A Apple poderá estar prestes a fazer algo que parecia praticamente impossível há alguns anos: recorrer à Intel para fabricar alguns dos seus próximos chips.
Segundo um novo relatório do Wall Street Journal, as duas empresas terão chegado a um acordo preliminar para utilizar as fábricas da Intel na produção de chips destinados a futuros dispositivos Apple. E entre eles poderá estar o próximo processador A27 que deverá alimentar a nova geração do MacBook Neo.
O sucesso do MacBook Neo está a criar um problema à Apple
Ao que tudo indica, a enorme procura pelo MacBook Neo acabou por criar um problema inesperado para a Apple: falta de capacidade de produção.
Durante anos, a TSMC foi praticamente a única responsável pela produção dos chips Apple Silicon. Mas atualmente a fabricante taiwanesa está completamente sobrecarregada devido à explosão da procura por chips ligados à inteligência artificial e computação de alto desempenho.
No fundo, toda a indústria tecnológica está neste momento a disputar o mesmo espaço de produção.
E isso está a começar a afetar até empresas gigantes como a Apple.

Aumento de preço já mostra impacto da crise dos chips
O atual chip A18, usado no MacBook Neo e também na série iPhone 16, é produzido através do processo N3B da TSMC.
Mas nem essa tecnologia escapou às limitações atuais da cadeia de produção. Segundo o relatório, os problemas de fornecimento terão contribuído diretamente para um aumento de 100 dólares no preço do MacBook Neo, algo bastante significativo num portátil posicionado nos 599 dólares.
E sinceramente, isto mostra bem como o mercado dos semicondutores entrou numa nova realidade. Já não basta desenhar chips avançados. O verdadeiro desafio agora é garantir capacidade de fabrico suficiente.
Intel quer provar que consegue competir com a TSMC
Para a Intel, este acordo pode ser extremamente importante.
Durante décadas, a empresa dominou o mercado dos processadores para PCs, mas perdeu bastante terreno nos últimos anos, especialmente após a ascensão da TSMC e da Apple Silicon.
Agora, a divisão Intel Foundry tenta posicionar-se como uma alternativa séria para produção de chips avançados, competindo diretamente com gigantes como TSMC e Samsung.
E conseguir um cliente como a Apple seria uma enorme validação tecnológica.
Claro que isto não significa um regresso da era “Intel Inside” nos MacBooks. A Apple continuará a desenvolver os seus próprios processadores. A diferença é que parte da produção poderá passar a acontecer em fábricas Intel.
Samsung também esteve em conversações
O relatório refere ainda que a Apple terá mantido conversações com a Samsung para possíveis acordos de produção adicionais.
Ou seja, tudo indica que a empresa quer mesmo diversificar a cadeia de fornecimento e reduzir a dependência quase total da TSMC.
E honestamente, faz sentido.
A indústria dos chips está cada vez mais pressionada pela inteligência artificial, servidores, GPUs e dispositivos móveis. Quem conseguir garantir capacidade de fabrico suficiente nos próximos anos terá uma enorme vantagem competitiva.
No caso da Apple, isso pode significar simplesmente garantir que consegue colocar MacBooks suficientes nas lojas sem voltar a subir preços de forma agressiva.




