RAM já é mais cara que o processador e está a aumentar o preço dos smartphones

Carl Pei, CEO da Nothing, revela que a RAM e o armazenamento já representam mais de metade do custo de um smartphone. Os preços podem continuar a subir.

Se tem adiado a compra de um novo smartphone à espera de uma promoção mais agressiva, talvez seja melhor repensar a estratégia. Segundo Carl Pei, CEO e fundador da Nothing, os componentes que mais pesam atualmente no custo de produção de um smartphone já não são os processadores, mas sim a memória RAM e o armazenamento.

A revelação foi feita através da rede social X, onde o responsável explicou que a memória representa hoje mais de metade do custo total de fabrico de alguns equipamentos. Uma realidade que está a afetar toda a indústria e que poderá resultar em smartphones mais caros ao longo dos próximos meses.

RAM e armazenamento tornaram-se os componentes mais caros

Durante muitos anos, o processador era visto como o componente mais caro de um smartphone. Afinal, é ele que define grande parte do desempenho do equipamento.

Mas o cenário mudou drasticamente em 2026.

De acordo com Carl Pei, os preços dos chips DRAM e NAND utilizados para RAM e armazenamento dispararam devido ao aumento da procura por parte da indústria da Inteligência Artificial. Empresas que desenvolvem servidores para IA estão a absorver uma enorme quantidade destes componentes, criando pressão na cadeia de abastecimento global.

No caso do Nothing Phone (4a), o executivo revelou que o custo da memória duplicou entre o momento em que o smartphone foi planeado e o seu lançamento. Desde então, os preços voltaram a duplicar.

É um aumento impressionante e que obriga os fabricantes a fazer escolhas difíceis.

preços smartphones RAM

Aumento dos preços já está a chegar ao consumidor

A consequência desta situação começa a ser visível no mercado.

Segundo Carl Pei, vários smartphones lançados desde fevereiro chegaram às lojas cerca de 100 dólares mais caros do que os seus antecessores diretos.

O problema não está apenas no aumento do preço dos componentes. Os fabricantes enfrentam também limitações no fornecimento, recebendo quotas específicas dos fornecedores de memória e pagando valores significativamente mais elevados para garantir stock suficiente.

Isto significa que as margens de lucro ficam mais apertadas e os aumentos acabam inevitavelmente por chegar ao consumidor final.

A própria Nothing foi obrigada a aumentar os preços do Phone (4a) e do Phone (4a) Pro pouco tempo depois do lançamento.

Promoções poderão tornar-se mais raras

Uma das consequências menos faladas desta situação é o impacto nas promoções.

Nos últimos anos, tornou-se normal encontrar smartphones com descontos significativos poucos meses após o lançamento. No entanto, com os custos de produção a aumentarem constantemente, os fabricantes terão menos margem para campanhas agressivas.

Para quem costuma esperar pelas grandes promoções de verão, Black Friday ou Natal, a realidade poderá ser bastante diferente daquela a que estava habituado.

Não são apenas os smartphones

O fenómeno não afeta apenas o mercado mobile.

Segundo o CEO da Nothing, outros equipamentos tecnológicos também estão a sofrer com o aumento dos preços da memória. Um exemplo apontado pelo próprio foi o Lenovo ThinkBook 16 equipado com o processador AMD Ryzen 5 7535HS, cujo preço praticamente duplicou desde o início de 2026.

Tudo indica que a pressão provocada pela corrida global à Inteligência Artificial continuará a influenciar o mercado tecnológico durante os próximos meses.

Para os consumidores, a mensagem é simples: os tempos dos grandes descontos e das descidas rápidas de preço poderão estar a chegar ao fim. E, se está a pensar trocar de smartphone em breve, esperar demasiado tempo poderá significar pagar mais pelo mesmo equipamento.

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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