
Googlebooks chegam com Android e 10 anos de atualizações
A Google apresentou os Googlebooks, portáteis com Android, Gemini, hardware premium e 10 anos de atualizações. Portugal fica fora do lançamento inicial.
A Google decidiu mexer novamente nas regras do mercado dos computadores portáteis. Os novos Googlebooks foram apresentados oficialmente e representam uma aposta pouco habitual: levar a experiência Android, já conhecida nos smartphones, para computadores portáteis com hardware de nível premium.
Mas há um argumento que chama particularmente a atenção. A Google promete dez anos de atualizações automáticas, com novas funcionalidades a serem disponibilizadas a cada três meses.
As pré-vendas arrancaram com preços a partir dos 899 dólares, cerca de 830 euros. Os primeiros equipamentos chegam fisicamente às lojas no início de outubro. Portugal, no entanto, fica novamente de fora da primeira fase de lançamento.
Um portátil para quem vive no ecossistema Android
A lógica por trás dos Googlebooks é relativamente simples.
Se o smartphone já é o centro da vida digital de milhões de pessoas, porque não fazer com que o computador funcione da mesma forma?
A Google quer que exista uma continuidade real entre os dois dispositivos. Uma tarefa iniciada no smartphone poderá ser retomada no Googlebook, evitando aquela divisão tradicional entre computador e telemóvel.
A interface utiliza a linguagem Material 3 Expressive, semelhante à encontrada nos equipamentos Pixel, com notificações e controlos rápidos integrados na interface.
Também estão presentes funcionalidades como Continue on, associada ao Android 17, e Cast My Apps, permitindo aproximar ainda mais a experiência entre smartphone e computador.
A promessa é interessante: comprar um Googlebook deverá parecer menos como comprar um novo computador e mais como adicionar outro dispositivo ao ecossistema Android.

Vários fabricantes, uma mesma experiência
A Google não vai fabricar todos os Googlebooks.
A empresa criou uma plataforma que será utilizada por fabricantes como Acer, Dell, ASUS, HP e Lenovo, permitindo que cada marca desenvolva equipamentos com diferentes dimensões, materiais e configurações.
Apesar das diferenças, existem algumas características comuns.
Os modelos começam nos 16 GB de RAM, existindo versões com 32 GB. Entre os processadores encontram-se os Intel Core Ultra Series 3 e Snapdragon X Elite.
Os ecrãs tácteis podem recorrer a painéis LCD ou OLED, com resoluções que chegam aos 2880 × 1920 pixels.
A construção também procura posicionar estes equipamentos acima dos tradicionais computadores económicos, com utilização de alumínio, magnésio ou fibra de carbono.
Os teclados são retroiluminados e os trackpads utilizam tecnologia háptica.
Outro dos argumentos está na autonomia. A Google aponta para pelo menos 14 horas de reprodução de vídeo ou 16 horas de utilização em navegação web.
Android em vez de ChromeOS
Existe aqui uma mudança importante.
Apesar de a Google ter passado anos a promover o ChromeOS como sistema operativo para computadores, os Googlebooks utilizam Android.
Não estamos perante uma nova versão do ChromeOS nem simplesmente perante um Android adaptado superficialmente a um ecrã maior.
A experiência foi pensada para funcionar como um sistema operativo de computador, incluindo o Chrome completo para desktop.
O navegador mantém funcionalidades como abas verticais e ferramentas de inteligência artificial, enquanto o sistema beneficia da integração com o Gemini.

Gemini quer tornar o computador mais inteligente
A inteligência artificial é outra peça fundamental da estratégia.
O Gemini Intelligence pode ser utilizado através de gestos ou do Magic Pointer, permitindo executar determinadas tarefas sem depender exclusivamente do teclado.
A Google apresenta exemplos como a criação de widgets, organização de informação ou introdução de eventos no calendário através de comandos de voz e gestos.
É uma abordagem que procura transformar o computador numa ferramenta mais proactiva.
Em vez de abrir manualmente cada aplicação para realizar uma determinada tarefa, o utilizador poderá simplesmente explicar ao Gemini aquilo que pretende fazer.
A grande questão será perceber até que ponto estas funções são realmente úteis no trabalho diário ou acabam por ser apenas mais uma camada de IA que poucos utilizadores utilizam depois da novidade inicial.
Play Store com jogos mobile e PC
O catálogo de aplicações é provavelmente um dos maiores desafios desta nova plataforma.
A Google afirma que a Play Store disponibiliza mais de 20 mil jogos compatíveis, incluindo títulos originalmente desenvolvidos para dispositivos móveis e outros pensados para PC.
A empresa está também a trabalhar na optimização das aplicações para teclado, rato e ecrã táctil.
O programa Play Games Level Up deverá acrescentar novos títulos regularmente, numa tentativa de transformar os Googlebooks também numa plataforma de entretenimento.
Para quem comprar os primeiros equipamentos, existem ainda vários incentivos: um ano de NVIDIA GeForce NOW, 12 meses de Google AI Pro, três meses de YouTube Premium e períodos de acesso a Adobe Photoshop e CapCut.

E Portugal fica novamente de fora
É aqui que surge a parte menos interessante para os utilizadores portugueses.
O lançamento inicial está previsto para 4 de outubro de 2026 nos Estados Unidos. No dia seguinte, os equipamentos chegam ao Reino Unido, Irlanda, França, Alemanha e Austrália.
Portugal não está incluído nesta primeira fase.
É uma situação que começa a ser familiar para quem acompanha a estratégia de hardware da Google. Tal como acontece com determinados produtos Pixel, os consumidores portugueses continuam a ficar dependentes de uma eventual expansão posterior.
E isso é particularmente frustrante quando a Google está a apresentar um produto que depende fortemente do seu ecossistema.
Dez anos podem mudar a conversa
Os Googlebooks entram num mercado extremamente competitivo.
Windows e macOS dominam o segmento tradicional de computadores e o ChromeOS já ocupa uma posição própria. Convencer profissionais e utilizadores avançados a mudar para Android será, por isso, uma tarefa complicada.
Mas existe um argumento que pode fazer diferença: dez anos de actualizações.
Num mercado onde muitos computadores deixam de receber actualizações relevantes muito antes de o hardware deixar de ser útil, garantir uma década de suporte poderá alterar a forma como os consumidores avaliam a longevidade de um portátil.
A Google está, no fundo, a tentar aplicar ao computador uma das maiores vantagens que o seu ecossistema Android pode oferecer: actualizações prolongadas, integração entre dispositivos e acesso a um enorme catálogo de aplicações.
Resta agora perceber se isso será suficiente para convencer quem já vive no Windows ou no macOS.
Os Googlebooks não são apenas uma nova família de portáteis. São uma experiência para perceber se o Android consegue deixar de ser apenas o sistema operativo dos smartphones e transformar-se numa verdadeira plataforma de computação pessoal.



