Tivemos a oportunidade de testar em primeira mão o novo Citroën ë-C3 Autonomia Urbana nas estradas de Marselha, num contacto rápido mas suficiente para perceber ao que vem esta proposta. E a verdade é que as primeiras sensações foram bastante positivas.
A cidade francesa acabou por ser o cenário ideal para este modelo. Trânsito, ruas estreitas, subidas e descidas constantes e aquele ambiente urbano típico onde um elétrico compacto faz mais sentido. E foi precisamente aí que o ë-C3 mostrou a sua razão de existir.
A condução é simples, leve e sem complicações. Não há aqui qualquer tentativa de parecer algo que não é. Este é um carro pensado para o dia a dia, e isso nota-se desde os primeiros metros.

Autonomia urbana que cumpre o que promete
Um dos pontos mais importantes deste modelo é, sem dúvida, a autonomia. E aqui há boas notícias.
Durante o nosso teste em ambiente urbano, o consumo manteve-se dentro do esperado e alinhado com o que a Citroën anuncia. Ou seja, nada de surpresas desagradáveis. O carro entrega exatamente aquilo que promete, o que nem sempre acontece neste segmento.
Esta versão conta com uma bateria LFP de 30 kWh e uma autonomia até cerca de 212 km em ciclo WLTP. Mas mais importante do que isso é perceber o comportamento real. E aqui conseguimos tirar conclusões bem concretas.
Num dos percursos realizados, com cerca de 140 km, terminámos com 31% de bateria ainda disponível. Isto traduz-se num consumo aproximado de 20,7 kWh ao longo do trajeto, ou cerca de 14,8 kWh/100 km. Na prática, são números bastante consistentes para um elétrico deste segmento.

Com base neste desempenho, a autonomia total estimada ronda os 200 km, muito alinhada com os valores anunciados pela marca. A eficiência média fica próxima dos 6,8 km por kWh, o que confirma que este modelo foi claramente otimizado para utilização urbana.
Outro detalhe interessante é que os cerca de 31% de bateria restantes, equivalentes a aproximadamente 9,3 kWh, ainda permitiriam percorrer mais 60 a 65 km, dependendo naturalmente do estilo de condução e das condições de trânsito.
No fundo, é exatamente aquilo que se quer num carro deste tipo: previsibilidade e confiança.
Não é um carro para grandes viagens. Nem pretende ser. Mas para deslocações urbanas e periurbanas, cumpre sem esforço.
Um elétrico acessível… mas bem equipado
Aqui é onde o ë-C3 começa realmente a destacar-se.
Estamos a falar de um modelo que, em Portugal, tem um preço base de 19.990€, podendo descer para cerca de 17.990€ com campanhas. E isto muda completamente o jogo.
Mesmo nas versões de entrada, o nível de equipamento é bastante interessante. Desde logo, inclui head-up display, sistema My Citroën Play, ar condicionado, sensores de luz e um pacote completo de assistentes de condução.
Na prática, isto significa que não estamos perante um elétrico “despido” só para atingir um preço baixo. Há aqui um equilíbrio muito bem conseguido entre custo e equipamento.
E subindo um nível, a versão Plus acrescenta ecrã tátil de 10”, conectividade sem fios, bancos mais confortáveis e sensores adicionais, aproximando-se bastante do que muitos utilizadores esperam hoje em dia.

Condução confortável e foco no essencial
Outro ponto que merece destaque é o conforto.
A Citroën continua fiel à sua identidade, e isso sente-se na suspensão Advanced Comfort. Mesmo em pisos mais degradados, o carro filtra bem as irregularidades e transmite uma sensação de suavidade acima da média para este segmento.
A posição de condução é elevada q.b., o que ajuda bastante no ambiente urbano, e a visibilidade geral é boa. Não há grandes complicações tecnológicas ou menus confusos. Tudo é simples e funcional.
E isso, sinceramente, é refrescante.
Carregamento e utilização no dia a dia
No uso diário, o ë-C3 também não complica.
Conta com carregador de bordo de 7,4 kW e suporta carregamento rápido DC até 30 kW. Não são valores impressionantes, mas são mais do que suficientes para o tipo de utilização a que se destina.
Em casa, consegue carregar durante a noite sem problemas. Num carregador público, também é possível recuperar uma boa parte da bateria num curto espaço de tempo.
Mais uma vez, tudo alinhado com o conceito do carro.

Vale a pena?
Depois deste primeiro contacto em Marselha, a conclusão é bastante clara.
O Citroën ë-C3 Autonomia Urbana não tenta reinventar o segmento. Mas também não precisa. O que faz é algo talvez mais importante: tornar o carro elétrico acessível a muito mais pessoas, sem obrigar a grandes compromissos.
E isso, neste momento do mercado, pode fazer toda a diferença.
Ao preço que é apresentado, é claramente uma aposta muito forte da marca. Especialmente para quem quer entrar no mundo dos elétricos com um carro prático, bem equipado e pensado para o dia a dia.
Não é o mais potente. Não é o mais tecnológico. Mas é, provavelmente, um dos mais inteligentes.



