Apple e Intel chegaram a acordo para produção de chips

Apple e Intel chegaram a acordo para produção de chips. Trump defendeu a Intel junto de Tim Cook. O que muda na cadeia de abastecimento da Apple e quando.

É uma das parcerias mais improváveis da indústria tecnológica — e é real. A Apple e a Intel chegaram a um acordo preliminar para que a Intel produza alguns dos chips que alimentam os dispositivos Apple. A confirmação vem do Wall Street Journal, citando fontes familiarizadas com o assunto.

As negociações intensivas entre as duas empresas duram há mais de um ano, e o acordo formal foi fechado nos últimos meses.

Como chegámos aqui

A história tem vindo a construir-se gradualmente. Em novembro do ano passado, o analista Ming-Chi Kuo reportou que a Apple e a Intel estavam a explorar uma parceria para os futuros chips da série M, destinados a Macs e iPads — com a Intel a poder começar a produzir chips já em 2027. Em dezembro, o analista Jeff Pu foi mais longe, sugerindo que a parceria poderia estender-se aos chips do iPhone, embora isso não acontecesse antes de 2028.

No início desta semana, a Bloomberg confirmou que a Apple estava a explorar parcerias com a Intel e a Samsung para diversificar a produção de chips. Agora o WSJ confirma que pelo menos o acordo com a Intel está fechado.

O que ainda não está claro é quais os produtos Apple que beneficiarão dos chips fabricados pela Intel. A Apple vende mais de 200 milhões de iPhones por ano, além de milhões de iPads e computadores Mac — o potencial de escala é enorme.

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@9to5mac

Porquê a Intel — e porquê agora

A Apple depende actualmente de forma quase exclusiva da TSMC para os seus chips mais avançados. Essa dependência concentrada é um risco estratégico significativo, especialmente num contexto de tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e Taiwan.

Diversificar a produção para a Intel reduz essa exposição. Mas há outro factor nesta equação que não é estritamente tecnológico: a política. A Intel é agora parcialmente detida pelo governo dos Estados Unidos, e a administração Trump tem feito esforços activos para garantir novos contratos para a empresa. Segundo o WSJ, o próprio Presidente Trump defendeu pessoalmente a Intel junto de Tim Cook numa reunião na Casa Branca.

É um acordo onde os interesses se alinham de forma conveniente: a Apple ganha diversificação, a Intel ganha um cliente de prestígio que pode relançar a sua foundry, e o governo americano ganha um argumento para a narrativa de reindustrialização tecnológica nos EUA.

O que isto significa para o futuro

A Intel tem estado a investir pesadamente na sua divisão de foundry — a Intel Foundry Services — precisamente para competir com a TSMC e a Samsung na produção de chips para terceiros. Conseguir a Apple como cliente seria a validação mais poderosa possível para essa aposta.

Para a Apple, a pergunta que fica é de execução: a Intel consegue produzir chips ao nível de qualidade e escala que a TSMC garante actualmente? É um processo que vai levar anos a confirmar. Se o acordo aponta para 2027 nos chips M e 2028 nos chips de iPhone, há tempo — mas as expectativas são altas.

Se tudo correr como planeado, estamos perante uma das maiores mudanças na cadeia de abastecimento da indústria tecnológica na última década.

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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