Análise ASUS Zenbook 14: elegante e competente, mas há compromissos

Andei com o novo ASUS Zenbook 14 durante duas semanas. Com Ryzen AI 7, 24 GB de RAM e ecrã OLED, será que justifica os 1499,99 euros?

O ASUS Zenbook 14 é um daqueles portáteis que nos conquista pouco a pouco, sobretudo quando começamos a utilizá-lo no dia a dia e percebemos que a portabilidade não tem de significar abdicar de desempenho. Durante as últimas duas semanas, tive oportunidade de trabalhar com esta máquina e de perceber melhor os argumentos que a ASUS reuniu nesta versão, equipada com o processador AMD Ryzen AI 7 345, 24 GB de RAM e um SSD de 512 GB.

Estive também presente na inauguração da nova ASUS POP Store, no Oeiras Parque, um espaço que merece uma visita não só para quem está a pensar comprar um Zenbook 14, mas também para quem quer conhecer o conceito de uma pop-up store. A decoração está muito bem conseguida e combina com a identidade do portátil. É um espaço interessante, pelo que recomendo uma visita.

Mas vamos ao que realmente interessa. O Zenbook 14 é uma boa compra por 1499,99 euros? A minha resposta é sim, embora existam alguns pormenores que a ASUS poderia ter trabalhado melhor, sobretudo tendo em conta o preço pedido.

Um portátil que conquista pela construção e pela portabilidade

Uma das primeiras coisas que se destaca no ASUS Zenbook 14 é o peso. Com cerca de 1,1 kg, é uma máquina que podemos transportar facilmente numa mochila, sem sentirmos que estamos a carregar um equipamento que nos vai pesar ao longo do dia. Para quem trabalha fora de casa, viaja com frequência ou precisa de levar o portátil para reuniões e eventos, esta característica faz uma diferença real.

A portabilidade é, aliás, um dos argumentos mais fortes deste equipamento. Não se trata apenas de ser fino e leve, mas de reunir essas características numa máquina que continua a oferecer uma configuração interessante para trabalhar. É precisamente este equilíbrio que procuro num portátil deste género.

A ASUS recorre ao Ceraluminum, um material que a marca desenvolveu para combinar características do cerâmico com as do alumínio. Que segundo a marca, é 30% mais leve e três vezes mais resistente do que o alumínio convencional. São números que importa atribuir à marca, mas a utilização do material contribui para a identidade do equipamento e para a sensação de cuidado na construção. O Zenbook 14 transmite uma imagem elegante, sem precisar de recorrer a um design demasiado exuberante para chamar a atenção.

É um portátil que se adapta bem a diferentes contextos. Tanto o imagino numa secretária de escritório como numa mesa de café, numa sala de imprensa ou durante uma viagem. E, para mim, essa versatilidade vale bastante mais do que alguns elementos estéticos que acabam por ter pouca influência na utilização diária.

O ecrã OLED continua a ser um dos grandes argumentos

O ecrã é outro dos elementos que mais gostei durante estas duas semanas. O ASUS Zenbook 14 integra um painel OLED de 14 polegadas, com resolução de 1920 x 1200 píxeis, formato 16:10 e taxa de atualização de 60 Hz.

A tecnologia OLED continua a ser uma vantagem importante, sobretudo pela capacidade de apresentar pretos profundos, um contraste elevado e cores vivas. Para quem passa várias horas a ler, escrever, consultar páginas Web ou trabalhar com conteúdos multimédia, a qualidade de imagem contribui para uma experiência agradável. O formato 16:10 também é uma boa escolha para produtividade, já que oferece mais espaço vertical do que os tradicionais painéis 16:9.

No entanto, é aqui que começo a sentir que a ASUS poderia ter ido um pouco mais longe. Por 1499,99 euros, esperava uma resolução superior e uma taxa de atualização acima dos 60 Hz. Não significa que o ecrã seja mau, muito pelo contrário. A experiência visual é bastante positiva, mas o preço cria expectativas que nem sempre são acompanhadas pelas especificações.

