O Huawei Pura X Max chegou ao mercado há pouco tempo e já com números de vendas impressionantes — bateu o recorde de vendas de todos os foldables da Huawei nos primeiros 10 dias. Agora, o canal iFixit no YouTube fez o primeiro teardown do dispositivo, e o que está lá dentro é tão interessante quanto o exterior.
O título do vídeo resume bem o que encontraram: “Este foldable parece o futuro… até precisares de o reparar.”
Um foldable com ambições de tablet
O iFixit descreve o Pura X Max como um dispositivo estilo passaporte que oferece uma experiência de visualização mais natural e imita o design de um mini tablet. É uma abordagem diferente da maioria dos foldables do mercado, que tendem a priorizar a forma de livro convencional.
Do exterior, o Pura X Max impressiona. Por dentro, a história é mais complexa — há inovações genuínas, mas também compromissos que qualquer potencial comprador deve conhecer.
O que há de interessante lá dentro
O primeiro destaque é a câmara principal com abertura variável — uma tecnologia que esteve ausente de muitos flagships durante anos, incluindo os Samsung Galaxy desde a série S9. A Huawei trouxe-a de volta num formato foldable, o que é tecnicamente exigente e merece reconhecimento.
O chip é o Kirin 9030 Pro, com uma pegada considerável na placa principal. É comparável a um processo de 5nm e representa uma melhoria de desempenho significativa face aos chips de 7nm das gerações anteriores da Huawei. A marca tem estado limitada no acesso a tecnologia de fabrico avançada devido às sanções americanas, e o Kirin 9030 Pro mostra que a Huawei continua a evoluir dentro dessas restrições.
A bateria é dupla, com um total de 19,73Wh de energia — 14% mais do que as baterias do Samsung Galaxy Z Fold 7. Num segmento onde a autonomia é sempre um ponto de fricção, esta diferença pode ser sentida no uso real.
A porta USB-C está facilmente acessível — um ponto positivo que o iFixit assinalou logo no início da desmontagem, e que facilita a vida em caso de avaria nessa zona.
O que surpreendeu positivamente
A dobradiça está selada contra partículas externas, com a espinha do ecrã interior protegida por poros preenchidos com um adesivo flexível. Esta solução protege simultaneamente a parte móvel da dobradiça e o ecrã interior — uma inovação de engenharia pequena mas significativa, que pode fazer diferença na durabilidade a longo prazo.
O ecrã interior também surpreendeu: sobreviveu às tentativas pouco cuidadosas de remoção do testador sem se danificar. Para um painel dobrado que está em constante stress mecânico, isso é um bom sinal de robustez.
A abertura de um dos lados do dispositivo também foi descrita como mais fácil do que o esperado — o que indica melhorias face à geração anterior em termos de montagem.

O que falhou
Aqui é onde o vídeo justifica o título. A bateria está enterrada firmemente no interior do dispositivo, o que torna a substituição segura e a reciclagem significativamente mais difíceis. Não é uma tarefa para técnicos sem experiência, e pode encarecer bastante uma reparação fora de garantia.
Os parafusos não têm ocultação adequada, o que complica o processo de desmontagem e aumenta o risco de danos acidentais. E o ecrã frontal está colado com muito mais força do que o ecrã interior, tornando a abertura desse lado consideravelmente mais trabalhosa e arriscada.
A câmara principal também não facilita a vida a quem precisa de a substituir — está enterrada sob a placa principal e requer esforço adicional para aceder.
A conclusão do iFixit
No cômputo geral, o iFixit descreve o Pura X Max como um dispositivo bem construído, com inovações reais que merecem atenção. Mas as dificuldades em termos de reparação e manutenção são sérias. É o trade-off habitual dos foldables modernos: quanto mais refinada e compacta a engenharia, mais difícil é chegar lá dentro quando algo corre mal.
Para quem está a considerar o Pura X Max, o conselho prático é simples: investe num seguro ou cuida muito bem do dispositivo. Porque se algo correr mal fora de garantia, a conta vai doer.




