Quando pensamos nas câmaras dos smartphones, a maioria das marcas gosta de destacar números impressionantes. São 50MP, 108MP ou até 200MP. No entanto, a qualidade de uma fotografia depende muito mais do sensor do que da resolução. E é precisamente aqui que a Sony acredita ter dado um passo importante com o anúncio do novo Lytia 910.
Este é o primeiro sensor da empresa a utilizar tecnologia LOFIC (Lateral Overflow Integration Capacitor), uma solução que promete melhorar drasticamente o alcance dinâmico das fotografias e vídeos captados por smartphones.
A tradução prática é simples: melhores resultados em cenas difíceis, especialmente quando existem zonas muito claras e muito escuras na mesma imagem.
O que torna o Lytia 910 especial?
O grande destaque deste novo sensor é a capacidade de atingir 100 dB de alcance dinâmico numa única exposição.
Pode parecer apenas mais um número técnico, mas representa uma evolução significativa. Atualmente, muitos smartphones recorrem a várias fotografias captadas em sequência para criar uma imagem HDR. Embora esta técnica funcione relativamente bem, também pode gerar problemas quando existem objetos em movimento.
É por isso que, por vezes, surgem fantasmas, artefactos ou imagens desfocadas em cenas mais complexas.
Com o Lytia 910, a Sony promete eliminar grande parte desses problemas ao conseguir obter toda a informação necessária através de uma única captura.

Como funciona a tecnologia LOFIC?
A tecnologia LOFIC não é totalmente nova na indústria, mas esta é a primeira vez que a Sony a implementa num sensor destinado a smartphones.
Na prática, cada pixel recebe um pequeno condensador adicional que permite armazenar mais informação luminosa antes de atingir o limite de saturação.
Isto significa que o sensor consegue preservar mais detalhes nas zonas claras sem comprometer as áreas mais escuras da fotografia.
O resultado deverá traduzir-se em céus mais detalhados, sombras mais limpas e imagens mais equilibradas em praticamente qualquer condição de iluminação.
Vídeo HDR também beneficia
As vantagens não ficam limitadas à fotografia.
Como todo o processo acontece numa única exposição, o sensor também consegue gravar vídeo HDR com menos artefactos e menos problemas associados a movimento.
Segundo a Sony, o Lytia 910 será capaz de gravar vídeo 4K HDR a 60 fps, mantendo uma qualidade superior à obtida através dos métodos tradicionais baseados em múltiplas exposições.
Outra vantagem é a menor sensibilidade ao efeito de cintilação provocado por algumas fontes de luz artificial, um problema que continua presente em muitos smartphones atuais.
Menos ruído em ambientes escuros
A Sony também introduziu novos circuitos Ultra High Conversion Gain.
De acordo com a fabricante japonesa, esta tecnologia permite reduzir o ruído aleatório em cerca de 30% face às gerações anteriores.
Na prática, isso deverá traduzir-se em fotografias noturnas mais limpas e com maior nível de detalhe, um dos cenários onde os smartphones continuam a enfrentar maiores desafios.
Quais serão os primeiros smartphones a receber o sensor?
O Lytia 910 é um sensor de 50MP com formato de 1/1.28 polegadas e pixels de 1.22 μm.
A produção em massa começa durante este verão, o que significa que os primeiros smartphones equipados com esta tecnologia deverão chegar ao mercado durante o último trimestre de 2026.
Os rumores apontam já para o futuro vivo X500 Pro Max como um dos primeiros candidatos a utilizar o novo sensor. Também existem indicações de que a Samsung está a trabalhar numa solução semelhante para a futura série Galaxy S27 Ultra.
A próxima grande batalha das câmaras será o alcance dinâmico
Durante anos, a indústria concentrou-se numa corrida aos megapíxeis. Depois veio a batalha do zoom. Agora parece estar a começar uma nova fase.
O alcance dinâmico está a tornar-se um dos fatores mais importantes para diferenciar os sensores topo de gama e o Lytia 910 mostra que a Sony quer liderar essa evolução.
Se os resultados reais corresponderem às promessas, este poderá tornar-se um dos sensores mais importantes dos próximos anos e uma das maiores evoluções da fotografia móvel desde a chegada dos sensores de 1 polegada.




