
Android tem falha grave que pode bloquear o smartphone por SMS
Uma falha no Android permite provocar falhas num smartphone através de SMS invisíveis. A Google já disponibilizou uma correção para versões recentes.
Uma falha de segurança no Android está a preocupar os investigadores, uma vez que permite provocar falhas no funcionamento de um smartphone através de uma mensagem SMS especialmente preparada. O ataque não exige que o utilizador abra a mensagem, carregue num link ou execute qualquer ação. Em determinadas circunstâncias, o envio repetido destas mensagens poderá deixar o equipamento praticamente inutilizável.
A vulnerabilidade foi identificada pelo investigador de segurança Mark Blaszczyk e está relacionada com o processamento de mensagens especiais WAP Push pelo sistema operativo da Google. Segundo os relatos divulgados, o problema afeta versões do Android a partir da versão 12, tendo sido demonstrado em equipamentos Google Pixel e Samsung Galaxy.
Uma mensagem invisível pode provocar falhas no Android
O ataque explora uma mensagem WAP Push SMS construída de forma a provocar um erro durante o processamento automático pelo sistema. Ao receber a mensagem, o Android tenta tratá-la em segundo plano, sem que o utilizador tenha de interagir com o equipamento.
O problema é que o processamento pode fazer falhar um serviço do sistema relacionado com as chamadas telefónicas. Como consequência, o smartphone poderá perder temporariamente a capacidade de realizar ou receber chamadas, além de sofrer interrupções no serviço móvel.
Há outro pormenor que torna esta vulnerabilidade particularmente preocupante. A mensagem pode não aparecer na caixa de entrada, pelo que o utilizador poderá nem sequer perceber que recebeu algo que desencadeou o problema.
Se o ataque for repetido, as consequências poderão ser mais graves. O sistema pode voltar a tentar processar as mensagens após reiniciar, provocando novas falhas. Em cenários mais severos, o equipamento poderá entrar num ciclo de reinícios ou ficar tão instável que se torna difícil utilizá-lo. O investigador indica que cerca de 20 mensagens poderão ser suficientes para provocar problemas particularmente sérios.
Isto não significa que qualquer SMS recebido possa bloquear um smartphone. O ataque depende de mensagens especificamente construídas para explorar esta vulnerabilidade.

Google já disponibilizou uma correção
A Google terá incluído uma correção na atualização de segurança de outubro para o Android 14 e versões posteriores. Com esta proteção, o sistema deverá identificar as mensagens malformadas e removê-las, em vez de tentar processá-las repetidamente.
No entanto, a disponibilização da correção não significa que todos os equipamentos estejam protegidos. Os fabricantes têm de preparar e distribuir as atualizações para os respetivos modelos, pelo que poderão existir diferenças entre marcas e dispositivos.
Para verificares se tens uma atualização disponível, abre as definições do smartphone e procura a secção de segurança e atualizações do sistema. A localização exata desta opção varia consoante o fabricante e a versão do Android.
Quem utiliza um equipamento com Android 13 ou uma versão anterior deverá ter especial atenção ao suporte de segurança. Se o smartphone já não receber atualizações, poderá continuar vulnerável, caso não exista outra correção disponibilizada pelo fabricante.
O que deves fazer para proteger o teu smartphone?
A medida mais importante é instalar a atualização de segurança mais recente disponibilizada para o teu equipamento. Não existe uma definição simples que garanta o bloqueio deste ataque, uma vez que a mensagem pode ser processada antes de chegar à caixa de entrada.
Esta falha demonstra que a segurança de um smartphone não depende apenas dos cuidados do utilizador. Mesmo sem abrir uma mensagem suspeita, um equipamento pode ser afetado por uma vulnerabilidade no próprio sistema operativo.
Por isso, manter o Android atualizado continua a ser uma das formas mais importantes de reduzir os riscos. Se o teu smartphone já não recebe atualizações de segurança, convém verificar se o fabricante disponibilizou alguma solução específica para o modelo.



