
Samsung procura novo fornecedor de chips para evitar atrasos nos Galaxy
A Samsung estará em conversações com a GlobalFoundries para diversificar o fornecimento de chips de controlo dos ecrãs e evitar problemas de produção.
Em causa estão os Display Driver ICs (DDI), circuitos integrados responsáveis pelo controlo do funcionamento dos ecrãs. Embora sejam componentes relativamente discretos quando comparados com os processadores ou os painéis OLED, desempenham um papel essencial no funcionamento dos smartphones.
Segundo as informações divulgadas, a Samsung pretende diversificar a cadeia de abastecimento e garantir maior flexibilidade para responder a aumentos inesperados da procura. Numa indústria em que os calendários de produção são apertados e os lançamentos mobilizam milhões de unidades, a falta de um componente pode afetar toda a operação.
Dependência da UMC terá condicionado a produção
Até agora, a United Microelectronics Corporation (UMC) seria o único fornecedor dos chips DDI utilizados no Galaxy Z Fold 8. O problema terá surgido quando a procura pelo smartphone dobrável ultrapassou as previsões iniciais da Samsung, levando a fabricante a tentar encomendar componentes adicionais.
A resposta terá sido condicionada pela capacidade de produção disponível. As linhas de fabrico de 22 nanómetros da UMC estariam a funcionar perto do limite, dificultando a aceitação de novas encomendas sem prejudicar os compromissos assumidos com outros clientes.
De acordo com os dados divulgados, a Samsung terá sido obrigada a reduzir em 10% o volume de componentes inicialmente previsto para setembro, transferindo parte da produção para outubro.
Se estes números se confirmarem, o episódio demonstra os riscos de depender de um único fornecedor para componentes críticos. Mesmo quando existe procura suficiente para justificar o aumento da produção, a capacidade industrial disponível pode impedir uma resposta imediata.

GlobalFoundries poderá tornar-se um segundo fornecedor
Para reduzir este risco, a Samsung estará em conversações com a GlobalFoundries, fabricante de semicondutores com instalações de produção em diferentes regiões do mundo, incluindo a Alemanha e Singapura.
A possibilidade de recorrer a um segundo fornecedor permitiria à Samsung distribuir parte das encomendas por diferentes instalações industriais. Desta forma, uma limitação de capacidade numa fábrica não teria necessariamente de comprometer todo o calendário de produção.
As instalações em avaliação incluem linhas de fabrico de 22 e 28 nanómetros. A escolha destas tecnologias deverá depender das especificações dos componentes, dos requisitos de produção e da capacidade de cada fábrica para cumprir os critérios de qualidade da Samsung.
A informação divulgada aponta para a possibilidade de os chips produzidos pela GlobalFoundries começarem a ser utilizados em modelos mais acessíveis da família Galaxy A até ao final de 2027. Esta estratégia permitiria introduzir gradualmente o novo fornecedor, começando por equipamentos de grande volume antes de alargar a utilização a outras gamas, caso seja necessário.
Importa, contudo, distinguir as negociações de um acordo efetivamente concluído. Até existir confirmação oficial, não é possível garantir que a GlobalFoundries irá fornecer estes componentes à Samsung ou determinar quando poderão chegar aos primeiros smartphones.
Custos e abastecimento continuam a pressionar o mercado
A diversificação dos fornecedores acontece num contexto de pressão sobre a indústria dos smartphones, que enfrenta custos elevados de componentes e dificuldades na gestão da capacidade de produção.
A memória e outros semicondutores têm um peso importante no custo final de cada equipamento. Quando os preços aumentam ou a disponibilidade diminui, os fabricantes precisam de absorver parte dos encargos, renegociar contratos ou ajustar os preços dos produtos.
As marcas com maior escala e uma presença significativa nos segmentos premium podem ter mais margem para negociar contratos de fornecimento e assegurar componentes. Ainda assim, a dimensão de uma empresa não elimina os riscos associados a uma cadeia de abastecimento global.
As marcas mais dependentes de modelos económicos podem enfrentar dificuldades adicionais quando as margens são reduzidas e existe pouca capacidade para compensar aumentos nos custos de produção.
A produção europeia ganha importância
A eventual utilização de instalações da GlobalFoundries na Alemanha também chama a atenção para o papel da Europa na indústria dos semicondutores. A União Europeia tem procurado reforçar a capacidade de produção regional e reduzir a exposição a perturbações nas cadeias de abastecimento internacionais.
Para a Samsung, distribuir a produção por diferentes regiões poderá representar uma vantagem logística e ajudar a reduzir a dependência de determinadas instalações. No entanto, a localização europeia de uma fábrica não significa, por si só, que todos os riscos de abastecimento ficam resolvidos. A capacidade disponível, os custos, a logística e a compatibilidade técnica continuam a ser fatores determinantes.
No imediato, a prioridade será garantir que a produção dos smartphones decorre sem novos atrasos. A médio prazo, a diversificação poderá ajudar a Samsung a responder melhor às variações da procura e a preparar os próximos lançamentos.



