
Alemanha e França vão substituir Palantir por plataforma militar europeia com IA
Berlim e Paris acordaram construir uma infraestrutura de IA militar própria para reduzir dependência de tecnologia americana. Projeto pode custar centenas de milhares de milhões até 2035.
A Alemanha e a França fecharam no passado dia 17 de julho, em Nörvenich, um acordo para desenvolver uma plataforma militar europeia baseada em inteligência artificial. O objetivo é claro: afastar progressivamente o gigante americano Palantir das estruturas de segurança europeias e construir uma alternativa digital genuinamente soberana.
A iniciativa surge num momento em que a Europa procura reduzir a sua exposição a fornecedores tecnológicos dos Estados Unidos, sobretudo em áreas sensíveis como defesa e serviços secretos. O plano prevê que o instituto alemão dedicado à segurança em IA trabalhe lado a lado com a instituição francesa Inesia, enquanto Paris põe em cima da mesa a sua plataforma Arcadia como substituto direto do sistema Maven da Palantir.
Serviços secretos já arrancaram com software europeu
Enquanto a nova infraestrutura militar europeia ainda está em fase de planeamento, alguns passos já foram dados. O Bundesamt für Verfassungsschutz alemão e a DGSI francesa — os serviços de informação interna de ambos os países — já abandonaram soluções americanas e adoptaram software da ChapsVision, uma empresa europeia. Este movimento mostra que a transição não é apenas retórica.
Paralelamente, a Europa está a reforçar a sua capacidade de processamento. Estão a ser instalados 35 supercomputadores dedicados a inteligência artificial em várias cidades europeias, incluindo o MareNostrum5 AI em Barcelona. Estes sistemas vão fornecer a potência de cálculo necessária para simulações militares complexas, com hardware cada vez mais fabricado em território europeu para minimizar riscos de segurança.
Quanto vai custar a independência digital?
A questão do custo é inevitável. Especialistas da indústria de segurança estimam que alcançar uma autonomia tecnológica significativa até 2035 poderá exigir um investimento na ordem das centenas de milhares de milhões de euros. O mercado global de software continua dominado por empresas americanas e asiáticas, o que torna o desafio ainda mais exigente tanto em termos financeiros como temporais.
Para estimular o ecossistema europeu de defesa, a Lakestar lançou um fundo de capital de risco de 300 milhões de euros destinado a startups do setor. A ideia é manter inovação e talento dentro da Europa, em vez de depender exclusivamente de importações tecnológicas.

Projetos de armamento também avançam
A cooperação germano-francesa não se limita ao digital. O programa FCAS (Future Combat Air System), que visa criar um caça de próxima geração, deverá adotar uma arquitetura unificada que permita comunicação fluida entre aviões e drones de diferentes fabricantes. Os primeiros protótipos estão previstos para o final da década.
Também o tanque do futuro, conhecido como MGCS (Main Ground Combat System), continua em desenvolvimento conjunto. Além disso, Berlim e Paris querem usar mais frequentemente o foguetão europeu Ariane 6 para lançar satélites militares, com o objetivo de construir redes de comunicação próprias no espaço.
Vale a pena o esforço?
Construir uma plataforma militar europeia desde os alicerces é caro e demorado, mas promete algo que poucos ativos tecnológicos conseguem garantir: autonomia estratégica. Num contexto geopolítico cada vez mais imprevisível, não depender de fornecedores externos para sistemas críticos de defesa pode fazer toda a diferença. A questão agora é saber se a Europa está disposta a pagar o preço — literal e figurado — dessa independência.
Via: WinFuture News



