
Nova injeção contra o cancro vai ser testada em Portugal
O tratamento com amivantamab, que mostrou resultados promissores contra o cancro da cabeça e pescoço, vai entrar em ensaios clínicos em cinco hospitais portugueses.
Uma nova esperança para doentes com cancro da cabeça e pescoço pode estar a aproximar-se. O medicamento amivantamab, uma injeção desenvolvida pela Johnson & Johnson, apresentou resultados encorajadores num ensaio clínico internacional e será agora testado em Portugal.
Segundo a Sic Noticias, após a apresentação dos resultados no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), considerado o maior evento mundial dedicado à investigação oncológica.
Os dados divulgados mostram que o tratamento conseguiu reduzir ou eliminar completamente tumores em vários doentes, alimentando a expectativa de que possa vir a tornar-se uma nova arma contra um dos tipos de cancro mais difíceis de tratar.
Resultados que chamaram a atenção da comunidade médica
O estudo envolveu 102 doentes com carcinoma da cabeça e pescoço.
Segundo os resultados apresentados, o tratamento revelou eficácia em mais de um terço dos participantes.
Em 28 doentes verificou-se uma redução significativa dos tumores, enquanto em 15 casos os tumores desapareceram completamente após o tratamento.
Embora ainda seja cedo para falar numa cura definitiva, os números foram suficientemente relevantes para justificar o avanço para uma nova fase de investigação com um número muito maior de participantes.
É precisamente essa próxima etapa que contará com a participação de Portugal.

Cinco hospitais portugueses vão participar no estudo
A nova fase do ensaio clínico irá envolver cerca de 500 doentes em vários países.
Em Portugal, o recrutamento será realizado em cinco unidades hospitalares:
- Hospital de Portimão
- Hospital Gaia-Espinho
- IPO do Porto
- Hospital de Santa Maria
- Hospital CUF Descobertas
Os centros portugueses deverão participar no estudo até meados de 2029.
Segundo o Expresso, o primeiro doente nacional deverá ser integrado já durante este mês no Hospital CUF Descobertas.
O ensaio destina-se a pessoas com carcinomas da cabeça e do pescoço que já não podem ser tratados eficazmente através de terapias locais convencionais.
Um problema que afeta milhares de portugueses
Todos os anos são diagnosticados em Portugal entre 2.500 e 3.000 novos casos de cancro da cabeça e pescoço.
O problema é agravado pelo facto de mais de metade destes diagnósticos ocorrerem numa fase avançada da doença, reduzindo significativamente as possibilidades de cura.
Apesar de ser um dos tipos de cancro mais frequentes na Europa, continua a ser relativamente pouco conhecido pela população em geral.
Os sintomas podem variar consoante a localização do tumor, mas frequentemente incluem dificuldades em engolir, alterações persistentes da voz, feridas que não cicatrizam ou inchaços na região do pescoço.
Como funciona o amivantamab?
O amivantamab distingue-se por atuar em vários mecanismos utilizados pelas células cancerígenas para crescer e resistir aos tratamentos.
Segundo as informações divulgadas, o medicamento bloqueia o EGFR, uma proteína que desempenha um papel importante no crescimento dos tumores.
Ao mesmo tempo, atua sobre a via MET, frequentemente utilizada pelas células cancerígenas para escapar à ação de outros tratamentos.
Além disso, ajuda a estimular a resposta do sistema imunitário contra as células tumorais.
Esta abordagem múltipla é uma das razões pelas quais o medicamento tem despertado interesse entre os especialistas.

Um tratamento mais simples para os doentes
Outro dos aspetos que merece destaque é a forma de administração.
Ao contrário de muitos tratamentos oncológicos que exigem longas sessões intravenosas, o amivantamab é administrado através de uma injeção subcutânea.
O procedimento é realizado de três em três semanas, tornando o tratamento potencialmente mais cómodo e menos exigente para os doentes.
Também os efeitos secundários parecem ser relativamente controláveis.
Segundo os dados apresentados, a maioria das reações observadas foram classificadas como leves ou moderadas. Menos de 10% dos participantes tiveram de interromper o tratamento devido a efeitos adversos.
Ainda há um longo caminho pela frente
Apesar dos resultados encorajadores, é importante lembrar que o amivantamab continua em fase de investigação para esta indicação específica.
Os próximos anos serão fundamentais para confirmar a eficácia e segurança do tratamento num número muito maior de doentes.
Ainda assim, a entrada de Portugal neste estudo representa uma notícia positiva para a investigação clínica nacional e para os doentes que procuram novas opções terapêuticas.
Num momento em que a oncologia continua a evoluir rapidamente, o amivantamab pode tornar-se mais um exemplo de como a investigação científica está a abrir portas para tratamentos cada vez mais eficazes e menos invasivos.