O brilho máximo anunciado de 300 nits também merece atenção. É suficiente para muitos ambientes interiores, mas poderá limitar a utilização em espaços muito iluminados ou junto a janelas com bastante luz natural. Quem trabalha frequentemente fora de casa deverá ter este aspeto em consideração.

Ainda assim, o painel OLED continua a ser um dos motivos pelos quais o Zenbook 14 me convence. A questão não está na qualidade geral da imagem, mas na possibilidade de ter um ecrã ainda mais completo nesta faixa de preço.

Ryzen AI 7 e 24 GB de RAM para trabalhar sem complicações

No interior encontramos o AMD Ryzen AI 7 345, acompanhado por 24 GB de memória RAM e um SSD de 512 GB. É uma combinação que oferece uma margem de manobra interessante para produtividade e multitarefa.

Durante a utilização diária, ter memória suficiente para manter várias aplicações abertas é importante. Entre o navegador com múltiplos separadores, documentos, ferramentas de comunicação e aplicações de trabalho, é fácil perceber a vantagem de uma configuração que não fica limitada logo que começamos a exigir um pouco mais do sistema.

O Zenbook 14 enquadra-se bem neste cenário. É uma máquina pensada para quem precisa de trabalhar com alguma intensidade, sem querer transportar um portátil volumoso ou recorrer a um equipamento mais pesado. Para escrever, gerir conteúdos, trabalhar com documentos, navegar e realizar tarefas de edição mais moderadas, a configuração apresenta argumentos sólidos.

O processador integra também uma unidade de processamento neuronal, ou NPU, com capacidade anunciada até 50 TOPS. Isto permite executar determinadas tarefas de inteligência artificial localmente, sem depender necessariamente de serviços na nuvem. É uma característica que poderá ganhar importância à medida que mais aplicações integrem estas funcionalidades.

Ainda assim, confesso que não é este o argumento que mais me convence. A inteligência artificial tem o seu lugar e poderá ser útil em determinados cenários, mas, na minha utilização, valorizo mais o equilíbrio geral da máquina, a facilidade com que a posso transportar e a capacidade de trabalhar sem complicações. A NPU é uma vantagem adicional, não o principal motivo para escolher este portátil.

Existe, porém, um detalhe que não deve passar despercebido. Os 24 GB de RAM estão soldados na placa, o que significa que não podem ser aumentados posteriormente. A capacidade instalada é interessante e deverá ser suficiente para muitos utilizadores, mas é importante pensar nas necessidades futuras antes de avançar para a compra. Ao contrário do SSD, que pode ser substituído, a memória não permite uma atualização posterior.

Teclado, touchpad e conectividade cumprem o que prometem

A experiência de utilização não depende apenas do processador ou do ecrã. O teclado e o touchpad são elementos com os quais interagimos constantemente, pelo que podem fazer toda a diferença ao fim de várias horas de trabalho.

Gostei do teclado do Zenbook 14. A retroiluminação é particularmente útil quando trabalhamos em ambientes com pouca luz e a utilização geral é confortável. Não diria que é a minha referência absoluta, porque continuo a considerar os teclados e touchpads dos MacBook da Apple uma referência neste segmento, mas a ASUS apresenta aqui uma solução competente.

O touchpad também merece uma nota positiva. Permite controlar o sistema com precisão e realizar os gestos habituais sem grandes dificuldades. É um daqueles componentes que não precisa de impressionar para cumprir bem a sua função, e isso acaba por ser suficiente para a maioria dos cenários.

Na conectividade, a ASUS tomou decisões acertadas. Encontramos portas USB-C, incluindo uma ligação USB4, uma porta USB-A, HDMI e uma entrada de áudio de 3,5 mm. Esta combinação permite ligar periféricos, monitores, auscultadores e outros equipamentos sem depender constantemente de adaptadores.

Pode parecer um detalhe menor, mas não é. Num portátil tão leve, ter uma seleção de portas capaz de responder às necessidades habituais de trabalho é uma vantagem importante. Nem sempre queremos andar com uma bolsa cheia de acessórios só para ligar o computador a um monitor ou utilizar uma pen USB.

