Confesso que cheguei ao Formentor VZ Extreme com algum ceticismo. Não porque duvide das capacidades da Cupra, mas porque há uma parte de mim que acha que SUVs de alta performance são, por definição, uma contradição em termos. Um carro alto, pesado, com centro de gravidade elevado, a fingir que é um desportivo. Já vi esse filme antes, e raramente tem um final feliz.
Estava errado. E foi um prazer descobrir isso.
Quando a Cupra se separou da SEAT para se tornar uma marca independente, muitos questionaram se o mundo precisava de mais uma insígnia focada na performance. O Formentor foi a resposta — o primeiro modelo desenvolvido de raiz para a marca, e rapidamente se tornou no seu flagship. Mas é na versão VZ Extreme 2.0 TSI DSG 4Drive de 333 cv que o Formentor deixa de ser apenas um SUV familiar atraente e se transforma num verdadeiro desportivo capaz de envergonhar muitos hot hatches consagrados. Tivemos acesso aos detalhes e preços desta versão topo de gama e mergulhámos naquilo que faz deste modelo uma proposta tão tentadora para quem recusa abdicar do prazer de condução em prol da versatilidade familiar.
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A Alma do Touro Espanhol
Debaixo do capot esculpido do Formentor VZ Extreme bate um coração bem conhecido dos fãs do grupo Volkswagen: o bloco 2.0 TSI, aqui afinado para debitar uns expressivos 333 cavalos. Acoplado a uma caixa de dupla embraiagem DSG de 7 velocidades e ao sistema de tração integral 4Drive, os números falam por si: 0 aos 100 km/h em meros 4,8 segundos.
Mas os números nunca contam a história toda, e este é um daqueles casos em que a experiência ao volante transcende completamente a frieza das especificações. A verdadeira magia acontece quando a estrada começa a enrolar-se, a largura diminui e o instinto de travar antes da curva cede à tentação de acelerar para dentro dela.
A Cupra dotou esta versão com um torque splitter no eixo traseiro — tecnologia herdada diretamente do Audi RS3. Na prática, isto significa que o Formentor consegue enviar mais potência para a roda exterior durante uma curva, anulando a tendência natural dos SUVs para a subviragem e permitindo saídas de curva com uma agilidade e neutralidade que desafiam a física. Numa curva de velocidade média, bem encadeada, o carro simplesmente agarra. Não há rodeios, não há hesitação. É quase desconcertante.

O modo de condução Cupra, acessível através de um botão satélite no volante, transforma completamente o caráter do carro. A resposta do acelerador torna-se quase telepática, a caixa segura as mudanças até ao limite e a suspensão adaptativa enrijece o suficiente para comunicar tudo o que se passa entre o asfalto e os pneus. É aqui que o sistema de escape Akrapovic em titânio — um opcional de 3.876 € na unidade ensaiada— justifica cada cêntimo, preenchendo o habitáculo com uma banda sonora rouca e borbulhante que transforma qualquer troço de estrada numa pequena aventura.

Mas há um aviso que tenho de fazer, especialmente para quem conduz em Portugal: no modo Cupra, a suspensão pode revelar-se demasiado firme para o asfalto degradado que caracteriza grande parte da nossa rede rodoviária. Lombas, remendos e pavimento irregular chegam ao habitáculo com uma clareza que, ao fim de algum tempo, cansa. Para uma condução rápida mas fluida no mundo real, o modo Sport oferece o compromisso ideal entre controlo de carroçaria e absorção de irregularidades. É o modo em que, honestamente, passaria a maior parte do tempo.
Vida a Bordo: Onde o Desporto Encontra o Conforto
Se a dinâmica de condução é digna de um desportivo, o interior não esquece que este é, afinal de contas, um SUV de uso diário. E é precisamente aqui que o Formentor impressiona de uma forma mais subtil, mas igualmente importante.
A posição de condução é um dos grandes trunfos deste carro. Ao contrário de muitos rivais onde nos sentimos sentados “sobre” o carro, aqui o banco do condutor pode ser ajustado para uma posição surpreendentemente baixa, envolvendo-nos no habitáculo e transmitindo uma sensação de controlo muito mais próxima de um hatchback. Quando se está ali sentado, com o volante na mão e o painel de instrumentos à frente, é quase possível esquecer que se está num SUV.

