Reclamações nas telecomunicações voltam a subir em Portugal

As reclamações sobre serviços de comunicações voltaram a aumentar em Portugal no primeiro trimestre de 2026. MEO lidera em número absoluto de queixas.

As reclamações dos consumidores portugueses sobre serviços de comunicações voltaram a aumentar no arranque de 2026. Depois de uma descida registada no final do ano passado, os dados agora divulgados pela ANACOM mostram uma inversão da tendência, com milhares de novas queixas relacionadas com telecomunicações e serviços postais.

No total, foram registadas cerca de 29.100 reclamações escritas durante o primeiro trimestre do ano. Trata-se de um aumento de aproximadamente 7% face ao mesmo período de 2025, o equivalente a mais 2.000 reclamações.

Os números revelam que, apesar dos avanços tecnológicos e dos investimentos realizados pelas operadoras, muitos consumidores continuam a enfrentar problemas que afetam diretamente a sua experiência diária.

Serviços postais foram os que mais agravaram

O maior crescimento verificou-se nos serviços postais.

Segundo a ANACOM, as reclamações nesta área aumentaram 16% face ao mesmo período do ano anterior, atingindo cerca de 10.800 ocorrências. Isto representa 37% do total das reclamações recebidas pelo regulador.

Já os serviços de comunicações eletrónicas, que incluem televisão, internet fixa, telemóvel e telefone, registaram um crescimento mais moderado de 2%, totalizando cerca de 18.200 reclamações.

Mesmo assim, continuam a representar quase dois terços de todas as queixas recebidas.

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MEO lidera em número de reclamações

A MEO foi o operador que recebeu o maior número absoluto de reclamações durante o período analisado.

Foram registadas cerca de 7.000 queixas relacionadas com a operadora, representando 38% do total das reclamações do setor. Comparativamente ao primeiro trimestre de 2025, o aumento foi de 49%.

Apesar deste crescimento expressivo, existe um dado que merece contexto.

A MEO continua a apresentar a menor taxa de reclamação entre os principais operadores nacionais, com 1,6 reclamações por cada mil clientes.

Isto significa que o elevado volume absoluto de reclamações também está relacionado com a dimensão da sua base de clientes.

Vodafone foi a exceção

Entre os principais operadores, a Vodafone destacou-se por ser a única a reduzir o número de reclamações.

A empresa registou uma diminuição de 20% face ao período homólogo e contabilizou cerca de 4.800 reclamações, o equivalente a 26% do total.

A NOS surge logo atrás da MEO, com aproximadamente 5.500 reclamações, representando 30% das ocorrências registadas pela ANACOM. O aumento foi relativamente reduzido, ficando próximo de 1%.

Contudo, a operadora apresenta atualmente a taxa de reclamação mais elevada entre os grandes operadores, com 1,9 reclamações por cada mil clientes.

Já a DIGI/NOWO registou uma das maiores melhorias do trimestre, reduzindo as reclamações em 42%. As cerca de mil ocorrências registadas representam apenas 5% do total.

vodafone

Falhas técnicas continuam a ser o maior problema

Pelo quinto trimestre consecutivo, a demora na reparação de avarias ou a resolução deficiente de falhas foi o principal motivo de reclamação nas telecomunicações.

Este problema representou 29% de todas as reclamações relacionadas com comunicações eletrónicas.

Os números mostram um agravamento significativo face ao ano anterior.

Na MEO, este motivo correspondeu a 34% das reclamações. Na NOS representou 27% e na Vodafone 26%.

Segundo a ANACOM, estes resultados estão fortemente ligados aos fenómenos meteorológicos extremos registados nos últimos meses, que afetaram infraestruturas e provocaram interrupções de serviço em várias regiões do país.

Também se verificou um aumento das reclamações relacionadas com falhas no acesso à internet fixa, problemas no serviço de televisão e faturação de serviços que alegadamente não foram prestados.

CTT continuam a liderar nas queixas do setor postal

No setor postal, os CTT mantiveram-se como a entidade mais reclamada pelos consumidores portugueses.

Foram registadas cerca de 9.100 reclamações, representando 70% de todas as queixas desta área.

A DPD surge em segundo lugar com cerca de 900 reclamações, seguida pela GLS com aproximadamente 800 ocorrências.

Um dos dados mais relevantes prende-se com o crescimento registado pela GLS e pela DHL, que praticamente triplicaram o número de reclamações face ao período homólogo.

Entregas continuam a gerar frustração

Tal como aconteceu em trimestres anteriores, a principal queixa dos consumidores continua relacionada com a falta de tentativa de entrega ao domicílio.

Este motivo representa atualmente um quarto de todas as reclamações do setor postal.

Também aumentaram as queixas relacionadas com devoluções indevidas de encomendas, atrasos na resolução de reclamações, falhas na entrega em moradas alternativas e dificuldades de contacto através das linhas de apoio ao cliente.

Os problemas persistem apesar da evolução tecnológica

Os dados divulgados pela ANACOM mostram uma realidade curiosa. Nunca os consumidores tiveram acesso a serviços de telecomunicações tão avançados, com fibra ótica, redes móveis de elevada velocidade e serviços digitais cada vez mais sofisticados.

No entanto, problemas básicos como avarias demoradas, falhas de serviço e dificuldades na entrega de encomendas continuam a gerar milhares de reclamações todos os meses.

E enquanto estes problemas persistirem, dificilmente os operadores conseguirão reduzir o nível de insatisfação dos consumidores portugueses.

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Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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