A Samsung decidiu apostar forte no mercado da robótica e formalizou a criação de uma divisão inteiramente dedicada ao tema. A Samsung RX, como foi batizada, vai desenvolver tecnologias robóticas avançadas e comercializar robots especializados e multifunções tanto para empresas como para consumidores finais.
A nova unidade funciona sob o nome oficial de RX Business Promotion Office e reporta diretamente a TM Roh, CEO da Samsung DX. Trata-se de um movimento que coloca a robótica ao nível das prioridades estratégicas da gigante sul-coreana.
Quem lidera a Samsung RX
À frente da operação está Lee Dongkun, vice-presidente da equipa de planeamento da Samsung Electronics e responsável pela estratégia de robótica da empresa. O currículo de Lee inclui uma passagem pela Hyundai Motor Group, onde liderou precisamente a área de estratégia robótica incluindo o trabalho com a Boston Dynamics, subsidiária do grupo automóvel.
A escolha não é casual: quem conhece o historial da Boston Dynamics sabe que a empresa esteve na vanguarda do desenvolvimento de robots humanoides e quadrúpedes, e a experiência de Lee nesse ecossistema pode acelerar os planos da Samsung para entrar no segmento dos robots avançados.

Reforço académico de peso
Para além de Lee Dongkun, a Samsung RX está a integrar investigadores de topo. Hyun-Jin Kim, professor da Universidade Nacional de Seul e reconhecido internacionalmente na área da robótica, junta-se à equipa. O mesmo acontece com Eui-Kyum Kim, da Universidade Ajou, especialista em mãos robóticas e manipulação uma das áreas mais complexas e críticas para robots que precisam de interagir com objetos do mundo real.
Este reforço de talento académico sugere que a Samsung quer ir muito além de robots industriais básicos. A manipulação fina e a inteligência robótica avançada exigem investigação de ponta, e trazer académicos de renome para dentro da empresa é uma forma de encurtar o caminho entre laboratório e produto comercial.
Centros de desenvolvimento em vários países
O campus de I&D da Samsung em Umyeon-dong, Seul, foi escolhido como quartel-general do desenvolvimento robótico. A empresa vai concentrar ali funcionários de várias divisões que já têm experiência na área. Mas a estratégia não fica por solo coreano: estão planeados centros de investigação e desenvolvimento na China, no Japão e nos Estados Unidos, para aproveitar o talento local e os ecossistemas de robótica de cada região.
Robots humanoides são uma das grandes apostas para este ano. A Samsung quer demonstrar progressos substanciais nesse segmento já em 2026, um sinal de que a pressão para mostrar resultados é alta.
Da fábrica para o mercado
A estratégia de comercialização é faseada. Primeiro, a Samsung vai desenvolver e testar robots de fabrico e logística nas suas próprias instalações. A fábrica de Gumi, na Coreia do Sul, vai servir de «data factory» um espaço onde os robots recolhem dados críticos para o aperfeiçoamento dos algoritmos de inteligência artificial que os controlam.
Só depois de validar as tecnologias internamente é que a empresa planeia vender esses robots a outras empresas no mercado B2B. Numa fase posterior, a Samsung RX quer desenvolver robots para retalho e uso doméstico um mercado ainda em construção, mas com potencial enorme.
Aquisições e investimentos na mesa
A Samsung deixou claro que está disposta a fazer aquisições ou investimentos para acelerar o desenvolvimento da Samsung RX e a comercialização das suas tecnologias. Esta abertura pode significar compras de startups especializadas ou parcerias estratégicas com empresas que já têm produtos no mercado.
Vale a pena recordar que a Samsung já tinha apresentado o GEMS (Gait Enhancing & Motivating System), um exoesqueleto robótico vestível pensado para ajudar idosos e pessoas com dificuldades de mobilidade. O dispositivo foi mostrado na CES 2020, com lançamento previsto para 2022, mas nunca chegou ao mercado. Agora, é provável que esses esforços sejam canalizados para a Samsung RX e ganhem nova vida dentro da estrutura dedicada.
Com esta divisão, a Samsung junta-se à corrida global pela robótica avançada um mercado que mistura inteligência artificial, sensores de última geração e mecânica de precisão, e que promete transformar tanto a indústria como a vida quotidiana nos próximos anos.
Via: SamMobile




