A Huawei começou 2026 da melhor forma possível no mercado chinês de smartphones. Segundo dados da Counterpoint, a marca conseguiu atingir uma quota de 20% no primeiro trimestre, o valor mais alto dos últimos 5 anos.
Isto não é apenas uma liderança pontual. É um sinal claro de que a Huawei voltou a ganhar força no seu mercado doméstico, algo que parecia difícil há poucos anos, especialmente depois de todas as limitações que enfrentou.
Além disso, a marca registou um crescimento de 2% nas vendas face ao mesmo período do ano passado. Não é um salto enorme, mas ganha outro peso quando percebemos o contexto atual do mercado.
O mercado está a cair… mas a Huawei cresce
Enquanto a Huawei sobe, o mercado chinês de smartphones está, na verdade, a recuar.
As vendas caíram cerca de 4% no primeiro trimestre de 2026, muito por culpa do aumento dos preços e da escassez de memória, que continua a afetar toda a indústria. Isto está a obrigar as marcas a subir preços, o que naturalmente abranda a procura.
E é aqui que a Huawei se destaca.
A empresa conseguiu manter uma estratégia de preços relativamente estável, muito graças à sua forte dependência de fornecedores locais. Esse detalhe acaba por funcionar como uma vantagem competitiva enorme numa altura em que os custos globais estão a disparar.

Mate 80 e gama Enjoy puxam pela marca
Grande parte deste sucesso vem do desempenho da gama Mate, em particular do Mate 80, que continua a ser um dos principais motores de vendas da Huawei.
Ao mesmo tempo, a série Enjoy 90 tem ajudado a sustentar volumes mais elevados, garantindo presença em segmentos mais acessíveis. Esta combinação entre topo de gama forte e gama média sólida continua a ser uma fórmula eficaz.
No fundo, a Huawei está a jogar em duas frentes e, desta vez, está a resultar.
Apple cresce forte, mas fica atrás
Logo atrás da Huawei surge a Apple, também com um desempenho bastante positivo.
A marca norte-americana registou um crescimento de 20% nas vendas, impulsionado pela procura da nova série iPhone 17, e alcançou uma quota de mercado de 19%.
Ou seja, está praticamente colada à Huawei, mas ainda não chega para assumir a liderança.

OPPO, Vivo, Honor… e uma queda acentuada da Xiaomi
O resto do ranking mostra um cenário mais misto.
A OPPO aparece em terceiro lugar, com 16% de quota, mas com uma queda de 5% nas vendas. A Vivo surge logo a seguir, com 15% de quota e um crescimento ligeiro de 2%.
Já a Honor ocupa a quinta posição, com 13% de quota, mas também em queda.
O caso mais surpreendente é mesmo o da Xiaomi, que caiu para o sexto lugar com uma quebra significativa de 35% nas vendas. Um número que mostra bem como o mercado está volátil neste momento.
2026 não vai ser fácil para ninguém
Apesar do bom momento da Huawei, o cenário geral não é propriamente animador.
A indústria enfrenta uma combinação complicada: custos de produção mais elevados, margens mais apertadas e uma procura mais fraca. E tudo indica que esta pressão vai continuar ao longo de 2026.
As previsões apontam para uma queda de cerca de 9% no mercado chinês ao longo do ano, ainda que com uma possível recuperação ligeira a partir de junho.
Huawei está de volta ao jogo a sério
O que fica claro neste relatório é que a Huawei voltou a ser uma força dominante na China.
Não apenas porque lidera, mas porque o faz num contexto difícil, onde muitas marcas estão a perder terreno.
Entre estratégia de preços, controlo da cadeia de fornecimento e produtos competitivos, a marca encontrou novamente o seu caminho.
E se este ritmo se mantiver, pode muito bem voltar a ter um peso global mais relevante do que muitos esperavam.




