Passei as últimas semanas com o Oppo Watch X3 no pulso, praticamente sem o tirar. Não foi por acaso.
Estava a testar o Oppo Find X9 Ultra e a Oppo emprestou-me o relógio para completar a experiência do ecossistema. O que não esperava é que um smartwatch me fizesse parar para pensar seriamente na relação que tenho com o meu iPhone 17 Pro Max.
Explico tudo já a seguir, mas primeiro vamos ao relógio em si, porque há muito para contar.

Design e construção: titânio a sério
A primeira coisa que se nota ao tirar o Watch X3 da caixa é o peso, ou melhor, a falta dele. A Oppo trocou o alumínio e o aço inoxidável habituais por uma liga de titânio de grau aeroespacial, o que resulta num relógio robusto sem ser pesado no pulso.
Falamos de 43 gramas sem bracelete e 11 milímetros de espessura. Num dia de trabalho, com o relógio a fazer de segundo ecrã do telemóvel, isto nota-se.

O ecrã está protegido por cristal de safira, o que quer dizer que passei semanas a bater com o relógio em portas, mesas e no volante de vários carros que ando a testar, sem um único risco visível.
A versão que testei, em “Obsidian Black”, tem um bisel fixo com doze faces que lhe dá um ar mais técnico e menos redondo do que a média dos smartwatches Android.
Um pormenor que a Oppo acertou em cheio foi a coroa rotativa, colocada às 2 horas. O feedback háptico ao rodar é satisfatório e torna a navegação nos menus muito mais rápida do que estar a tocar no ecrã constantemente. Por baixo, há ainda um botão de acção personalizável, que configurei para abrir directamente o registo de treino.

Outro ponto a favor: braceletes standard de 22 milímetros com sistema de libertação rápida. Nada de acessórios proprietários caros, o que é raro neste segmento. A única limitação real é o tamanho único de 47 milímetros, que em pulsos mais finos pode parecer volumoso.
| Característica | Especificação |
|---|---|
| Material da caixa | Liga de titânio aeroespacial |
| Protecção do ecrã | Cristal de safira 2D |
| Dimensões | 47,4 x 47,4 x 11 mm |
| Peso | 43 gramas (sem bracelete) |
| Bracelete | Standard de 22 mm, intercambiável |
| Resistência | IP68 / IP69, 5 ATM, MIL-STD-810H |
Ecrã: brilho para todas as situações
O painel é LTPO AMOLED de 1,5 polegadas, com resolução de 466 x 466 píxeis. As cores são vivas, os pretos são profundos e a legibilidade é excelente, mesmo sem forçar a vista.
O que mais me impressionou foi o brilho. Em uso normal ronda os 600 nits, mas ao ar livre, sob sol direto de Verão, sobe até 1500 nits sem qualquer perda de legibilidade. Durante actividades desportivas específicas, a Oppo garante picos de 3000 nits, e nunca senti falta de visibilidade a correr ao meio-dia.
O ecrã sempre ligado funciona bem e sem falhas, ainda que, como seria de esperar, tenha impacto directo na autonomia. A resposta ao toque é imediata, mas confesso que acabei por usar a coroa na maior parte do tempo.