Os bancos desportivos oferecem um excelente apoio lateral sem comprometer o conforto em viagens longas. Fiz algumas horas de estrada e cheguei sem as costas a reclamar, o que para mim é sempre um bom sinal. A qualidade de construção é inegavelmente premium, com materiais de toque suave e um design que mistura o minimalismo moderno com detalhes em tom cobre — a assinatura visual da marca — aplicados com contenção suficiente para não caírem no exagero.
A recente atualização trouxe melhorias significativas ao sistema de infoentretenimento. O novo ecrã de 12,9 polegadas é substancialmente mais rápido e intuitivo do que a geração anterior, e a diferença nota-se no uso quotidiano. O único ponto de atrito continua a ser a dependência de controlos táteis para a climatização — agora iluminados, o que ajuda, mas que ainda exige alguma habituação para quem vem de carros com botões físicos. Não é um dealbreaker, mas é um daqueles pormenores que me faz querer os controlos físicos de volta.
Apesar do tejadilho descendente que lhe confere a silhueta de coupé, o espaço nos bancos traseiros é generoso. Dois adultos viajam com conforto real, sem o joelho encostado ao banco da frente nem a cabeça a roçar no teto. A bagageira, embora ligeiramente penalizada pelo sistema de tração integral face às versões de tração dianteira, mantém uma volumetria perfeitamente adequada. É um carro com o qual se pode viver todos os dias, e não apenas nos fins de semana.

O Preço da Exclusividade
A performance e o equipamento de topo têm, naturalmente, um custo. E o Formentor VZ Extreme não tenta esconder isso.
| Descrição | Valor (€) |
| Preço Base | 44.756,39 |
| I.S.V. | 8.960,82 |
| Taxas Ambientais | 9,26 |
| Despesas Administrativas | 1.100,00 |
| Sub Total | 54.826,47 |
| I.V.A. (23%) | 12.610,08 |
| Preço de Venda (sem opcionais) | 67.436,55 |
A unidade que testámos estava ainda equipada com dois opcionais que elevam a experiência — e a fatura:
| Equipamento Opcional | Preço (IVA incluído) |
| Pintura Mate Cinzento Enceladus | 2.243,99 € |
| Sistema de Escape Akrapovic | 3.876,00 € |
| Total Opcionais | 6.119,99 € |
| Preço Final da Viatura Ensaiada | 73.556,54 € |
Com um preço final a rondar os 73.500 euros, o Formentor VZ Extreme entra num território onde a concorrência é feroz. Estamos a falar de valores onde começam a aparecer propostas de marcas premium tradicionais — BMW, Audi, Porsche — e onde a comparação é inevitável. A questão que se coloca é legítima: porquê o Cupra em vez de um Q3 RS ou de um GLC 43?
A minha resposta é simples: porque o Formentor é mais honesto naquilo que promete. Não tenta imitar o prestígio secular de uma insígnia alemã. Em vez disso, oferece um design mais ousado, uma experiência de condução genuinamente envolvente e um equipamento de série que a concorrência cobra como opcional. É uma proposta diferente, não necessariamente inferior.

Veredito
O Cupra Formentor VZ Extreme de 333 cv não é um carro para quem procura apenas ir do ponto A ao ponto B. É um SUV para quem gosta genuinamente de conduzir — e que não quer pedir desculpa por isso.
Consegue a proeza rara de ser dócil e confortável durante a semana, para se transformar num devorador de curvas ao fim de semana. O torque splitter no eixo traseiro elevou a dinâmica a um patamar que, honestamente, não esperava. Faz esquecer o peso e a altura ao solo de uma forma que parece quase injusta para os rivais.
Há concessões, claro. A suspensão em modo Cupra é demasiado firme para o asfalto português. Os controlos táteis da climatização ainda irritam. E o preço final, com os opcionais que fazem sentido, ultrapassa facilmente os 70.000 euros — uma barreira psicológica significativa.
Mas se o orçamento permitir e a paixão pela condução falar mais alto do que a racionalidade pura, o Formentor VZ Extreme é, sem dúvida, uma das propostas mais entusiasmantes do mercado atual. Cheguei cético. Fui embora convencido.




