Depois das primeiras impressões, há uma coisa que posso dizer com alguma certeza: o Huawei Watch GT 7 continua a convencer-me cada vez mais à medida que o utilizo. Não existe um relógio perfeito, e dificilmente haverá. Cada fabricante faz escolhas, dá prioridade a determinadas funcionalidades e acaba por deixar outras de lado. O que a Huawei tem feito com a sua gama GT, ano após ano, é algo que considero mais importante: tem refinado uma fórmula que já funcionava, corrigindo pequenos detalhes e tornando a experiência cada vez mais completa.
Este ano não foi diferente.
Podíamos passar esta análise inteira a falar das funcionalidades de desporto, dos mais de 110 modos de treino ou das novas possibilidades para modalidades como ciclismo e ski. E são, naturalmente, aspectos importantes. Mas, para mim, um relógio não se resume às métricas que consegue apresentar.

Quando temos um smartwatch no pulso todos os dias, há algo mais difícil de medir e que acaba por ser igualmente importante: o feeling que nos transmite. É perceber se é confortável, se o ecrã responde como esperamos, se as notificações chegam quando devem, se conseguimos atender uma chamada urgente durante um treino e, sobretudo, se a autonomia nos permite simplesmente utilizar o relógio sem estar constantemente a pensar no carregador.
É precisamente aqui que o Huawei Watch GT 7 me parece particularmente bem conseguido.
Do Apple Watch ao Huawei Watch GT 4
Esta questão da autonomia é ainda mais importante para mim porque já tive uma experiência bastante diferente com um smartwatch. Utilizei um Apple Watch e, apesar de reconhecer todas as qualidades do equipamento e da excelente integração que consegue proporcionar dentro do ecossistema Apple, acabei por o abandonar. O principal motivo foi a autonomia.
Ter de estar constantemente preocupado com a bateria acabou por ser uma limitação demasiado grande para a forma como eu queria utilizar um relógio.

Foi nessa altura que decidi dar uma oportunidade ao Huawei Watch GT 4. E posso dizê-lo hoje com alguma distância: foi uma das melhores decisões que tomei nos últimos anos relativamente à tecnologia que utilizo diariamente.
Isto não significa que o Apple Watch seja um relógio inferior. Não é. Dependendo daquilo que cada pessoa procura, continua a ser uma excelente opção. Mas, depois de nos habituarmos a utilizar um relógio durante vários dias sem preocupação, torna-se difícil voltar a uma experiência em que o carregamento passa a fazer parte da rotina.
É por isso que olho para o GT 7 de uma forma um pouco diferente. Não estou apenas a analisar uma lista de funcionalidades. Estou a perceber se a Huawei continua a entregar aquilo que me fez escolher a gama GT em primeiro lugar.
E a resposta, até agora, é sim.

Um design que funciona todos os dias
O Huawei Watch GT 7 não tenta parecer um computador no pulso. É claramente um smartwatch, mas mantém uma aparência suficientemente elegante para ser utilizado tanto durante uma corrida como num contexto mais formal.
Para mim, esta é uma das características mais importantes. Um relógio que só funciona visualmente num contexto desportivo acaba por limitar a sua utilização. O GT 7 consegue adaptar-se melhor ao dia a dia, também graças às diferentes combinações de cores e braceletes disponíveis.

Na versão de 46 mm, temos uma caixa com 46 x 46 x 10,95 mm e um peso de 51,3 gramas sem a bracelete. A versão de 41 mm é naturalmente mais compacta e destina-se a quem prefere um relógio menos volumoso.
O conforto também merece destaque. Depois de algum tempo, praticamente deixamos de dar importância ao facto de termos o relógio no pulso, que é exactamente aquilo que espero de um equipamento deste género.
A construção transmite qualidade e resistência, com vidro frontal e uma caixa pensada para utilização diária. O relógio conta ainda com resistência à água de 5 ATM e certificação IP69, o que oferece uma margem de segurança importante para treinos, chuva ou utilização quotidiana.
Um dos melhores ecrãs que podemos encontrar num smartwatch
O ecrã AMOLED é outro dos pontos fortes.
Na versão de 46 mm encontramos um painel de 1,47 polegadas, com resolução de 466 x 466 píxeis, 317 ppi e uma luminosidade máxima anunciada de 3000 nits.
Na prática, estes números traduzem-se numa excelente experiência de utilização. A definição é elevada, as cores são fortes e o contraste ajuda a consultar informação rapidamente. Mesmo no exterior, a leitura mantém-se bastante confortável.

