O debate entre formatos físicos e digitais nos videojogos continua aceso, e uma voz importante juntou-se à conversa. Dan Houser, co-fundador da Rockstar Games e figura central na criação da série Grand Theft Auto, deixou claro numa entrevista recente que as empresas deveriam responder ao que os jogadores pedem e isso inclui manter as edições físicas disponíveis quando existe procura real.
As declarações aconteceram durante a Comic-Con de San Diego, em 2026, num momento em que Houser falava sobre os projetos da Absurd Ventures, a empresa onde trabalha atualmente. A questão do formato físico versus digital entrou na conversa de forma natural, e a posição dele foi clara.
A opinião de quem criou GTA sobre formatos de jogos
Quando questionado pela IGN sobre a sua preferência pessoal, Houser admitiu não ter uma posição particularmente forte. A capacidade de atualizar e corrigir problemas que o digital permite tem sido, na sua opinião, extremamente útil para melhorar a qualidade dos jogos ao longo do tempo. Isto não o impede, porém, de reconhecer o valor sentimental e prático do físico.
“Adoro os suportes físicos”, disse simplesmente, antes de acrescentar um ponto importante: se os jogadores querem esse formato, as empresas têm a responsabilidade de o disponibilizar. Não se trata tanto das suas preferências individuais, mas sim de escutar o mercado e os consumidores que ainda procuram ter a caixa na mão.

Entre a nostalgia e a praticidade moderna
A conversa contou ainda com a participação de um antigo colaborador de Houser, alguém que trabalhou na Rockstar como personalidade das rádios dos jogos e que agora também integra a Absurd Ventures. O seu contributo trouxe uma perspetiva equilibrada: há qualquer coisa de especial em receber uma cópia física e colocar o disco na consola, mas também é inegável a conveniência de estar no aeroporto e poder descarregar rapidamente alguns jogos para a Steam Deck antes de um voo de 12 horas.
Esta dualidade reflete-se até noutros formatos criativos. Depois de anos a trabalhar em projetos digitais, a experiência de criar uma banda desenhada física algo tangível que se pode segurar revelou-se particularmente gratificante para a equipa, segundo relatou.
O futuro próximo e o caso GTA VI
A questão ganha ainda mais relevância quando olhamos para o que está no horizonte. A indústria caminha de forma gradual mas firme para um domínio quase total do digital, e até um dos títulos mais aguardados dos últimos anos pode ilustrar essa mudança. GTA VI, marcado para 19 de novembro de 2026, deverá chegar às lojas em formato físico mas a caixa conterá apenas um código de download, não um disco propriamente dito.
Este modelo híbrido mostra bem a tensão atual do mercado: manter a presença física nas prateleiras, mas sem o custo de produção e distribuição de discos. Para quem valoriza colecionar jogos ou simplesmente prefere ter algo concreto pela compra, a solução pode parecer insatisfatória.
Criadores que ainda defendem o físico
Houser não está sozinho entre os criadores de referência da indústria. Figuras como Hideo Kojima e Yoko Taro também já expressaram publicamente o valor que atribuem às edições físicas, tanto do ponto de vista criativo como da preservação do trabalho ao longo do tempo.
Enquanto o digital trouxe inegáveis vantagens atualizações constantes, correções rápidas de bugs, ausência de stock esgotado também criou novos problemas. As restrições de DRM tornaram-se um incómodo para muitos jogadores, e a questão da propriedade real do jogo comprado permanece uma preocupação legítima.
No fundo, a mensagem de Houser parece simples: não se trata de travar a evolução tecnológica, mas sim de garantir que quem quer continuar a ter acesso ao formato tradicional não fica esquecido no processo. Se há procura, há razão para oferecer.
Via: Notebookcheck




