Nos últimos dias, começaram a surgir várias publicações nas redes sociais a sugerir que o Xiaomi YU7 estaria a enfrentar problemas de procura e acumulação de stock.
A origem da polémica foi um anúncio feito por Lei Jun, fundador da Xiaomi, onde revelou que algumas unidades do SUV elétrico podiam ser entregues aos clientes em apenas algumas horas.
Para muitos críticos, isto foi imediatamente interpretado como um sinal de que o interesse pelo modelo estaria a cair drasticamente.
No entanto, quando analisamos os dados com mais atenção, a história parece ser bastante diferente.
As entregas rápidas não significam falta de procura
Segundo informações divulgadas pela própria Xiaomi, os veículos disponíveis para entrega imediata não correspondem a produção excedente acumulada nos parques da marca.
Grande parte destas unidades resulta de encomendas canceladas, financiamentos rejeitados ou veículos que sofreram pequenos danos estéticos durante o transporte antes do registo.
Estes automóveis são posteriormente reparados e vendidos com total transparência sobre o histórico das intervenções realizadas.
Ou seja, não estamos perante milhares de carros sem compradores à espera de serem vendidos.

Os tempos de espera continuam relativamente elevados
Outro detalhe importante passa pelos prazos de entrega das encomendas personalizadas.
Quem compra um Xiaomi YU7 configurado à medida continua a ter de esperar entre 6 e 9 semanas pela entrega.
É uma diferença enorme quando comparada com os primeiros meses após o lançamento, período em que alguns clientes chegaram a enfrentar tempos de espera superiores a 50 semanas.
A redução destes prazos parece estar mais relacionada com o aumento da capacidade de produção da Xiaomi do que com uma quebra repentina da procura.
As vendas abrandaram, mas isso é normal
É verdade que os números de vendas do YU7 diminuíram ao longo dos últimos meses.
Os dados mostram uma descida dos 37.869 veículos vendidos em janeiro para 20.196 em fevereiro. Em março foram registadas 13.558 unidades e em abril cerca de 9.876.
À primeira vista, estes números podem parecer preocupantes.
No entanto, trata-se de um comportamento bastante comum após o entusiasmo inicial que acompanha o lançamento de qualquer modelo muito aguardado.
A procura estabiliza naturalmente depois da fase inicial de pré-reservas e encomendas acumuladas.
A Xiaomi Auto continua a crescer
Apesar da desaceleração das vendas específicas do YU7, a divisão automóvel da Xiaomi continua a apresentar resultados bastante sólidos.
Em abril de 2026, a marca entregou 36.702 veículos, um crescimento de mais de 71% face ao mês anterior.
Já em maio, a empresa voltou a ultrapassar a marca das 30.000 entregas.
Estes números demonstram que a Xiaomi Auto continua numa trajetória de crescimento bastante expressiva dentro do competitivo mercado automóvel chinês.

Novos modelos estão a caminho
A Xiaomi sabe que não pode depender apenas de um único modelo.
Por isso, está a expandir rapidamente a sua gama de veículos.
Recentemente apresentou o YU7 GT, uma versão mais desportiva do SUV elétrico, que chega ao mercado com um preço a partir dos 48.900 euros e que já conquistou destaque após estabelecer um novo recorde em Nürburgring para a sua categoria.
Além disso, surgiram informações sobre o projeto interno “Kunlun”, que prevê o desenvolvimento de três SUV elétricos de autonomia estendida.
Estes modelos utilizarão um pequeno motor a combustão exclusivamente para carregar a bateria, eliminando a ansiedade de autonomia em viagens longas.
O verdadeiro desafio da Xiaomi
O maior problema da Xiaomi neste momento não parece ser a falta de clientes.
O verdadeiro desafio passa por aumentar a produção para atingir a ambiciosa meta de 550.000 veículos entregues durante 2026.
Até ao momento, a empresa terá entregue entre 140.000 e 150.000 automóveis nos primeiros cinco meses do ano.
Ao mesmo tempo, continua a investir fortemente em investigação, desenvolvimento e expansão industrial, algo que ainda gera perdas de cerca de 4.800 euros por veículo vendido.
Mesmo assim, poucos fabricantes conseguem apresentar um crescimento tão rápido num setor tão competitivo.
Por isso, embora os números do YU7 estejam mais baixos do que durante a fase de lançamento, tudo indica que estamos perante uma normalização da procura e não perante um problema de excesso de stock.