E esta é uma daquelas situações em que uma especificação tem realmente impacto na utilização. Não quero levantar o pulso e ter de procurar a informação no ecrã. Quero olhar durante um segundo e perceber imediatamente o que está a acontecer.
A navegação também é rápida e intuitiva, com boa resposta ao toque e a possibilidade de utilizar a coroa rotativa para percorrer menus e informação.
HarmonyOS é parte importante da experiência
Há outra peça que não podemos esquecer: o software.
A Huawei tem vindo a trabalhar bastante no HarmonyOS e isso nota-se na experiência. Os menus são rápidos, a navegação é simples e a interface não parece estar constantemente a lutar contra o hardware.

Mais importante ainda, software e hardware parecem estar bastante bem equilibrados.
Isto é particularmente relevante quando falamos de autonomia. Não basta colocar uma bateria grande num relógio. É necessário que todo o sistema seja eficiente e que consiga gerir sensores, ecrã, notificações, GPS e restantes funcionalidades sem consumir energia de forma desnecessária.
E aqui chegamos novamente àquilo que, para mim, continua a ser uma das grandes vantagens do GT 7.
A bateria continua a ser a grande diferença
No Huawei Watch GT 7 de 46 mm, a autonomia anunciada chega aos 21 dias em utilização ligeira, 12 dias em utilização típica e 7 dias com o Always-On Display activado. Na versão de 41 mm, os valores descem para 14 dias em utilização ligeira, 7 dias em utilização típica e 5 dias com AOD.
Naturalmente, estes valores dependem da utilização. GPS, chamadas, treinos frequentes, monitorização contínua e ecrã ligado vão influenciar a autonomia real.

Mas nem é necessário aproximarmo-nos dos valores máximos anunciados para perceber a vantagem.
Para mim, a grande diferença está em não pensar diariamente na bateria.
Posso sair de casa, fazer exercício, receber notificações, acompanhar o sono e utilizar o relógio durante vários dias sem estar constantemente a pensar quando será necessário carregá-lo. E se for preciso colocá-lo a carregar enquanto tomo banho, também não existe qualquer problema.
É uma coisa simples, mas muda completamente a relação que temos com um smartwatch.
Saúde: mais importante do que simplesmente contar passos
A componente de saúde também foi reforçada. O Watch GT 7 acompanha indicadores relacionados com frequência cardíaca, sono, actividade e outros parâmetros que permitem construir uma visão mais completa do nosso estado físico.
O Health Insights é particularmente interessante porque tenta transformar estes dados em informação mais fácil de interpretar. Depois de uma noite de sono, o relógio pode apresentar um resumo matinal da actividade e do estado de saúde, enquanto a análise acumulada ao longo de vários dias permite obter uma leitura da preparação física.

Depois de sete noites consecutivas com pelo menos três horas de sono por noite, o sistema consegue utilizar dados como HRV, frequência cardíaca e temperatura da pele para calcular essa preparação.
É uma abordagem que considero mais interessante do que simplesmente apresentar dezenas de números.
O verdadeiro valor está em perceber tendências. Dormimos pior? Estamos mais cansados? Recuperámos bem de um treino? Estamos preparados para voltar a treinar?
Naturalmente, estes dados devem ser encarados como indicadores de bem-estar e não como diagnóstico médico.
O desporto está melhor, mas não é tudo
É impossível ignorar o investimento da Huawei no desporto. O GT 7 suporta mais de 110 modos de treino e existem melhorias particularmente interessantes para quem pratica determinadas modalidades.
No ciclismo, por exemplo, podemos importar rotas, acompanhar subidas e descidas e consultar dados como inclinação média, elevação acumulada e distância restante.
No ski, a experiência é ainda mais específica, com informação sobre velocidade, distância, inclinação e curvas, além de mapas de mais de 3000 estâncias de ski.

