A União Europeia poderá estar prestes a apertar ainda mais o cerco aos fabricantes automóveis chineses. Depois de ter aplicado tarifas adicionais aos veículos 100% elétricos produzidos na China, Bruxelas prepara agora uma nova ofensiva que poderá atingir diretamente os híbridos plug-in (PHEV).
Segundo informações avançadas pelo jornal alemão Handelsblatt, citando fontes da indústria e responsáveis europeus, a Comissão Europeia está a estudar a aplicação de novas tarifas compensatórias aos híbridos plug-in importados da China.
A decisão poderá ser anunciada nas próximas semanas.
Uma brecha que beneficiou os fabricantes chineses
Desde outubro de 2024 que os veículos elétricos chineses enfrentam taxas adicionais para entrarem no mercado europeu.
Essas medidas surgiram após uma investigação da União Europeia concluir que vários fabricantes beneficiavam de apoios estatais considerados injustos e capazes de distorcer a concorrência.
No entanto, os híbridos plug-in ficaram de fora dessas sanções.
Na prática, isso criou uma oportunidade que vários fabricantes aproveitaram rapidamente.
Enquanto os elétricos passaram a enfrentar taxas que, em alguns casos, ultrapassam os 40%, os híbridos plug-in continuaram sujeitos apenas à tarifa de importação normal de 10%.

BYD foi uma das maiores beneficiadas
A mudança de estratégia tornou-se particularmente visível na BYD.
Em maio de 2026, a fabricante chinesa anunciou ter alcançado um marco histórico ao tornar-se a marca líder de híbridos plug-in na Alemanha.
Só nesse mês registou 4.290 novas matrículas de modelos PHEV.
Entre os destaques estiveram o BYD Atto 2 DM-i, que registou mais de 2.100 unidades vendidas, seguido pelo Seal U DM-i e pelo Seal 6 DM-i Touring.
A marca lançou recentemente também o Dolphin G DM-i, reforçando ainda mais a sua oferta híbrida na Europa.
Tarifas poderão aproximar-se das aplicadas aos elétricos
Atualmente, os fabricantes chineses enfrentam diferentes níveis de tarifas nos veículos elétricos.
A BYD suporta uma taxa adicional de 17%, que se soma aos 10% de tarifa base, elevando o total para 27%.
A Geely enfrenta uma taxa total de 28,8%.
Já a SAIC, proprietária da MG, é atualmente a mais penalizada, com uma carga total de 45,3%.
Caso Bruxelas avance com a nova medida, os híbridos plug-in poderão passar a enfrentar um cenário semelhante.
Mudança de posição da Comissão Europeia
O mais curioso é que ainda no início deste ano a Comissão Europeia negava publicamente qualquer intenção de aplicar tarifas aos híbridos chineses.
Mas o rápido crescimento das vendas destes modelos parece ter alterado a posição das autoridades europeias.
Segundo o Handelsblatt, uma investigação relacionada com subsídios estatais já estará em curso e os líderes dos Estados-membros discutiram o tema durante a mais recente cimeira europeia.
Até ao momento não foram divulgados detalhes sobre uma eventual votação ou sobre os valores concretos das futuras tarifas.

Dependência da China continua a preocupar Bruxelas
A questão dos automóveis não foi o único tema em debate.
Durante a reunião, os líderes europeus discutiram também a crescente dependência da União Europeia em relação à China em áreas consideradas estratégicas, incluindo matérias-primas críticas e terras raras.
Estas matérias são essenciais para a produção de baterias, motores elétricos e diversos componentes tecnológicos.
Por isso, a política comercial entre Bruxelas e Pequim continua a ser um dos temas mais sensíveis da atualidade.
Impacto poderá ser significativo
Se as novas tarifas forem confirmadas, os fabricantes chineses poderão perder uma das suas principais vantagens competitivas no mercado europeu.
Ao mesmo tempo, a medida poderá levar várias marcas a acelerar negociações para produzir localmente na Europa, evitando assim as taxas de importação.
Para os consumidores, o resultado poderá traduzir-se em preços mais elevados nos híbridos plug-in chineses, precisamente numa altura em que estes modelos estavam a ganhar popularidade graças à sua relação entre autonomia, eficiência e preço.
Agora resta esperar pela decisão final da Comissão Europeia, que poderá mudar novamente o equilíbrio do mercado automóvel europeu nos próximos meses.




