistinguível de uma verdadeira e até apresentar contactos aparentemente legítimos. Mas, no momento em que introduz os dados do cartão, pode já estar a entregá-los diretamente aos criminosos.

Por isso, antes de aproveitar aquele desconto de 65%, confirme primeiro onde está realmente a comprar.

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Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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2 comentários

  1. Fui enganado recentemente pela MAGIC NOX, sediada em Vizela.
    Fiz reclamação, mas nem se dignaram justificarem-se.
    Julgo ser uma empresa fantasma, possivelmente.
    Creio que a DECO pode intervir nestes casos

    • Olá Artur, obrigado pela partilha. Lamento a situação, infelizmente existem muitas. O melhor é nos dias de hoje, verificarmos bem a loja, ou procurar alternativas. Nunca arrisquem, ou joguem pelo seguro com Paypal, para abrirem uma disputa e tentar reaver o dinheiro.

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