A Xiaomi confirmou oficialmente aquilo que já se previa há algum tempo: o MIUI chegou ao fim. O sistema que acompanhou a marca desde o início deixa de receber qualquer tipo de atualização, marcando o encerramento de um dos capítulos mais importantes da história do Android.
Os últimos dispositivos ainda ativos com MIUI, o Redmi A2 e o Redmi A2+, receberam a sua atualização final em dezembro de 2025 e entraram oficialmente em fim de vida a 24 de março de 2026. Com isso, desaparece também o último vestígio ativo de uma interface que chegou a ter mais de 500 milhões de utilizadores mensais em todo o mundo.
O sistema que veio antes dos smartphones
Curiosamente, o MIUI não nasceu com a Xiaomi enquanto fabricante de smartphones. Foi, na verdade, o primeiro produto da empresa, lançado em 2010 como uma ROM baseada em Android 2.2, numa altura em que a marca ainda nem sequer tinha um telemóvel no mercado.
Desde cedo ganhou popularidade graças à sua abordagem diferente. Enquanto outras interfaces seguiam uma linha mais próxima do Android puro, o MIUI apostava em personalização, funcionalidades adicionais e uma forte ligação à comunidade. Atualizações semanais, suporte para modding e uma grande flexibilidade ajudaram a criar uma base de utilizadores bastante fiel.
Foi esse sucesso inicial que acabou por impulsionar a Xiaomi a entrar no mercado de hardware, criando um ecossistema que cresceu de forma impressionante ao longo dos anos.

Uma interface que marcou uma geração
O MIUI não era apenas mais uma skin de Android. Introduziu várias funcionalidades que mais tarde se tornaram comuns no sistema, como Second Space, Dual Apps, App Lock ou gravação de chamadas integrada. Além disso, trouxe uma das primeiras experiências completas de temas, permitindo alterar praticamente todos os elementos visuais do sistema.
Ao longo dos anos, foi evoluindo e adaptando-se às tendências, mantendo sempre uma identidade própria. O crescimento foi evidente. Passou de 100 milhões de utilizadores em 2015 para mais de 500 milhões em 2021, tornando-se uma das interfaces mais utilizadas no mundo.
Durante muito tempo, foi também um dos principais motivos para muitos utilizadores escolherem um smartphone Xiaomi.
Porque é que a Xiaomi decidiu terminar o MIUI
Apesar do sucesso, a Xiaomi acabou por chegar a um ponto onde o MIUI já não era suficiente para suportar a ambição da marca. O problema não estava apenas no sistema em si, mas na fragmentação do ecossistema.
A empresa passou a ter centenas de produtos diferentes, desde smartphones a dispositivos de casa inteligente e até carros elétricos. Gerir tudo isto com bases de software diferentes começou a tornar-se um desafio cada vez maior.
Foi aqui que nasceu o HyperOS. O desenvolvimento começou de forma discreta ainda em 2014, com investigação mais aprofundada a partir de 2017. O objetivo era criar um sistema capaz de ligar todos os dispositivos da marca de forma integrada.
HyperOS não substitui apenas o MIUI, muda a estratégia
O HyperOS não é apenas uma evolução do MIUI. É uma mudança completa na forma como a Xiaomi encara o software. Baseado numa combinação de Android com o sistema próprio Vela IoT, o HyperOS assenta num kernel Linux e foi desenhado para funcionar em vários tipos de dispositivos.
A ideia é simples, mas ambiciosa. Criar um ecossistema onde tudo comunica de forma natural, desde o smartphone até ao carro ou à casa inteligente. É aqui que entra o conceito de “Human x Car x Home”, que a Xiaomi tem vindo a destacar nos últimos anos.
Funcionalidades como o HyperConnect permitem, por exemplo, que um smartphone interaja diretamente com outros dispositivos, partilhe funções ou aceda a serviços de forma integrada, sem depender de múltiplas apps isoladas.

Mais leve, mais rápido e mais consistente
Além da integração, o HyperOS também promete melhorias ao nível do desempenho e eficiência. O sistema ocupa menos espaço, gere melhor os recursos e oferece uma experiência mais consistente entre diferentes dispositivos.
Ao mesmo tempo, mantém muitos dos elementos visuais que tornaram o MIUI reconhecível, o que ajuda a tornar a transição mais natural para os utilizadores.
Ou seja, não é uma rutura total, mas sim uma evolução com uma base completamente diferente.
O fim do MIUI era inevitável
O desaparecimento do MIUI pode gerar alguma nostalgia, especialmente para quem acompanhou a evolução da Xiaomi desde o início. No entanto, olhando para a estratégia atual da marca, esta mudança era praticamente inevitável.
O mercado mudou, as necessidades também, e a Xiaomi deixou de ser apenas uma fabricante de smartphones. Hoje é um ecossistema completo, e precisava de um sistema operativo à altura dessa ambição.
No final, fecha-se um ciclo… e abre-se outro
O MIUI marcou uma geração e ajudou a definir a identidade da Xiaomi durante mais de uma década. Foi mais do que uma interface. Foi a base sobre a qual a marca construiu o seu crescimento.
Agora, com o HyperOS, a Xiaomi entra numa nova fase. Mais integrada, mais focada no ecossistema e com objetivos ainda mais ambiciosos.
Para os utilizadores, a mudança já está em andamento. Para a história do Android, fica o legado de um dos sistemas mais influentes dos últimos anos.



