A Huawei está a planear levar a sua tecnologia de câmara multiespectral para os modelos de entrada e gama média, segundo informações recentemente partilhadas pelo leaker chinês @FixedFocus no Weibo. Até agora, esta tecnologia avançada estava reservada aos topo de gama da marca Mate, Pura e as versões Ultra da série Nova.
A mudança pode trazer para modelos mais acessíveis um sistema de captura de cor que regista até 1,5 milhões de canais espectrais, um salto enorme face aos três canais RGB convencionais que a generalidade dos smartphones usa.
O que muda com um sensor multiespectral
Quem fotografa muito com o telemóvel conhece o problema: cores que não batem certo, luz ambiente que confunde o sensor, dominantes amareladas ou azuladas que estragam uma foto. O sensor multiespectral da Huawei, também conhecido como Ultra Chroma ou Red Maple, ataca precisamente isto.
Em vez de trabalhar apenas com as três camadas clássicas de vermelho, verde e azul, este sistema mede a luz ao nível do pixel através de uma rede massiva de canais de cor discretos. Os algoritmos da Huawei processam depois esses dados para determinar o equilíbrio de brancos com muito mais precisão mesmo em cenários de iluminação mista ou fotografia nocturna, onde os sensores tradicionais costumam falhar.
A diferença prática? A precisão de cor melhora cerca de 120% comparando com sensores de imagem convencionais, e consegue-se evitar aquela saturação excessiva ou os reflexos de cor que aparecem quando se fotografa em condições difíceis.

Que modelos podem receber a nova tecnologia
A Huawei lançou pela primeira vez a câmara multiespectral na série Mate 70, em 2024, e desde então tem-na reservado para os modelos de topo. O leak não especifica qual será o primeiro telemóvel de gama média a recebê-la, mas aponta duas séries como candidatas naturais: os modelos standard e de entrada da linha Nova, e os aparelhos da série Enjoy.
Curiosamente, a marca tem neste momento dois novos modelos Enjoy em preparação, equipados com baterias de 6100 mAh e 8500 mAh respetivamente. Qualquer um destes pode ser a porta de entrada da tecnologia multiespectral para a gama acessível ainda que não haja confirmação oficial.
Porque é que isto interessa a quem compra um smartphone
Trazer uma tecnologia de câmara deste calibre para modelos mais baratos não é apenas uma questão de marketing. Para quem não quer gastar mil euros ou mais num topo de gama, mas também não quer ficar com fotografias medíocres sempre que a luz não é perfeita, esta movimentação faz sentido.
A fotografia móvel está cada vez mais dependente do software e dos sensores avançados que alimentam esse software com dados de qualidade. Um sensor multiespectral dá aos algoritmos muito mais informação para trabalhar, o que se traduz em fotografias mais naturais sem ser preciso andar a corrigir tudo manualmente depois de tirar a foto.
Se a Huawei confirmar esta estratégia, vai pressionar outras marcas a fazer o mesmo ou a encontrar formas alternativas de melhorar a fotografia nos modelos intermédios. No final, quem ganha é quem compra um smartphone e quer simplesmente que as fotografias saiam bem à primeira, sem ter de perceber de sensores ou de balanços de cor.
Via: Huawei Central