Os 512 GB de armazenamento sabem a pouco

Nem tudo são boas notícias. O ponto que mais me custa aceitar nesta configuração é o armazenamento. Por 1499,99 euros, considero que a ASUS deveria disponibilizar um SSD de 1 TB, em vez dos 512 GB incluídos nesta versão.

O espaço disponível pode ser suficiente para quem trabalha sobretudo com documentos, aplicações de produtividade e serviços na nuvem. Contudo, a situação muda para quem guarda muitas fotografias, vídeos, ficheiros de trabalho ou conteúdos multimédia no próprio computador. O espaço pode começar a desaparecer mais depressa do que seria desejável.

É possível substituir o SSD, o que oferece alguma margem para uma atualização futura, mas isso representa um custo adicional. E, quando já estamos a pagar quase 1500 euros por um portátil, não é agradável sentir que precisamos de investir mais para obter uma capacidade de armazenamento que deveria ser mais generosa de origem.

Infelizmente, os custos dos componentes e as condições atuais do mercado ajudam a explicar algumas destas escolhas. Ainda assim, isso não significa que tenhamos de deixar de apontar o problema. Esperemos que esta tendência passe depressa.

A gráfica integrada não faz milagres, mas cumpre a sua função

A componente gráfica fica a cargo da AMD Radeon integrada. Convém esclarecer desde já que o Zenbook 14 não é um portátil gaming, nem foi concebido para competir com máquinas equipadas com placas gráficas dedicadas.

Para jogos menos exigentes, poderá oferecer uma experiência satisfatória, dependendo do título e das definições utilizadas. Também permite realizar algumas tarefas de edição de vídeo, sobretudo em projetos de menor complexidade, sem que isso se transforme necessariamente num problema.

Análise ASUS Zenbook 14

Naturalmente, quem pretende editar vídeo de forma intensiva, trabalhar regularmente com projetos 3D ou jogar títulos exigentes deverá procurar uma máquina com capacidades gráficas superiores. Não considero isso uma falha grave do Zenbook 14, porque seria injusto exigir-lhe características que não fazem parte da sua proposta. O importante é perceber o que estamos a comprar.

Este é um portátil orientado para a mobilidade e a produtividade. Dentro desse contexto, a gráfica integrada faz sentido e complementa uma configuração equilibrada, desde que as expectativas sejam realistas.

Vale a pena comprar o ASUS Zenbook 14 por 1499,99 euros?

Depois de duas semanas de utilização, a minha opinião é bastante clara. O ASUS Zenbook 14 convence e é um portátil que recomendo a quem procura uma máquina leve, elegante e capaz de acompanhar um dia de trabalho exigente.

A construção, o peso reduzido, o painel OLED e a combinação do Ryzen AI 7 345 com 24 GB de RAM são os seus principais argumentos. É fácil perceber o apelo deste equipamento para profissionais que trabalham em mobilidade, estudantes e criadores de conteúdos que precisam de uma máquina versátil para tarefas quotidianas.

Por outro lado, os 512 GB de armazenamento, a resolução de 1920 x 1200 píxeis, os 60 Hz e a memória não expansível são compromissos que mereciam uma abordagem diferente, sobretudo tendo em conta o preço. Não tornam o portátil numa má escolha, mas impedem que a recomendação seja completamente isenta de reservas.

No final, a pergunta mantém-se. Recomendamos o ASUS Zenbook 14? Claro que sim. É um excelente equipamento, que consegue combinar portabilidade e desempenho de uma forma muito competente. Não é perfeito, nem oferece as especificações mais ambiciosas em todos os campos, mas o conjunto funciona bem e responde às necessidades de muitos utilizadores.

Para mim, o maior mérito do Zenbook 14 está precisamente no equilíbrio. É uma máquina que apetece levar connosco, que não complica a utilização diária e que tem argumentos suficientes para justificar o seu lugar no mercado. Gostava de ver mais armazenamento e um ecrã ainda melhor numa próxima geração, mas, mesmo com esses reparos, o Zenbook 14 deixa uma impressão muito positiva.

recomendado 5 estrelas

🔥 Mais Lidos no CtrlShift

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

Artigos: 2277

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *