A Samsung já está a trabalhar na próxima geração de chips Exynos, e os primeiros detalhes apontam para algo bastante ambicioso. Estamos a falar de um futuro Exynos 1.4nm que poderá trazer melhorias significativas… mas também levanta algumas dúvidas.
E há um detalhe que está a gerar mais curiosidade do que qualquer outro.
96MB de cache? Parece impressionante… mas há um “senão”
O destaque vai para a inclusão de 96MB de System Level Cache (SLC), um valor completamente fora do normal no mundo dos smartphones.
Para contexto, chips atuais como o Dimensity 9500 utilizam cerca de 10MB. Saltar para 96MB seria uma mudança radical na forma como o sistema gere dados.
Na teoria, uma cache maior permite reduzir latência, melhorar largura de banda e diminuir a necessidade de comunicação constante entre CPU, GPU e outros componentes. Resultado: melhor eficiência e desempenho mais consistente.
Mas há um problema óbvio. Este tipo de implementação ocupa muito espaço no chip e aumenta significativamente os custos de produção. E isso levanta dúvidas reais sobre a viabilidade em smartphones.

Frequências mais altas e nova arquitetura
Outro ponto relevante está na configuração do CPU.
Este novo Exynos deverá usar uma arquitetura de 10 núcleos em formato 2+4+4. Os dois núcleos principais podem atingir os 4.50GHz, um salto considerável face aos 3.8GHz do Exynos 2600.
Os núcleos de performance ficam nos 3.80GHz e os de eficiência nos 2.00GHz, sugerindo um foco claro em desempenho bruto, mas sem ignorar a eficiência.
Além disso, fala-se numa largura de bus mais ampla, o que ajudaria a reduzir ainda mais a latência entre CPU e GPU.
Processo de 1.4nm ainda está longe
Apesar de tudo isto soar impressionante, há um detalhe importante. Este chip ainda está numa fase muito inicial.
A Samsung continua focada em estabilizar o seu processo de 2nm, e o salto para 1.4nm só deverá chegar em produção em massa por volta de 2029.
Ou seja, tudo isto deve ser visto como um protótipo ou teste tecnológico, não algo que vá chegar aos smartphones nos próximos anos.

Pode nem ser para smartphones
E aqui está a parte mais interessante.
Um chip com 96MB de cache pode simplesmente não fazer sentido num smartphone. O tamanho do die e os custos associados podem torná-lo impraticável neste segmento.
Mas isso não significa que a tecnologia não vá ser usada. Pode aparecer em tablets, laptops ou até soluções mais específicas onde o espaço e o custo não sejam tão críticos.
Samsung quer recuperar terreno
Depois de alguns anos inconsistentes com os Exynos, a Samsung parece estar a apostar forte em inovação para recuperar competitividade.
Este projeto de 1.4nm mostra ambição, mas também deixa claro que ainda há muito caminho pela frente.
Se a empresa conseguir equilibrar desempenho, eficiência e custos, pode voltar a ser uma alternativa séria aos chips da Qualcomm e MediaTek.
Mas, para já, isto é mais um vislumbre do futuro do que uma realidade próxima.




