Recebes um pacote em casa, abres cheio de entusiasmo e atiras a caixa para o lixo. Parece inofensivo — mas a GNR avisa que este hábito pode ter consequências sérias.
O alerta é simples, directo e passa muita gente ao lado: as etiquetas de envio das encomendas contêm dados pessoais sensíveis que não devem acabar no caixote do lixo sem qualquer tratamento.
A Guarda Nacional Republicana voltou a chamar a atenção para este problema, que afecta cada vez mais pessoas à medida que as compras online se tornam o hábito padrão de consumo em Portugal e no resto da Europa.
O que está impresso na etiqueta?
À primeira vista, é só um autocolante com um código de barras. Mas basta olhar com atenção para perceber o que ali está registado.
Além do nome completo e da morada, as etiquetas de envio incluem frequentemente o número de telemóvel do destinatário. Nalguns casos — especialmente em plataformas portuguesas ou europeias — podem constar ainda o número de contribuinte (NIF), necessário para efeitos de facturação.
É um conjunto de dados que, nas mãos erradas, pode ser usado para esquemas de phishing com contactos fraudulentos que simulam entregas pendentes, roubo de identidade (nome, morada e NIF juntos são suficientes para várias tentativas de fraude) ou engenharia social, onde alguém que saiba onde moras e o teu número pode construir um discurso convincente para te enganar.
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Um problema que cresce com o e-commerce
Em 2025, o mercado português de e-commerce atingiu cerca de 12,9 mil milhões de euros, um crescimento de aproximadamente 6,7% face ao ano anterior, com 5,5 milhões de compradores online. Mais encomendas em casa significa mais etiquetas a circular — e mais lixo doméstico com dados pessoais a descoberto.
O problema não é novo, mas ganha uma escala diferente quando milhões de pacotes chegam às portas dos portugueses todos os meses, vindos de plataformas como a Amazon, a FNAC, a Worten, o AliExpress ou a Shein. A maior parte dessas etiquetas fica colada às caixas, que acabam no ecoponto ou no lixo comum — muitas vezes sem qualquer preocupação com o que ali está escrito.
O que fazer para te proteger
A GNR e os especialistas em cibersegurança recomendam um procedimento simples antes de deitar fora qualquer embalagem com etiqueta de envio: destruir ou inutilizar a etiqueta antes de descartar a caixa.
Há várias formas de o fazer — rasgar a etiqueta completamente, usar um marcador permanente preto para riscar todos os dados visíveis, recorrer a um fragmentador de papel, ou molhar e esfregar até os dados ficarem ilegíveis. Não é preciso nenhuma solução tecnológica cara. Basta 10 segundos de atenção.
Um hábito que vale a pena adoptar
A questão da privacidade nas embalagens ainda não tem a visibilidade que merece. Falamos muito em proteger as passwords, em não clicar em links suspeitos, em activar a autenticação de dois factores — e bem. Mas ignoramos um vector físico que está literalmente à porta de casa.
A GNR faz bem em relembrar este ponto com regularidade. Da próxima vez que chegares uma encomenda, abre a caixa, aproveita o que compraste — e antes de ires ao ecoponto, trata da etiqueta.




