
CXMT recusa desconto à Apple após forte procura da Huawei
A chinesa CXMT rejeitou a exigência de corte de preços da Apple para chips de memória, depois de garantir encomendas volumosas da Huawei e Xiaomi no mercado chinês.
A fabricante chinesa de chips CXMT travou as negociações com a Apple e recusou baixar os preços dos seus chips de memória DRAM. A razão é simples: a Huawei e a Xiaomi já reservaram volumes significativos de produção, sem qualquer exigência de descontos, deixando a Apple em segundo plano numa disputa comercial que revela o peso crescente do mercado doméstico chinês.
Segundo um meio de comunicação sul-coreano, a CXMT rejeitou a proposta da Apple de fornecer memória móvel a preços inferiores aos praticados pela Samsung e SK Hynix. Durante cerca de um mês, a Apple tentou garantir fornecimento de LPDDR5X e outros tipos de DRAM móvel, numa altura em que procura reduzir custos de produção dos próximos iPhones e restantes dispositivos.
Huawei e Xiaomi garantiram quota antes da Apple
O momento escolhido pela Apple acabou por ser inconveniente. Marcas chinesas como a Huawei e a Xiaomi já tinham fechado acordos com a CXMT para volumes específicos de chips de memória, aceitando os preços de tabela sem hesitar. Esta procura interna explosiva transformou a posição negocial da fabricante chinesa, que deixou de ter motivos para ceder a pressões externas sobre margens.
A Apple ainda está a negociar com as autoridades norte-americanas a possibilidade de adquirir chipsets DRAM da CXMT, o que abriria portas ao fornecedor chinês no mercado global. No entanto, essa eventual luz verde parece ter perdido urgência para a própria CXMT, que encontrou no seu território uma procura suficiente para manter a capacidade de produção ocupada.

Samsung e SK Hynix focadas noutro segmento
Enquanto os gigantes sul-coreanos Samsung e SK Hynix concentram esforços e linhas de produção em chips HBM (High Bandwidth Memory) destinados a data centers e aplicações de inteligência artificial, a CXMT aproveitou o espaço deixado livre no segmento de DRAM móvel convencional. A estratégia revelou-se acertada: com a produção eficiente e uma base de clientes sólida dentro da China, a empresa consolidou-se como player de referência no mercado doméstico.
Esta reconfiguração do mercado de memória móvel ilustra bem como a cadeia de fornecimento global se tem fragmentado. A Apple habituou-se durante anos a negociar condições vantajosas com fornecedores asiáticos, mas a ascensão de fabricantes chineses com procura local robusta limita essa margem de manobra.
Preços mantêm-se firmes apesar da pressão externa
A recusa da CXMT em baixar preços que já rivalizavam ou até ultrapassavam os praticados pela Samsung e SK Hynix mostra confiança na própria posição. Com as encomendas da Huawei e da Xiaomi já garantidas, não existe incentivo comercial para aceitar margens mais apertadas só para conquistar a Apple como cliente. O mercado chinês, em pleno crescimento no segmento de smartphones premium e dispositivos conectados, oferece volume suficiente para sustentar a operação sem compromissos.
Para a Apple, esta situação complica os planos de diversificação de fornecedores e de contenção de custos. A dependência dos tradicionais parceiros sul-coreanos permanece elevada, numa altura em que a procura por HBM desvia parte da capacidade produtiva desses mesmos fornecedores para segmentos mais lucrativos.
A CXMT surge assim como exemplo de uma nova dinâmica no setor dos semicondutores: fabricantes chineses que já não precisam de aceitar todas as condições impostas por gigantes ocidentais, graças a uma base de clientes domésticos cada vez mais exigente e disposta a pagar preços de mercado. Para a Apple, fica o desafio de repensar a estratégia de sourcing num contexto onde o poder negocial se redistribuiu de forma inesperada.
Via: Huawei Central



