
Eclipse solar de 12 de agosto: prepare-se para ver o dia virar noite
Daqui a três dias, um eclipse solar total vai transformar o dia em noite durante alguns segundos. Saiba onde e como observar o fenómeno em segurança.
Faltam apenas três dias para um dos espetáculos mais impressionantes que a natureza pode oferecer: um eclipse solar total que vai cobrir parte da Europa com uma sombra capaz de transformar o dia em noite durante alguns segundos. O fenómeno acontece na próxima quarta-feira, 12 de agosto, e promete reunir milhares de observadores em várias regiões do continente.
Para quem nunca assistiu a um eclipse solar total, a experiência pode parecer quase surreal. A temperatura desce de repente, os animais ficam desorientados, e o céu assume tons que normalmente só se veem ao crepúsculo tudo isto a meio da manhã ou da tarde.
Onde e quando observar o eclipse
A faixa de totalidade a zona onde o Sol fica completamente coberto pela Lua vai atravessar Espanha, sul de França, norte de Itália e partes dos Balcãs. Em Portugal continental, o eclipse será parcial, com o Sol a ficar coberto entre 60% e 75%, dependendo da localização. Quanto mais a norte, maior a percentagem de cobertura.
O momento de máximo eclipse em território nacional está previsto para as 10h43 em Lisboa e cerca de dez minutos mais tarde no Porto. A fase parcial começa pelas 9h30 e prolonga-se até ao meio-dia, dando tempo suficiente para quem quiser acompanhar o fenómeno com calma.
Nos Açores, a situação é diferente: a cobertura solar será inferior a 50%, mas a visibilidade pode ser melhor devido às condições meteorológicas habitualmente favoráveis no arquipélago nesta altura do ano.

Como proteger a visão durante a observação
Olhar diretamente para o Sol, mesmo durante um eclipse, pode causar lesões permanentes na retina em poucos segundos. Não há sintomas imediatos a dor só aparece horas depois, quando já é tarde demais. Por isso, os óculos de proteção certificados para observação solar são absolutamente obrigatórios.
Óculos de sol normais, mesmo os mais escuros, não servem. Também não funciona improvisar com radiografias, CD ou outros materiais caseiros que ainda circulam em listas de “truques” na internet. A única solução segura passa por filtros solares certificados segundo a norma ISO 12312-2, que bloqueiam 99,999% da luz solar.
Quem tiver telescópios ou binóculos em casa deve ter cuidado redobrado: apontar estes aparelhos ao Sol sem filtros adequados pode literalmente queimar a vista em menos de um segundo. Existem filtros próprios para telescópios, mas têm de ser montados antes de apontar o equipamento ao céu.

O que torna este eclipse especial
Eclipses solares totais acontecem em média a cada 18 meses algures no planeta, mas ver um do mesmo local é raro. A última vez que um eclipse total foi visível a partir de território europeu foi em 1999, e o próximo só acontecerá em 2026 curiosamente, daqui a exatamente dois anos mas com uma faixa de totalidade que passa mais a leste.
Durante os segundos de totalidade, nas zonas onde o Sol fica completamente coberto, é possível ver a coroa solar a olho nu: uma auréola branca de plasma super-aquecido que normalmente fica invisível devido ao brilho da superfície solar. É também o único momento em que se pode observar o eclipse sem proteção nos olhos, mas apenas durante esses breves segundos de escuridão total.
Preparativos de última hora
Quem ainda não comprou óculos de proteção pode ter dificuldade em encontrá-los nas próximas horas muitas lojas de material científico e planetários já esgotaram os stocks. Observatórios astronómicos e associações de astronomia em Portugal vão organizar sessões públicas de observação com equipamento adequado, uma alternativa para quem não conseguir material próprio a tempo.
Resta confirmar a meteorologia: céu limpo é essencial. As previsões para quarta-feira ainda são incertas, mas a tendência aponta para céu pouco nublado na maior parte do país. Cruzar os dedos e preparar a câmara porque este é daqueles momentos que vale mesmo a pena registar.



