Vendas de CPUs caem para mínimos históricos e mostram travagem no mercado DIY

Vendas de CPUs atingem mínimos históricos na Europa devido ao aumento de preços. AMD lidera, mas mercado DIY mostra sinais de abrandamento.

A situação no mercado de componentes para PCs está a mudar, e não é propriamente para melhor. Os dados mais recentes vindos da Europa indicam uma quebra significativa nas vendas de CPUs, atingindo níveis que raramente se veem neste segmento. E isto não é apenas uma flutuação normal de mercado.

É um sinal claro de que algo está a mudar na forma como os utilizadores encaram upgrades e novos builds.

Preços mais altos estão a travar o entusiasmo

A principal razão parece bastante simples. Montar ou atualizar um PC está mais caro do que há algum tempo, e isso começa a ter impacto direto nas decisões de compra. CPUs, placas gráficas, memória e até armazenamento têm vindo a subir de preço de forma gradual, criando um efeito acumulado que pesa na carteira.

E quando tudo sobe ao mesmo tempo, o resultado é previsível.

Muitos utilizadores preferem esperar.

O entusiasmo típico do mercado DIY, onde era comum ver upgrades frequentes e builds constantes, começa agora a dar lugar a uma abordagem mais cautelosa. Em vez de investir imediatamente nas novas gerações, há cada vez mais pessoas a adiar decisões, à espera que os preços estabilizem ou que surjam melhores oportunidades.

AMD domina… mas num mercado mais fraco

Mesmo com esta quebra, a AMD continua a liderar de forma muito clara. Os dados indicam que cerca de 89% das CPUs vendidas pertencem à marca, deixando a Intel com pouco mais de 10%.

À primeira vista, parece uma vitória esmagadora.

Mas há um detalhe importante.

Este domínio acontece num contexto de vendas muito baixas. Ou seja, a AMD continua forte, mas num mercado que está claramente mais fraco do que o habitual. Não é tanto uma questão de crescimento, mas sim de resistência.

CPUs mais antigas continuam a fazer sentido

Outro ponto interessante é perceber onde continuam a existir vendas. Curiosamente, muitos consumidores estão a optar por processadores mais antigos, como o Ryzen 7 5700X e o Ryzen 5 5500.

E há uma razão muito clara para isso.

Estas CPUs permitem continuar a usar plataformas com DDR4, evitando o custo adicional de migrar para DDR5. Quando se soma tudo, a diferença de preço pode ser significativa, especialmente para quem quer montar um sistema equilibrado sem gastar demasiado.

No fundo, é uma questão de valor.

Os utilizadores não estão necessariamente à procura do mais recente, mas sim da melhor relação preço/desempenho.

Intel continua a ter dificuldades

Do lado da Intel, o cenário não é muito diferente. Apesar da chegada de novos processadores como a linha Core Ultra, a procura não parece ter acompanhado o lançamento. O modelo mais vendido no período analisado, o Core Ultra 7 265K, terá registado números bastante baixos.

E isso diz muito.

Mesmo com hardware novo no mercado, os consumidores continuam reticentes. Tal como acontece com a AMD, também aqui há uma preferência por soluções de gerações anteriores, muitas vezes mais acessíveis e com melhor custo-benefício.

O mercado não parou… mas mudou

Importa perceber que isto não significa que o mercado DIY tenha desaparecido. Continua a existir interesse, continua a haver procura, mas o comportamento dos consumidores mudou.

Hoje há mais ponderação.

Mais comparação.

E, acima de tudo, mais paciência.

Os utilizadores estão menos impulsivos e mais estratégicos. Preferem esperar pelo momento certo, em vez de entrar imediatamente em cada nova geração de hardware.

O que pode mudar este cenário?

Tudo aponta para um fator-chave: preços.

Se os preços dos componentes começarem a descer, é muito provável que o interesse volte a crescer. O mercado DIY sempre foi sensível ao custo, e pequenas variações podem ter um impacto grande na procura.

Por outro lado, se os preços continuarem elevados, esta tendência pode manter-se durante mais algum tempo.

E isso pode obrigar fabricantes e retalhistas a ajustar estratégias.

Um sinal de maturidade… ou de alerta?

No fundo, estes dados mostram um mercado mais maduro. Os consumidores já não compram apenas porque há algo novo. Compram quando faz sentido.

Mas também pode ser visto como um sinal de alerta.

Se montar um PC se torna demasiado caro, o risco é afastar novos utilizadores e travar o crescimento do segmento. E isso, a longo prazo, pode ter impacto em todo o ecossistema.

Para já, a mensagem é clara.

O mercado DIY não morreu.

Mas está claramente mais frio.

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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