
Meta enfrenta onda de críticas aos óculos smart na Europa
Os óculos inteligentes da Meta enfrentam protestos públicos em várias cidades europeias devido a preocupações com privacidade. A empresa anuncia medidas corretivas, mas pode ser tarde demais.
O que parecia ser um sucesso em preparação para a Meta transformou-se numa dor de cabeça crescente. Os óculos smart da empresa de Mark Zuckerberg estão a ser alvo de protestos públicos por todo o mundo ocidental, com cartazes e manifestações a multiplicarem-se nas principais cidades nas últimas semanas. A acusação é séria: favorecem a vigilância em massa e põem em causa a privacidade de qualquer pessoa que esteja por perto de quem os usa.
O problema do LED vermelho que não chega
A Meta desenvolveu vários modelos destes dispositivos em parceria com marcas do grupo EssilorLuxottica, nomeadamente Ray-Ban e Oakley. O mecanismo de proteção de privacidade resume-se a um único elemento: um LED vermelho que acende quando o utilizador inicia uma gravação de vídeo. A ideia é que as pessoas à volta percebam que estão a ser filmadas.
Acontece que mascarar este LED é demasiado fácil. Basta uma fita adesiva escura ou qualquer outra intervenção simples para que a luz deixe de ser visível, permitindo gravações sem conhecimento das pessoas filmadas. O risco de abusos é evidente, e é precisamente isso que tem levado ativistas da privacidade a organizar ações de protesto um pouco por toda a Europa e América do Norte.

Resposta tardia da empresa
Face à pressão pública crescente, a Meta anunciou há pouco tempo uma atualização de software obrigatória. O objetivo é bloquear automaticamente a câmara sempre que o sistema detetar que o LED foi manipulado ou tapado. É uma tentativa de fechar uma porta que já deveria ter estado trancada desde o início.
O Instagram, também propriedade da Meta, comprometeu-se igualmente a reforçar a moderação de conteúdos captados através destes óculos. A plataforma promete remover vídeos que mostrem situações de assédio ou comportamentos inadequados registados com os dispositivos. Tudo medidas reativas, quando o ideal seria ter previsto os problemas antes de colocar os produtos no mercado.
Tarde demais e pouco incisivo
A sensação geral entre quem segue o dossier é que estas correções chegam com atraso e não resolvem o cerne da questão. Criar tecnologia de vigilância portátil sem salvaguardas realmente robustas desde o primeiro dia foi sempre um risco calculado e esse cálculo pode ter falhado.
Para consumidores europeus, onde as regras de proteção de dados pessoais são particularmente exigentes graças ao RGPD, a polémica ganha ainda mais força. Não é claro se as medidas anunciadas serão suficientes para acalmar reguladores ou organizações de defesa de direitos digitais que já começam a pressionar por legislação mais apertada sobre dispositivos deste tipo.
Um comboio que pode ter partido
A Meta investiu fortemente nesta linha de produto, apostando que os óculos inteligentes seriam o próximo grande passo na computação wearable. Mas quando a reputação de um dispositivo fica manchada por questões éticas logo nos primeiros meses, recuperar a confiança do público torna-se uma batalha difícil.
Resta saber se a empresa conseguirá virar o jogo com atualizações técnicas e políticas de moderação mais agressivas, ou se o dano já está feito. Para já, o que se vê nas ruas europeias são manifestantes a avisar: óculos com câmaras escondidas não são bem-vindos.
Via: HDblog



