A Qualcomm acabou de reforçar a sua aposta no segmento intermédio com os novos Snapdragon 6 Gen 5 e Snapdragon 4 Gen 5. E a verdade é que já não estamos a falar de simples chips “baratos”.
A estratégia aqui é clara: trazer funcionalidades típicas de topos de gama para smartphones mais acessíveis. E, olhando para as especificações, isso começa finalmente a acontecer de forma séria.
Snapdragon 6 Gen 5: gama média cada vez mais próxima do topo
O Snapdragon 6 Gen 5 é o mais poderoso desta dupla e chega com uma configuração equilibrada de 4 núcleos de performance a 2.6GHz e 4 núcleos de eficiência a 2.0GHz.
Mas o mais interessante está nos ganhos anunciados. A Qualcomm fala em 21% mais desempenho gráfico, apps a abrir 20% mais rápido e menos 18% de lag no ecrã. No uso real, isto deve traduzir-se numa experiência muito mais fluida.
Ainda mais relevante é o salto em conectividade. Este chip inclui suporte para Wi-Fi 7 e Bluetooth 6.0, algo que até há pouco tempo estava reservado a equipamentos premium.
Depois há a parte da fotografia e gaming. O chip suporta sensores até 200MP, zoom com IA até 100x e funcionalidades como Night Vision. No gaming, entra o Snapdragon Game Super Resolution, que promete melhor qualidade gráfica sem sacrificar desempenho.
Resumindo: este já não é um “chip de gama média tradicional”. É quase um flagship disfarçado.

Snapdragon 4 Gen 5: o salto que a gama de entrada precisava
Já o Snapdragon 4 Gen 5 posiciona-se mais abaixo, mas traz melhorias que fazem diferença.
Tem 2 núcleos de performance a 2.4GHz e 6 de eficiência a 2.0GHz. Ainda assim, os ganhos são impressionantes no papel: até 77% mais desempenho gráfico e apps a abrir 43% mais rápido.
Mas há um detalhe que se destaca imediatamente. Este é o primeiro chip da série Snapdragon 4 a suportar gaming a 90FPS. Para equipamentos mais baratos, isto pode mudar completamente a experiência.
Além disso, suporta ecrãs FHD+ a 144Hz, armazenamento UFS 3.1 e câmaras até 108MP. Ou seja, especificações que até há pouco tempo eram exclusivas de gamas superiores.
Claro que há compromissos. Fica limitado a Wi-Fi 5 e Bluetooth 5.1, o que mostra bem a diferença para o modelo acima.
O impacto real no mercado
Ambos os chips são fabricados em 4nm, o que garante uma base sólida de eficiência e desempenho. E isso é importante porque o segmento intermédio vive muito do equilíbrio entre performance e autonomia.
Os primeiros smartphones com estes processadores deverão chegar na segunda metade de 2026. Ainda não há marcas confirmadas, mas é fácil imaginar fabricantes como Xiaomi, Samsung ou realme a apostar forte nestas plataformas.
No fundo, a Qualcomm está a fazer algo que o mercado pedia há algum tempo. Reduzir a diferença entre gama média e topo.
E se estes números se confirmarem no uso real, 2026 pode ser o ano em que comprar um smartphone mais barato deixa de significar fazer grandes compromissos.




