Próximas memórias LPDDR6 serão muito superiores à atuais

A fabricante chinesa CXMT conclui fase crítica de validação das memórias LPDDR6, que prometem melhorias significativas em eficiência energética face às LPDDR5X. Avanço coloca empresa mais perto da produção em larga escala.

A chinesa CXMT fechou a fase de validação de I&D das suas memórias LPDDR6, um passo decisivo que a coloca mais próxima da produção em larga escala. Este avanço representa um salto importante para uma empresa que tem vindo a ganhar terreno no mercado global de chips de memória, especialmente numa altura em que a concorrência com gigantes como a SK Hynix se intensifica.

O processo de desenvolvimento das LPDDR6 na CXMT está dividido em quatro etapas principais: validação de chips individuais, validação de I&D, testes em pequenos lotes e, finalmente, a produção em massa. A conclusão da segunda fase significa que os chips já passaram por verificações de compatibilidade, testes de estabilidade do sistema, análises de desempenho, fiabilidade mecânica e consumo energético.

Especificações técnicas das LPDDR6

As novas memórias chegam com uma velocidade de design de 12800 Mbps, enquanto a velocidade operacional base quando ligadas a qualquer SoC fica nos 10667 Mbps. Cada die tem uma densidade de 16 GB, e a capacidade total do chip também atinge os 16 GB, numa configuração PoP (package-on-package) de 1295 pinos.

O grande trunfo das LPDDR6 face às LPDDR5X está nas melhorias ao nível do design de baixo consumo e no RAS (Reliability, Availability, and Serviceability). Estes avanços são cruciais para dispositivos móveis e outros equipamentos onde a autonomia e a estabilidade são prioridades absolutas, algo que se torna cada vez mais relevante à medida que smartphones e tablets europeus adoptam processadores mais exigentes.

lpddr6

Trajetória recente da CXMT

A fabricante chinesa tem acelerado o desenvolvimento das suas famílias de memória nos últimos anos. No final de 2023, a CXMT apresentou a série LPDDR5, equipada com dies de 12 GB e taxas de transferência de dados de 6400 Mbps por die. Já em 2025, chegou a vez das LPDDR5X, disponíveis em configurações de 12 GB e 16 GB.

Comparadas com as LPDDR5, as LPDDR5X trouxeram um aumento de 66% na taxa de transferência máxima atingindo os mesmos 10667 Mbps que agora servem de base operacional para as LPDDR6 e uma redução adicional de 30% no consumo de energia. Este historial mostra que a empresa não está apenas a seguir o ritmo da indústria, mas a tentar encurtar distâncias face aos líderes.

Posição no mercado global

Actualmente, a CXMT detém 7,67% da quota de mercado mundial de memórias, um número que pode parecer modesto mas que reflecte um crescimento sustentado. As projecções apontam para que essa fatia possa subir para 18% até ao final de 2028, sobretudo se a estreia das LPDDR6 decorrer conforme planeado.

Para a Europa, este avanço tem um duplo significado. Por um lado, representa mais concorrência num setor dominado por um punhado de fabricantes, o que pode pressionar preços e acelerar a inovação. Por outro, levanta questões sobre dependência tecnológica e cadeia de abastecimento temas que têm estado no centro das discussões da União Europeia sobre soberania digital e industrial, especialmente após as dificuldades de fornecimento de semicondutores nos últimos anos.

A corrida entre a CXMT e a sul-coreana SK Hynix promete intensificar-se à medida que ambas se preparam para colocar as suas soluções LPDDR6 no mercado. A capacidade de produção em massa será o teste final para perceber se a chinesa consegue consolidar a posição que tem vindo a construir e se os fabricantes de smartphones e tablets europeus terão mais alternativas na hora de escolher fornecedores de memória para os seus dispositivos.

Via: Huawei Central

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Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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