Quick Share vai permitir partilhar ficheiros diretamente entre Android e iPhone

A Google vai lançar SDKs do Quick Share para Android e iOS em 2027, permitindo partilhar ficheiros diretamente nas aplicações.

Enviar fotografias, vídeos ou outros ficheiros entre smartphones Android e iPhone poderá tornar-se bastante mais simples em 2027. A Google anunciou uma novidade importante para o Quick Share, que vai permitir aos programadores integrar diretamente esta funcionalidade nas suas aplicações, eliminando a necessidade de recorrer ao menu de partilha tradicional do sistema.

A novidade foi apresentada durante o Android Dev Summit e deverá chegar na primeira metade de 2027, através de um SDK para Android e de uma versão específica para iOS. Na prática, significa que as aplicações poderão disponibilizar uma opção de envio de ficheiros para dispositivos próximos sem obrigar o utilizador a sair da aplicação onde está.

Quick Share passa a estar integrado nas aplicações

Atualmente, quando queremos enviar uma fotografia ou um documento, normalmente temos de abrir o menu de partilha do Android ou do iOS e escolher a aplicação ou o dispositivo de destino. Com a integração do novo SDK, esse processo poderá ser feito diretamente dentro da aplicação.

Em vez de abrir uma interface de ecrã inteiro, será apresentada uma janela na parte inferior do ecrã, com uma pré-visualização dos ficheiros selecionados e os dispositivos disponíveis nas proximidades.

A Google pretende, assim, tornar a partilha mais rápida e intuitiva. A funcionalidade também será compatível com aplicações para iPhone, o que poderá ajudar a aproximar ainda mais os dois ecossistemas.

Transferências sem internet e com encriptação de ponta a ponta

Um dos aspetos mais interessantes desta novidade está na tecnologia utilizada para transferir os ficheiros. As transferências serão realizadas através de redes locais e terão encriptação de ponta a ponta entre os dois dispositivos.

O sistema poderá criar automaticamente um ponto de acesso quando necessário e recorrer ao Wi-Fi Direct nos equipamentos compatíveis. Como os ficheiros não passam pela cloud, será possível partilhá-los mesmo sem ligação à internet, incluindo em locais onde a cobertura móvel é inexistente ou muito limitada.

Existe ainda outra vantagem importante: as fotografias e os vídeos mantêm a resolução original. Ou seja, não será necessário comprimir os conteúdos para os enviar, evitando a perda de qualidade que ainda acontece em alguns métodos de partilha.

A Google refere também que os programadores poderão assinalar determinados conteúdos como sensíveis, fazendo com que sejam ocultados na pré-visualização antes da transferência.

Programadores podem integrar a novidade com pouco código

Para quem desenvolve aplicações, a integração deverá ser relativamente simples. Segundo a Google, bastarão cerca de 20 linhas de código para adicionar o suporte ao Quick Share, sem necessidade de manter uma infraestrutura própria de servidores.

Outra funcionalidade interessante é a possibilidade de a aplicação no dispositivo que recebe os ficheiros ser aberta automaticamente quando a transferência termina. Isto significa que, com a implementação de Tap to Share, nem sequer será necessário ter a aplicação de destino aberta antecipadamente.

A Google revela que o Quick Share já está disponível em mais de três mil milhões de dispositivos, incluindo equipamentos Android, ChromeOS e Windows.

A mudança depende agora das aplicações

Apesar de ser uma evolução importante, há uma condição essencial: os programadores terão de adotar o novo SDK. A Google disponibiliza a tecnologia, mas isso não significa que todas as aplicações passem automaticamente a suportar a partilha direta.

Se a adesão for significativa, poderemos estar perante uma das maiores melhorias na partilha de ficheiros entre Android e iOS dos últimos anos. Depois da compatibilidade entre Quick Share e AirDrop ter começado a aproximar os dois sistemas, a integração direta nas aplicações poderá tornar a experiência ainda mais natural.

A chegada está prevista para a primeira metade de 2027. Até lá, será interessante perceber que aplicações vão ser as primeiras a aproveitar esta possibilidade.

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Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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