
CEO da Intel diz que a China está a aproximar-se dos EUA nos chips
O CEO da Intel considera que a China está a reduzir a distância tecnológica face aos EUA nos chips e destaca os modelos de inteligência artificial chineses.
O CEO da Intel, Lip-Bu Tan, considera que a China está a reduzir rapidamente a distância tecnológica que a separa dos Estados Unidos no desenvolvimento de semicondutores e inteligência artificial. Numa entrevista à Nikkei Asia, o responsável destacou a evolução da indústria tecnológica chinesa e elogiou os modelos de inteligência artificial desenvolvidos no país, sobretudo pela sua relação entre desempenho, acessibilidade e custo de utilização.
Questionado sobre a possibilidade de a China alcançar os Estados Unidos na tecnologia de chips dentro de cinco a dez anos, Lip-Bu Tan deixou uma resposta que merece atenção. Na sua perspetiva, a diferença já não é tão significativa como se poderia pensar, sugerindo que as restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de tecnologia avançada não impediram a indústria chinesa de continuar a evoluir.
China está a aproximar-se na inteligência artificial
O responsável da Intel destacou também o papel das universidades chinesas na investigação e no desenvolvimento de inteligência artificial. Instituições como a Universidade de Pequim e a Universidade Tsinghua estão a ganhar terreno nesta área, contribuindo para reforçar a capacidade tecnológica do país e formar especialistas capazes de competir com os principais centros de investigação norte-americanos.
Entre os exemplos apontados estão os modelos de inteligência artificial desenvolvidos pela Moonshot AI, pela Z.ai e pela DeepSeek. Soluções como o Kimi, o GLM e os modelos da DeepSeek têm conquistado visibilidade internacional, em parte devido à possibilidade de serem utilizados através de diferentes plataformas e, em determinados casos, adaptados ou executados localmente.

Lip-Bu Tan reconhece que estes modelos ainda estão atrás de algumas das soluções mais avançadas de empresas como a OpenAI e a Anthropic. No entanto, considera que a diferença de preço constitui uma vantagem importante para a China. Os custos de utilização podem ser significativamente inferiores aos de alternativas norte-americanas, tornando estas ferramentas interessantes para empresas, programadores e organizações que procuram integrar inteligência artificial nos seus produtos sem aumentar demasiado as despesas.
A disponibilização de modelos com pesos abertos também contribui para esta popularidade. Quando as condições de utilização o permitem, os programadores podem descarregar os modelos, adaptá-los e executá-los na sua própria infraestrutura, reduzindo a dependência de serviços comerciais externos. Esta flexibilidade ajuda a explicar o interesse crescente pelas soluções chinesas, embora o desempenho e os custos variem consoante o modelo, a tarefa e a infraestrutura utilizada.
Restrições dos EUA não travam a evolução chinesa
As declarações do CEO da Intel surgem num contexto de crescente rivalidade tecnológica entre Washington e Pequim. Os Estados Unidos têm aplicado restrições à exportação de determinados processadores avançados e equipamentos utilizados no fabrico de semicondutores, procurando limitar o acesso da China a tecnologias consideradas estratégicas.
Estas medidas representam um obstáculo ao desenvolvimento de chips de última geração, mas também aumentam a pressão sobre as empresas chinesas para encontrarem alternativas. O investimento em investigação, o desenvolvimento de soluções próprias e a otimização dos recursos disponíveis são algumas das estratégias utilizadas para reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.
Ainda assim, aproximar-se dos Estados Unidos não significa que a China já tenha alcançado a mesma capacidade em todas as áreas. O fabrico dos semicondutores mais avançados continua a depender de equipamentos, processos de produção e conhecimentos altamente especializados. A inteligência artificial também não se resume à qualidade dos modelos, envolvendo igualmente o acesso a chips, centros de dados, energia e capacidade de computação.
Intel defende maior diversificação na produção de chips
Durante a entrevista, Lip-Bu Tan abordou ainda a concentração da indústria mundial de semicondutores. O responsável considera preocupante a dependência de um número reduzido de empresas para o fabrico de chips avançados, defendendo que fabricantes como a Intel, a TSMC e a Samsung devem continuar a expandir as suas capacidades de produção.
Uma maior diversificação permitiria reduzir a vulnerabilidade da cadeia de abastecimento a crises geopolíticas, problemas logísticos ou interrupções na produção. Ao mesmo tempo, poderia aumentar a concorrência e criar condições para o desenvolvimento de novas tecnologias.
As declarações do CEO da Intel deixam uma mensagem clara. A China continua a enfrentar limitações importantes no acesso e na produção de semicondutores avançados, mas está longe de permanecer parada. Na inteligência artificial, a combinação de modelos competitivos, custos reduzidos e maior abertura está a tornar as empresas chinesas cada vez mais relevantes. Para os Estados Unidos, manter a liderança poderá exigir mais do que impor restrições à concorrência.



