Qualcomm pode estar a preparar DRAM personalizada para smartphones (e há uma razão forte para isso)

Qualcomm pode estar a desenvolver DRAM personalizada com a CXMT para reduzir custos e resolver escassez no mercado.

O mercado dos smartphones está a mudar… e não é só por causa dos chips ou das câmaras. A memória começou a tornar-se um dos maiores problemas da indústria, e a Qualcomm pode estar prestes a dar um passo importante para resolver isso.

Segundo novas informações, a empresa estará a trabalhar com a Changxin Memory Technologies para desenvolver DRAM personalizada para smartphones.

E isto pode ter impacto direto nos preços dos próximos dispositivos.

O problema não é novo… mas está a piorar

Nos últimos anos, a indústria tem lidado com vários problemas de supply chain, mas agora há um fator específico a ganhar peso.

A memória.

Com o crescimento da inteligência artificial e da computação avançada, grande parte da capacidade de produção de DRAM está a ser direcionada para HBM (High Bandwidth Memory), usada em servidores e hardware de IA.

Resultado?

Menos memória disponível para smartphones.

Qualcomm pode estar a preparar DRAM personalizada para smartphones (e há uma razão forte para isso)

Smartphones começam a sentir a pressão

Esta mudança está a afetar todo o mercado, mas não de forma igual.

Os topos de gama conseguem absorver melhor o aumento de custos.

Já os modelos de gama média e baixa… não têm essa margem.

E isso começa a refletir-se em decisões difíceis por parte das marcas.

Memória já representa uma fatia enorme do custo

Há um detalhe importante que ajuda a perceber a gravidade da situação.

A DRAM representa cerca de 1/3 do custo total de um smartphone. E se juntarmos o armazenamento NAND, estamos a falar de mais de metade do custo de produção.

Sim, mais de 50%.

Ou seja, qualquer aumento aqui tem impacto direto no preço final.

Qualcomm quer ter mais controlo

É aqui que entra esta possível parceria.

Ao trabalhar diretamente com a Changxin Memory Technologies, a Qualcomm pode tentar garantir fornecimento mais estável e até otimizar custos para os seus parceiros.

Na prática, é uma forma de reduzir dependência e ganhar controlo sobre um dos componentes mais críticos.

Pode também ser uma jogada estratégica na China

Há também um fator geográfico importante.

A China continua a ser o maior mercado de smartphones do mundo, e muitos dos principais parceiros da Qualcomm estão baseados lá.

Uma colaboração com a Changxin Memory Technologies pode ajudar a fortalecer essa posição e responder melhor às necessidades locais.

Sinais de mudança já são visíveis

Este movimento não surge do nada.

Há já sinais de que o mercado está a ajustar-se.

Tanto a Qualcomm como a MediaTek terão reduzido encomendas de chips de gama média, com cortes que podem atingir dezenas de milhões de unidades.

E isso mostra bem a pressão que existe neste momento.

Qualcomm pode estar a preparar DRAM personalizada para smartphones (e há uma razão forte para isso)

DRAM pode tornar-se o novo “gargalo” da indústria

Durante anos, o foco esteve nos processadores.

Agora, a memória começa a assumir esse papel.

E pode tornar-se o principal fator limitador na produção de smartphones.

O impacto pode chegar aos consumidores

No final, tudo isto acaba por chegar ao utilizador.

Se os custos continuam a subir, as marcas têm duas opções.

Ou aumentam preços.

Ou cortam noutros componentes.

Nenhuma das duas é ideal.

Esta parceria pode ser uma solução… mas não imediata

Se esta colaboração se confirmar, pode ajudar a médio prazo.

Mas não vai resolver o problema de um dia para o outro.

Ainda assim, é um passo na direção certa.

Uma coisa é certa

A Qualcomm está a tentar antecipar um problema que pode tornar-se ainda maior.

E isso mostra que o mercado está a entrar numa nova fase.

Menos foco apenas no desempenho.

Mais foco na sustentabilidade dos custos.

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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