Software e desempenho: a arquitectura de dois cérebros
Aqui está o verdadeiro truque do Watch X3. A Oppo optou por uma arquitectura “Dual-Engine”, que junta um processador Qualcomm Snapdragon W5 Gen 1 a um chip de ultra-baixo consumo, o BES2800BP.
Na prática, isto significa que o relógio alterna sozinho entre os dois processadores consoante a tarefa. Quando estou a usar uma aplicação, a pagar com o Google Wallet ou a falar com o Gemini, é o Snapdragon que assume o controlo, com um desempenho rápido e sem esperas.
Em segundo plano, a monitorizar o batimento cardíaco, o sono, ou simplesmente a mostrar as horas, entra em acção o chip BES2800BP, que corre um sistema em tempo real muito mais eficiente do que o Wear OS completo.
O relógio corre Wear OS 6.0 com a camada ColorOS por cima, e a integração com o ecossistema Google é total: Play Store, Google Maps, Google Wallet e Gemini funcionam sem qualquer limitação, ao contrário de alguns concorrentes que bloqueiam funcionalidades a telemóveis da própria marca.
Os 2GB de RAM garantem que trocar entre aplicações é rápido, e os 32GB de armazenamento interno chegam perfeitamente para descarregar playlists do Spotify para os treinos, sem precisar de levar o telemóvel.
Saúde e desporto: sensores a sério
O conjunto de sensores é dos mais completos que já experimentei num smartwatch: monitor óptico de frequência cardíaca, oximetria de pulso, sensor de temperatura da pele e ECG.
Gostei particularmente da funcionalidade “Análise de Saúde em 60 segundos”. Basta colocar o dedo no botão inferior durante um minuto para o relógio cruzar dados de vários sensores e devolver um retrato rápido do estado geral, incluindo saúde vascular e níveis de stress.
Ao nível desportivo, há mais de 100 modos de treino disponíveis, dos clássicos como corrida e natação a modalidades mais nichadas como ténis ou esqui. O GPS de dupla frequência, L1 e L5, fixa o sinal em segundos e mantém-se preciso mesmo em zonas urbanas mais densas, algo que testei sistematicamente durante as deslocações a Lisboa.
Toda a informação fica centralizada na aplicação OHealth, limpa e directa, com sincronização fácil para Strava e Google Health Connect.
| Saúde e desporto | Detalhe |
|---|---|
| Monitorização cardíaca | Contínua, com alertas de anomalias |
| SpO2 | Medição pontual e contínua durante o sono |
| ECG | Suportado, sujeito a aprovação regional |
| GPS | Dupla frequência (L1 + L5) |
| Modos desportivos | Mais de 100 |
| Sincronização | OHealth, Strava, Google Health Connect |
Autonomia: aqui está o verdadeiro argumento de venda
Se há um ponto onde o Watch X3 deixa a concorrência para trás, é na bateria. Os relógios Wear OS sempre lutaram para passar de um ou dois dias de uso, e a Oppo resolveu isto com uma bateria de silício-carbono de 646 mAh combinada com a arquitectura Dual-Engine.
No modo inteligente, com tudo ligado, monitorização de saúde contínua, notificações activas e um treino diário com GPS, consegui facilmente 5 dias de autonomia. Mesmo com o ecrã sempre ligado activado, tive 4 dias completos sem precisar de carregador.

Para quem precisa de esticar ainda mais, o modo de poupança desliga o Wear OS por completo e entrega o controlo ao sistema em tempo real. O relógio continua a mostrar horas, a receber notificações básicas, a monitorizar sono e batimento cardíaco, e a registar treinos, prolongando a autonomia até 16 dias.
O carregamento acompanha este ritmo: 10 minutos na base dão energia para 24 horas de uso, e uma carga completa demora cerca de 60 minutos. A base usa uma porta USB-C fêmea, por isso qualquer cabo standard serve, o que é óptimo em viagem.
Porque é que isto me fez pensar no meu iPhone
Aqui chegamos ao ponto que mais me marcou nestas semanas de teste.
Usei um Apple Watch durante anos, sempre aliado ao meu iPhone, mas a questão da bateria colocou-me no caminho da Huawei posteriomente, que até agora é a rainha da autonomia. Nunca tinha questionado essa dependência, até colocar o Watch X3 lado a lado com o Find X9 Ultra durante duas semanas seguidas.
A diferença mais óbvia em relação ao Apple Watch é a autonomia, já no Huawei Watch GT, aqui é superior face ao Oppo. No entanto como passei por isso, trocar o Apple Watch de carregador todas as noites, sem excepção é muito chato (por isso voltei para a Huawei). Com o Watch X3, esqueci-me literalmente de que existia carregador durante quatro ou cinco dias seguidos.

Mas o que mais me fez pensar não foi a bateria, foi a liberdade. Com o Watch X3 emparelhado ao Find X9 Ultra, tive acesso à Play Store, ao Google Maps offline, ao Gemini e a pagamentos sem qualquer limitação artificial, exactamente como teria num Android qualquer. No ecossistema Apple, o Watch está preso ao iPhone de forma muito mais rígida, e isso sentia-se todos os dias. Já na Huawei falta-nos a facilidade de pagamento como temos no Oppo.
Não vou fingir que troco de telemóvel amanhã. O iPhone continua a ser a minha ferramenta de trabalho principal, e há integrações no ecossistema Apple às quais me habituei e que não quero perder. Mas o Watch X3 deixou-me claramente mais curioso sobre o que perco por ficar do lado fechado da equação, e isso, por si só, já diz muito sobre o trabalho que a Oppo fez aqui.

Veredicto final
O Oppo Watch X3 resolve o maior problema histórico do Wear OS: a autonomia. Junta isso a um design premium em titânio, um ecrã brilhante em qualquer condição e um desempenho sem falhas, e o resultado é um dos smartwatches mais completos que já testei.
O tamanho único de 47 milímetros pode afastar pulsos mais finos, e a ausência de monitor de pressão arterial deixa-o ligeiramente atrás de alguns rivais sul-coreanos em funcionalidades clínicas. São as únicas ressalvas que aponto.
Para quem quer um smartwatch elegante, robusto, com acesso total ao ecossistema Google e sem a ansiedade de carregar todas as noites, o Watch X3 é, sem margem para dúvidas, uma das melhores opções do mercado actual. E, no meu caso, foi também o empurrão que me fez olhar de outra forma para o que tenho no pulso e no bolso.











