Depois de um arranque de temporada avassalador com a conquista do Rali Dakar, a equipa Dacia Sandriders vira agora todas as atenções para o solo europeu. Entre os dias 17 e 22 de março, a marca entra no Rally-Raid Portugal 2026 com um objetivo que não deixa margem para dúvidas: consolidar a liderança absoluta no Campeonato Mundial de Rally-Raid da FIA (W2RC). Com o estatuto de líder em todas as frentes pilotos, navegadores e fabricantes , a Dacia traz para as pistas nacionais um trio de luxo que mete respeito a qualquer adversário: Nasser Al-Attiyah, Sébastien Loeb e Lucas Moraes.
A prova, organizada pelo Automóvel Clube de Portugal (ACP), chega à sua terceira edição com um percurso que é um verdadeiro desafio à resistência e à navegação. São 2175 quilómetros totais, dos quais 1320 são disputados ao cronómetro ao longo de cinco etapas intensas que ligam Portugal e Espanha. Com partida marcada em Grândola, passagens estratégicas por Badajoz e o grande final no Algarve, em Loulé, este rali exige uma precisão que o Dakar, pela sua natureza de deserto aberto, nem sempre pede.

O “Dream Team” e o fator casa
Para quem acompanha a modalidade, ver esta tripla da Dacia em ação é um privilégio. Nasser Al-Attiyah, que venceu a edição inaugural desta prova em 2024, chega como líder do campeonato com 73 pontos e a confiança em alta após o sucesso no deserto. No entanto, o piloto do Qatar sabe que o cenário mudou. A mudança da prova do outono para o início da primavera altera drasticamente o terreno. Espera-se solo molhado e muita lama, condições que Al-Attiyah admite serem um desafio extra em comparação com o pó seco de setembro.
Por outro lado, temos Sébastien Loeb, o eterno mestre da precisão. O francês é perentório: nestas pistas estreitas de Portugal e Espanha, não há espaço para erros de cálculo. Enquanto no Dakar se gere a mecânica e a resistência, aqui é preciso dar tudo desde o primeiro quilómetro. Loeb, que terminou no pódio na última edição, sabe que o Dacia Sandrider é uma máquina robusta, mas o percurso tecnicamente exigente vai colocar à prova a sua capacidade de condução pura.
A fechar o trio temos Lucas Moraes. O brasileiro tem uma relação especial com o nosso país. Foi aqui que conquistou a sua primeira vitória geral na carreira no ano passado, e o facto de partilharmos a mesma língua torna o apoio dos adeptos portugueses um combustível extra. Moraes está motivado para defender o título da prova e somar pontos vitais para o campeonato, onde a Dacia já leva uma vantagem confortável de 33 pontos sobre a Ford Racing na tabela de fabricantes.

Estratégia, lama e a sombra da tecnologia
A diretora da equipa, Tiphanie Isnard, mantém os pés bem assentes na terra, ou neste caso, na lama. Apesar da liderança folgada, a humildade é a palavra de ordem. As recentes chuvas em Portugal podem transformar troços rápidos em autênticos pântanos, tornando a prova imprevisível. É aqui que a robustez do Sandrider, alimentado por combustível sustentável da Aramco e equipado com pneus BFGoodrich, terá de provar que não é apenas um “carro de dunas”.
Questiono seriamente se os rivais terão armas para travar esta ofensiva. A Dacia não só tem os melhores pilotos, como parece ter a equipa técnica mais bem preparada para ler as nuances do terreno luso-espanhol. O percurso foi parcialmente reformulado, incluindo secções inspiradas no Rali Dakar de 2006, o que traz um toque de nostalgia e dificuldade acrescida para os navegadores, como Édouard Boulanger, que terá de descobrir novas regiões sob pressão.
Conclusão
O Rally-Raid Portugal 2026 será, sem dúvida, um dos momentos altos do calendário do W2RC. Para a Dacia Sandriders, esta é a oportunidade de ouro para carimbar a superioridade tecnológica e humana antes das etapas finais do mundial. Se Al-Attiyah mantiver a frieza, Loeb a precisão e Moraes a garra que o caracteriza em solo português, será difícil ver outra marca no lugar mais alto do pódio em Loulé. A armada da Dacia está pronta e a sorte está lançada nos trilhos de Grândola.




