Consumo elétrico dos data centers vai quadruplicar até 2035

Centros de dados podem chegar a consumir um quinto da eletricidade dos EUA até 2035, impulsionados pela expansão da inteligência artificial. A Europa enfrenta desafios semelhantes.

A infraestrutura que sustenta cada chatbot, gerador de imagens ou modelo de linguagem que usamos diariamente está a caminho de se tornar num dos maiores desafios energéticos da próxima década. Uma análise recente da BloombergNEF aponta que o consumo elétrico dos data centers nos Estados Unidos pode atingir 20% de toda a produção do país dentro de onze anos um crescimento que representa multiplicar por quatro a energia que estas instalações necessitam hoje.

Inteligência artificial puxa pelo consumo

O principal responsável por esta escalada é a inteligência artificial. Cada query processada por um modelo de linguagem ou cada imagem gerada exige capacidade computacional que, no fim da linha, se traduz em megawatts-hora consumidos. Os números deixam pouco espaço para dúvidas: multiplicar por quatro o consumo atual significa que, até 2035, os data centers sozinhos vão absorver uma fatia de eletricidade equivalente ao que países europeus inteiros consomem hoje.

Esta pressão não se limita aos Estados Unidos. A Europa, onde a transição energética é um objetivo político central, enfrenta o mesmo problema embora com contornos diferentes. Os grandes fornecedores de serviços cloud e os gigantes tecnológicos estão a expandir a presença de centros de dados no continente, e cada nova instalação representa uma carga adicional nas redes elétricas nacionais.

data centers consumo eléctrico

O que está em causa para a Europa

A questão não é apenas técnica, é também regulatória e ambiental. A União Europeia tem metas ambiciosas de redução de emissões e de neutralidade carbónica, e um aumento abrupto no consumo elétrico mesmo que parte venha de renováveis complica qualquer plano de descarbonização. Já há casos de países europeus onde a procura por energia para data centers rivaliza com setores industriais tradicionais, e a tendência é de aceleração.

Para Portugal, a discussão ainda está numa fase relativamente inicial, mas o risco de ficar para trás na corrida aos grandes centros de dados ou, pelo contrário, de atrair demasiados sem infraestrutura elétrica preparada é real. Alguns países europeus já começaram a rever licenciamentos e a exigir compromissos de eficiência energética antes de autorizar novas instalações de grande porte.

Eficiência energética como resposta parcial

Há margem para melhorar a eficiência dos data centers, mas não ao ponto de compensar totalmente o crescimento previsto. Sistemas de refrigeração mais avançados, chips desenhados especificamente para cargas de trabalho de IA e algoritmos optimizados podem reduzir o impacto por operação, mas o volume de operações está a crescer a uma velocidade superior.

Algumas empresas começam a apostar em contratos de energia renovável dedicados e em localizar centros de dados junto a fontes de produção centrais solares ou eólicas, por exemplo. Mas mesmo esse caminho tem limites: a intermitência das renováveis obriga a soluções de armazenamento ou a manter centrais de backup, que muitas vezes ainda dependem de combustíveis fósseis.

O dilema europeu entre inovação e sustentabilidade

A Europa quer estar na linha da frente da inteligência artificial, mas sem comprometer os objetivos climáticos. É um equilíbrio difícil. Investir em investigação e desenvolvimento de IA exige infraestrutura computacional robusta, e essa infraestrutura consome energia muita energia. Se a UE impuser restrições demasiado apertadas, corre o risco de ver as empresas a instalar os seus data centers fora do continente. Se não impuser nada, os objetivos de 2030 e 2050 ficam ainda mais distantes.

O estudo da BloombergNEF refere-se aos Estados Unidos, mas serve de alerta claro para o resto do mundo desenvolvido. Duplicar, triplicar ou quadruplicar o consumo elétrico de um setor inteiro em pouco mais de uma década não é uma transição suave é um choque que obriga governos, reguladores e empresas a repensar prioridades. A inteligência artificial está a mudar a forma como trabalhamos, criamos e comunicamos, mas o preço energético dessa transformação está apenas a começar a ser calculado.

Via: HDblog.it

Nuno Tiago
Nuno Tiago

Nuno Tiago combina a paixão pelo gaming e pelo universo Star Wars com um novo desafio na escrita tecnológica. Iniciou recentemente esta jornada editorial, revelando-se um entusiasta da experiência de partilhar notícias e detalhes sobre a inovação no seu interior e o impacto da cultura digital no nosso quotidiano.

Artigos: 117

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *