A Samsung confirmou oficialmente que vai deixar de vender televisões e eletrodomésticos no mercado chinês. A decisão surge numa altura em que as marcas locais continuam a dominar cada vez mais o setor da eletrónica de consumo na China, tornando a vida bastante complicada para fabricantes estrangeiras.
Segundo a empresa, esta mudança acontece devido às “rápidas alterações das condições de mercado”. O aviso já aparece inclusivamente no site oficial da Samsung na China.
Ainda assim, a marca garante que o suporte pós-venda e assistência técnica irão continuar normalmente para os clientes atuais.
TVs, frigoríficos e aspiradores vão desaparecer do mercado chinês
A saída da Samsung afeta uma enorme lista de produtos vendidos localmente na China. Entre eles estão:
- televisões
- monitores
- frigoríficos
- máquinas de lavar roupa
- secadores
- ar condicionado
- aspiradores
- purificadores de ar
Na prática, a Samsung está praticamente a abandonar o segmento de eletrónica doméstica naquele mercado.
E sinceramente, isto mostra bem como o mercado chinês mudou radicalmente nos últimos anos.

As marcas chinesas dominaram completamente o mercado
Durante muito tempo, marcas estrangeiras como Samsung, Sony ou LG tinham uma posição forte na China. Mas isso mudou rapidamente.
Fabricantes locais como Xiaomi, Hisense, TCL Technology e Haier conseguiram melhorar bastante a qualidade dos produtos enquanto mantinham preços muito mais agressivos.
Ao mesmo tempo, a velocidade de inovação das marcas chinesas aumentou imenso, especialmente em televisões, casas inteligentes e eletrodomésticos conectados.
Hoje em dia, competir na China já não passa apenas por ter um produto premium. É preciso oferecer tecnologia rápida, preços competitivos e uma forte ligação ao ecossistema local.
Smartphones Samsung continuam na China… mas quase sem impacto
Apesar desta saída do segmento de TVs e eletrodomésticos, os smartphones da Samsung continuam oficialmente disponíveis na China.
No entanto, a realidade é que a marca praticamente desapareceu do mercado móvel chinês.
No início da década de 2010, a Samsung chegou a ter perto de 20% do mercado de smartphones na China. Agora, a quota da empresa está abaixo de 1%, esmagada pela concorrência de marcas locais e também pela força da Apple.
E honestamente, isto talvez seja um dos maiores exemplos de como a indústria tecnológica chinesa evoluiu numa velocidade absurda.

Samsung continua a fabricar na China
Importa referir que a Samsung não vai abandonar completamente o país. As fábricas e operações de produção continuam ativas, já que muitos dispositivos fabricados na China destinam-se a mercados internacionais.
Ou seja, a China continua extremamente importante para a cadeia de produção da empresa, mesmo deixando de ser relevante como mercado consumidor para alguns produtos Samsung.
A aposta agora está na IA e nos semicondutores
Enquanto perde terreno na eletrónica de consumo chinesa, a Samsung está a compensar isso noutras áreas bastante mais lucrativas.
A empresa tem registado um crescimento enorme no negócio de semicondutores e memória, impulsionado principalmente pela explosão da inteligência artificial.
Segundo os resultados financeiros mais recentes, a divisão de chips representou cerca de 61% das receitas totais da empresa no primeiro trimestre de 2026.
E olhando para o mercado atual, percebe-se facilmente porquê. A corrida à IA está a transformar completamente a indústria tecnológica e fabricantes de memória avançada estão neste momento numa posição extremamente privilegiada.
No fundo, a Samsung parece estar a fazer aquilo que muitas gigantes tecnológicas acabam inevitavelmente por fazer: abandonar mercados onde deixou de conseguir competir de forma rentável e concentrar recursos nas áreas onde ainda consegue liderar.




