O mercado de produtos recondicionados já deixou de ser uma tendência de nicho para se tornar uma opção real para muitos consumidores em Portugal. Segundo um novo estudo do Observador Cetelem, cerca de 66% dos portugueses já compraram produtos em segunda mão, com a tecnologia a liderar claramente as preferências.
Este crescimento não acontece por acaso. Com os preços dos equipamentos novos a subir de forma consistente, os recondicionados começam a surgir como uma alternativa mais equilibrada entre custo e desempenho. Ainda assim, há um fator que continua a ser decisivo: o preço.
Desconto mínimo de 30% continua a ser a regra
Apesar da crescente aceitação, os consumidores portugueses continuam exigentes. Mais de metade dos inquiridos, cerca de 53%, só considera comprar um produto recondicionado se este tiver pelo menos 30% de desconto face ao equivalente novo.
Isto mostra que, embora haja abertura para este tipo de produtos, a perceção de valor ainda está diretamente ligada ao preço. Não basta ser mais barato, tem de ser significativamente mais barato.
Curiosamente, quando o preço é semelhante, 33% dos consumidores preferem optar por um produto recondicionado de gama superior, em vez de escolher um novo de gama inferior. Isto indica que o consumidor está cada vez mais atento ao equilíbrio entre qualidade e preço.
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Tecnologia domina as escolhas
Quando se olha para os tipos de produtos mais procurados, não há grandes surpresas. A tecnologia lidera destacadamente, representando 45% das compras de produtos recondicionados, com smartphones e computadores no topo da lista.
Este dado reforça uma tendência que já se vinha a notar. Equipamentos tecnológicos, especialmente aqueles com preços elevados em estado novo, são os primeiros a beneficiar desta alternativa.
E não parece ser algo passageiro. Entre os consumidores que planeiam comprar novamente produtos recondicionados, a tecnologia continua a liderar com 51% das preferências, o que mostra que este segmento vai continuar a crescer.
O mercado ainda tem muito espaço para crescer
Apesar de já ter uma base sólida, o mercado de recondicionados em Portugal ainda tem margem para crescer. Cerca de 89% dos inquiridos admitem considerar este tipo de compra no futuro, o que indica um potencial significativo nos próximos anos.
Além disso, 62% acreditam que este mercado vai crescer nos próximos 5 anos, impulsionado principalmente por preços mais acessíveis, mudanças nos hábitos de consumo e melhorias nas garantias e assistência técnica.
No fundo, há uma perceção clara de que os recondicionados não são apenas uma solução temporária, mas uma alternativa cada vez mais válida.
Confiança ainda é o maior obstáculo
Se há algo que continua a travar este mercado, é a confiança. Entre os 34% de portugueses que ainda não compraram produtos recondicionados, a principal razão é a desconfiança na qualidade e durabilidade, apontada por 31% dos inquiridos.
A isto junta-se o receio de avarias ou mau funcionamento, referido por 29%, e a falta de garantias claras, mencionada por 23%. São fatores que mostram que, apesar da evolução, ainda há trabalho a fazer na forma como estes produtos são apresentados ao consumidor.

Garantias e transparência fazem toda a diferença
O estudo revela também que os consumidores valorizam cada vez mais a segurança na compra. Cerca de 41% consideram importante uma garantia superior a um ano, enquanto 40% dão prioridade à possibilidade de devolução ou troca.
Outro ponto relevante é a exigência de transparência. 39% dos inquiridos valorizam que o produto seja entregue testado e acompanhado de um relatório de qualidade, algo que pode ajudar a reduzir a desconfiança.
Estes detalhes mostram que o mercado não depende apenas do preço. Depende também da confiança que consegue transmitir.
Onde compram os portugueses
No que toca ao canal de compra, há uma preferência clara por soluções mais profissionais. Cerca de 60% dos consumidores optam por lojas especializadas em recondicionados, enquanto 34% preferem grandes superfícies e 29% recorrem a plataformas online especializadas.
Apenas 15% dizem sentir-se confortáveis a comprar diretamente a particulares, o que reforça a importância da confiança e da garantia neste tipo de produto.
No final, preço atrai… mas confiança decide
O estudo deixa uma conclusão bastante clara. O preço continua a ser o principal fator de atração, mas não é suficiente por si só. Para que o mercado de recondicionados continue a crescer, é essencial reforçar a confiança, melhorar garantias e garantir transparência.
A tecnologia vai continuar a liderar este segmento, especialmente num contexto onde os preços dos equipamentos novos continuam elevados. E para muitos utilizadores, os recondicionados já deixaram de ser uma alternativa… para passar a ser a primeira escolha.
Se a experiência continuar a melhorar, este pode tornar-se um dos segmentos mais relevantes do mercado tecnológico nos próximos anos.


