
Falha no Linux com quase 20 anos preocupa especialistas e utilizadores
Uma vulnerabilidade descoberta no Linux poderá permitir que atacantes obtenham privilégios de administrador. O problema terá permanecido oculto durante quase duas décadas.
Uma nova vulnerabilidade descoberta no Linux está a gerar preocupação na comunidade de segurança informática. O motivo é simples: segundo os investigadores, a falha poderá permitir a escalada de privilégios até ao nível de administrador (root) e terá permanecido escondida durante muitos anos antes de ser identificada.
Embora o Linux continue a ser considerado um dos sistemas operativos mais seguros do mercado, casos como este demonstram que mesmo projetos com décadas de desenvolvimento e auditorias constantes não estão imunes a problemas graves.
O que foi descoberto?
A vulnerabilidade, apelidada de “CIFSwitch”, afeta componentes relacionados com a partilha de ficheiros em sistemas Linux e pode permitir que um utilizador local obtenha privilégios de administrador do sistema. Segundo os investigadores, a falha esteve presente durante quase duas décadas antes de ser identificada.
Na prática, um atacante que já tenha acesso a uma conta limitada num sistema vulnerável poderá explorar a falha para assumir controlo total da máquina.
Importa sublinhar que não se trata de uma vulnerabilidade que possa ser explorada remotamente através da Internet sem qualquer acesso prévio. O atacante necessita primeiro de conseguir executar código localmente no equipamento afetado.

Várias distribuições podem ser afetadas
Segundo os relatórios divulgados, a vulnerabilidade afeta diversas distribuições Linux populares, incluindo versões de Linux Mint, CentOS Stream, Rocky Linux, AlmaLinux, Kali Linux e SUSE Linux Enterprise. Algumas instalações de Ubuntu e Debian também poderão estar vulneráveis dependendo dos componentes instalados.
Nem todos os sistemas Linux estão expostos ao problema. A presença ou ausência dos componentes afetados desempenha um papel importante na exposição ao risco.
Ainda assim, a descoberta serve como mais um alerta para a importância de manter sistemas atualizados.
As vulnerabilidades no Linux estão a aumentar
A descoberta surge numa altura em que vários investigadores têm identificado novas falhas de escalada de privilégios no kernel Linux.
Nas últimas semanas foram divulgadas vulnerabilidades como a CVE-2026-46333, que permite a utilizadores locais obter acesso privilegiado através de uma falha na função ptrace_may_access(), e outras vulnerabilidades conhecidas como “PinTheft”, “Copy Fail” e “Fragnesia”, todas capazes de permitir acesso root em determinadas condições.
Isto não significa necessariamente que o Linux esteja menos seguro do que antes.
Na realidade, muitos especialistas acreditam que a melhoria das ferramentas de análise e investigação está simplesmente a permitir encontrar vulnerabilidades que permaneceram ocultas durante anos.

Já existem correções disponíveis
A boa notícia é que os responsáveis pelo kernel Linux já disponibilizaram correções para a falha e várias distribuições começaram a distribuir atualizações de segurança.
Por esse motivo, a recomendação é clara: instalar todas as atualizações disponíveis o mais rapidamente possível.
Para administradores de sistemas empresariais, também é aconselhável verificar se os componentes de partilha de ficheiros afetados são realmente necessários. Caso contrário, podem ser desativados como medida adicional de proteção.
A segurança continua a depender das atualizações
Muitos utilizadores acreditam que utilizar Linux é suficiente para ficar protegido contra ameaças de segurança.
A realidade é um pouco diferente.
Tal como acontece no Windows, macOS ou Android, a segurança de um sistema Linux depende fortemente da aplicação regular de atualizações e correções. Mesmo vulnerabilidades antigas podem tornar-se perigosas quando são finalmente descobertas e começam a circular provas de conceito públicas.
A descoberta desta falha mostra precisamente isso. Um problema pode permanecer escondido durante anos sem ser explorado em larga escala, mas no momento em que é divulgado, a corrida entre atacantes e administradores para aplicar correções começa imediatamente.



