Disney+, Paramount+ e Netflix estudam planos gratuitos com publicidade

As três plataformas avaliam versões grátis para travar a migração de espectadores para YouTube e Tubi. Os serviços sem subscrição já captam quase um quinto do tempo de visualização nos EUA.

O mercado do streaming pago está num ponto de viragem. Disney+, Paramount+ e Netflix começam a falar abertamente ou quase sobre a possibilidade de lançar versões completamente gratuitas dos seus serviços, financiadas por publicidade. A razão é clara: os espectadores estão fartos de aumentos de preço e têm começado a migrar para alternativas sem custos.

YouTube, Tubi e Roku ganham terreno rápido

Em abril de 2026, as plataformas de streaming gratuitas captaram 18,7% do tempo total de visualização de televisão nos Estados Unidos. Dois anos antes, em abril de 2024, esse valor estava nos 12,7%. A progressão é inequívoca: quem não cobra nada ao espectador está a ganhar terreno a uma velocidade que as gigantes de Hollywood já não conseguem ignorar.

YouTube, Tubi e The Roku Channel lideram esta vaga. São serviços que sempre dependeram de receitas publicitárias, sem barreiras de acesso. Enquanto isso, Disney+, Netflix e companhia têm subido preços com regularidade a Paramount+ aumentou ambos os seus planos em um dólar por mês logo em janeiro deste ano, e a Crunchyroll seguiu o mesmo caminho em fevereiro, com subidas de dois dólares em todos os escalões.

Netflix

Disney+ já discute internamente uma versão grátis

Adam Smith, responsável de produto e tecnologia da Disney, abordou a ideia de uma camada gratuita da Disney+ numa reunião interna dedicada ao streaming. Não há datas nem planos concretos confirmados mas a conversa ter vindo a público é, por si só, reveladora da direção em que a empresa está a pensar.

Atualmente, o plano básico da Disney+ com publicidade custa 11,99 dólares por mês (cerca de 11 euros), e a versão premium sem anúncios está nos 18,99 dólares (aproximadamente 17,50 euros). São valores que colocam o serviço entre os mais caros do mercado. Oferecer uma opção totalmente gratuita seria, portanto, uma mudança de rota significativa e uma forma de suavizar a imagem de uma marca que tem sido sinónimo de aumentos constantes.

Paramount+ quer alargar o acesso sem subscrição

A Paramount+ planeia expandir o acesso a filmes e séries para quem não paga. A Apple TV+ já oferece alguns episódios grátis a não-subscritores, mas a estratégia da Paramount parece ir mais longe. A ideia é transformar parte do catálogo numa montra acessível a qualquer pessoa, financiada por publicidade, para captar audiências que de outra forma nunca experimentariam o serviço.

paramount+

Netflix pensa em mercados internacionais, não nos EUA

Greg Peters, co-CEO da Netflix, afirmou em meados de julho que uma oferta gratuita poderia fazer sentido “em alguns mercados”. A palavra-chave aqui é “alguns”. A Netflix não está a sinalizar um plano grátis para os Estados Unidos pelo menos por agora. O foco são mercados onde a conversão para subscrições pagas ainda é difícil, ou seja, geografias onde o modelo tradicional não pegou como esperado.

O inimigo comum chama-se YouTube

Durante anos, Hollywood tratou o YouTube como um tipo de produto completamente diferente vídeos curtos, criadores independentes, entretenimento casual. Essa distinção deixou de funcionar. À medida que os preços das plataformas sobem, cada vez mais espectadores preferem passar o tempo em serviços grátis, mesmo que isso signifique ver anúncios.

Lançar uma versão gratuita da Disney+ seria admitir, sem rodeios, que o YouTube é concorrência direta. E que essa concorrência está a ganhar.

Nada disto está confirmado ou marcado para uma data específica. São conversas, não anúncios oficiais. Mas quando três das maiores plataformas de streaming do mundo estão todas a ponderar a mesma jogada ao mesmo tempo, a mensagem é suficientemente clara: o modelo de subscrição ilimitada pode estar a chegar ao limite da tolerância do público. E a alternativa gratuita, que antes parecia uma categoria à parte, é agora a ameaça que ninguém pode continuar a ignorar.

Via: Gizchina

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Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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