Xiaomi continua a crescer… e já não é só pelos smartphones

Xiaomi vendeu 165,2 milhões de smartphones em 2025 e já entregou 411 mil carros. Marca aposta forte no segmento premium.

A Xiaomi divulgou os resultados financeiros de 2025 e há um detalhe que salta imediatamente à vista. A empresa continua a crescer no mercado de smartphones, mas já não depende apenas disso. A aposta em carros elétricos e no ecossistema está claramente a começar a dar frutos.

No total, a marca enviou 165,2 milhões de smartphones ao longo do ano, garantindo uma quota global de 13,3% e mantendo-se no top 3 mundial pelo quinto ano consecutivo. É um resultado sólido, mas o mais interessante está na forma como esse crescimento está a acontecer.

Menos foco no barato, mais foco no premium

Durante muito tempo, a Xiaomi foi vista como uma marca focada em preço baixo. Mas essa imagem está a mudar. Cada vez mais.

Segundo os dados, 27,1% dos smartphones vendidos já pertencem a segmentos acima dos 3000 yuan, cerca de 400€. É um novo recorde para a marca e mostra uma mudança clara na estratégia.

Mais interessante ainda é o crescimento no segmento entre 4000 e 6000 yuan, onde os modelos mais premium já representam 17,3% das vendas. Ou seja, a Xiaomi não quer apenas vender mais. Quer vender melhor.

E isso tem impacto direto na margem e na forma como a marca é percecionada.

China continua a ser essencial

No mercado chinês, a Xiaomi ocupa atualmente a segunda posição, com 16,6% de quota, registando um crescimento significativo face ao ano anterior. Isto é particularmente relevante tendo em conta a forte concorrência local, com marcas como Huawei, Oppo e Vivo a disputarem o mesmo espaço.

Este crescimento mostra que a Xiaomi está a conseguir recuperar terreno num dos mercados mais exigentes do mundo, algo que nem sempre foi garantido nos últimos anos.

Europa e mercados emergentes continuam fortes

A nível global, a Xiaomi mantém uma presença sólida em várias regiões. Na Europa, ocupa o terceiro lugar com 20,3% de quota, enquanto em África também se posiciona em terceiro com 12,7%.

Mas é na América Latina e no Sudeste Asiático que a marca mais tem crescido, atingindo o segundo lugar em ambas as regiões, com quotas de 17,5% e 17,0%, respetivamente.

Isto mostra que a estratégia global continua a funcionar, especialmente em mercados onde o equilíbrio entre preço e desempenho é determinante.

Ecossistema continua a expandir

Para além dos smartphones, a Xiaomi continua a reforçar o seu ecossistema. Os tablets já estão no top 5 global e no top 3 na China, enquanto os wearables lideram a nível mundial e ocupam o segundo lugar no mercado chinês.

Os earbuds seguem uma tendência semelhante, com o segundo lugar global e liderança na China. Tudo isto contribui para um ecossistema cada vez mais completo, que ajuda a fidelizar utilizadores.

No total, a empresa já conta com mais de 750 milhões de utilizadores ativos mensais nos seus serviços, um número que continua a crescer.

IoT e serviços também ganham peso

O segmento de Internet of Things e serviços gerou receitas de 123,2 mil milhões de yuan, um crescimento de 18,3% face ao ano anterior. Este aumento mostra que a Xiaomi não está apenas a vender hardware, mas também a construir uma base sólida de serviços.

A margem bruta deste segmento também aumentou, o que indica uma melhoria na rentabilidade.

Além disso, os eletrodomésticos continuam a crescer, com aumentos significativos nas vendas de produtos como ar condicionado, frigoríficos e máquinas de lavar.

Carros elétricos são a grande surpresa

Mas o verdadeiro destaque vai para o setor automóvel. A Xiaomi entregou 411.082 veículos em 2025, um número impressionante para uma marca que entrou neste mercado há relativamente pouco tempo.

As receitas deste segmento atingiram 106,1 mil milhões de yuan, mais do que duplicando face ao ano anterior. E há um detalhe ainda mais relevante: a divisão automóvel já registou lucro, algo que nem todas as marcas conseguem alcançar tão rapidamente.

O Xiaomi SU7 destacou-se como um dos sedans mais vendidos na China dentro do seu segmento de preço, enquanto a série YU7 liderou nas vendas de SUVs médios e grandes durante vários meses consecutivos.

2026 pode ser ainda mais ambicioso

Para 2026, a Xiaomi prevê entregar cerca de 550.000 veículos, o que mostra que a ambição no setor automóvel está longe de abrandar.

Se este ritmo continuar, a marca pode tornar-se rapidamente um dos nomes mais relevantes na indústria dos carros elétricos, algo que poucos teriam previsto há alguns anos.

No final, a Xiaomi já não é só uma marca de smartphones

O relatório de 2025 deixa uma mensagem clara. A Xiaomi está a transformar-se numa empresa muito mais ampla, com presença forte em várias áreas.

Os smartphones continuam a ser importantes, mas já não são o único pilar. O crescimento no premium, a expansão do ecossistema e o sucesso no setor automóvel mostram uma marca em plena evolução.

E olhando para o que aí vem, tudo indica que o melhor ainda pode estar por vir.

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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