São funcionalidades que fazem realmente diferença para quem pratica estas modalidades.
Mas não considero que seja necessário ser um atleta para tirar partido do GT 7. Para a maioria dos utilizadores, a vantagem está simplesmente em ter um acompanhamento mais completo da actividade física, do sono e da recuperação.
E gosto mais desta abordagem. O relógio está preparado para quem quer levar o treino mais a sério, mas não obriga o utilizador comum a fazê-lo.
Notificações, chamadas e pequenos detalhes
Há ainda pequenas funcionalidades que acabam por fazer diferença quando utilizamos o relógio todos os dias.
As notificações são um bom exemplo. Não parecem uma funcionalidade particularmente impressionante numa ficha técnica, mas quando chegam de forma consistente tornam-se uma das funções que mais utilizamos.

O mesmo acontece com as chamadas. O GT 7 tem microfone e altifalante integrados e permite atender chamadas através do relógio. Não será a forma mais natural de manter uma conversa longa, mas é extremamente útil quando estamos ocupados ou durante um treino e surge uma chamada que não podemos ignorar.
Também temos pagamentos contactless através do Curve Pay, disponível em Portugal. Depois da configuração, podemos utilizar o relógio para efectuar pagamentos sem retirar o smartphone do bolso.
Mais uma vez, não compraria o relógio apenas por esta funcionalidade. Mas é mais uma daquelas pequenas coisas que tornam a experiência diária mais completa.
Vale a pena comprar o Huawei Watch GT 7?
E chegamos à pergunta inevitável.
Se têm um Huawei Watch GT da geração imediatamente anterior, provavelmente não precisam de trocar. O GT 7 é uma evolução e não uma revolução, pelo que não existe uma razão absoluta para abandonar um equipamento recente e perfeitamente funcional.

Agora, se vêm de um Watch GT 4, a conversa já é diferente.
É precisamente aqui que encontro mais interesse nesta nova geração. Temos uma evolução no software, melhorias na monitorização de saúde, novas funcionalidades desportivas, uma experiência mais refinada e todos aqueles pequenos detalhes que, isoladamente, podem não justificar uma mudança, mas que em conjunto tornam o relógio melhor.
E esta é, provavelmente, a forma mais justa de descrever o GT 7: é um refinamento muito bem conseguido.
Não precisamos de uma revolução todos os anos.
Huawei Watch GT 7: a minha opinião
Depois de utilizar o Huawei Watch GT 7, continuo cada vez mais convencido da filosofia da Huawei para esta gama.
Não existe um relógio perfeito. Há quem prefira um Apple Watch pela integração com o ecossistema, quem procure um Garmin pelas funcionalidades de treino ou quem simplesmente queira algo mais barato.

Mas a Huawei encontrou uma fórmula que, pessoalmente, funciona muito bem para mim.
Autonomia, conforto, um excelente ecrã, notificações que não falham, chamadas suficientemente claras para situações urgentes, monitorização de saúde e um sistema operativo rápido e fluido. No final do dia, são estes aspectos que mais valorizo.
As métricas de desporto são importantes, claro. As novas funcionalidades são interessantes. O GPS de dupla frequência, a resistência à água, os diferentes sensores e todas as possibilidades de monitorização mostram que estamos perante um smartwatch bastante completo.

Mas não é isso que me faz gostar do GT 7.
O que me faz gostar dele é poder colocá-lo no pulso de manhã e simplesmente não ter de pensar nele durante o resto do dia.
Depois da experiência que tive com o Apple Watch e, posteriormente, da mudança para o GT4, esta continua a ser uma das maiores vantagens que encontro num smartwatch Huawei.
Por isso, a minha recomendação é simples: se têm um GT4 ou um relógio mais antigo, o salto para o Huawei Watch GT 7 é interessante e dificilmente ficarão desiludidos. Se têm o GT6, a troca já é muito menos necessária.
No meu caso, continuo a considerar esta nova geração mais uma aposta ganha da Huawei.

Pontos fortes
- Excelente autonomia;
- Ecrã AMOLED de grande qualidade;
- Até 3000 nits de luminosidade máxima;
- Design elegante e confortável;
- HarmonyOS rápido e fluido;
- Monitorização de saúde completa;
- Mais de 110 modos de treino;
- GPS de dupla frequência;
- Chamadas Bluetooth;
- Curve Pay disponível em Portugal.
Pontos menos fortes
- Evolução relativamente pequena face à geração anterior;
- Ecossistema de aplicações menos abrangente do que algumas alternativas;
- Algumas funcionalidades avançadas ficam reservadas ao GT 7 Pro.




