A Huawei continua a mostrar uma recuperação impressionante no mercado chinês de smartphones. Depois de ter regressado ao topo no início de 2026, a marca voltou a garantir o primeiro lugar em fevereiro, consolidando uma liderança que começa a parecer tudo menos temporária.
De acordo com os dados mais recentes da SmartChipInsider, a fabricante chinesa fechou o mês com uma quota de mercado de 17,83%, mantendo-se à frente da concorrência num mercado extremamente competitivo e onde cada décima percentual conta.
Este desempenho não surge por acaso. A forte procura pela série Mate 80 tem sido um dos principais motores deste crescimento, mostrando que a Huawei voltou a ser altamente relevante no segmento premium dentro da China. E a estratégia não ficou por aí, já que a marca reforçou recentemente o seu portefólio com novos modelos que ajudam a cobrir diferentes gamas de preço.
OPPO e Vivo pressionam, mas não chegam
Logo atrás surge a OPPO, que aparece na segunda posição com 17,61% de quota de mercado. Aqui importa destacar que este valor inclui também as marcas OnePlus e Realme, o que mostra o peso do grupo no mercado chinês.
Ainda assim, a diferença para a Huawei é mínima, o que indica uma luta bastante equilibrada pelo topo. A OPPO continua a apostar forte em design, câmaras e carregamento rápido, mas parece ainda não ter conseguido um produto com o impacto que a série Mate 80 teve.
Na terceira posição encontramos a Vivo, com 16,74%, impulsionada sobretudo pelos lançamentos recentes da linha iQOO, que tem ganho bastante popularidade entre utilizadores mais jovens e focados em performance.
O top 3 está, portanto, bastante próximo, o que deixa claro que qualquer lançamento bem-sucedido pode alterar rapidamente a hierarquia.

Apple perde terreno e Xiaomi fica mais atrás
Quem não atravessa o melhor momento é a Apple. A marca norte-americana caiu para a quarta posição, com 16,17% de quota de mercado, ficando atrás das três principais fabricantes chinesas.
Esta descida pode ser explicada por vários fatores, incluindo a forte concorrência local, preços mais agressivos das marcas chinesas e um maior alinhamento dos consumidores com marcas nacionais. Ainda assim, a Apple continua a ter uma presença sólida e não está fora da luta.
Já a Xiaomi surge na quinta posição, seguida pela Honor em sexto lugar. Ambas continuam relevantes, mas sem o mesmo impacto imediato que Huawei, OPPO ou Vivo têm demonstrado neste início de ano.

O que está por trás do sucesso da Huawei
O regresso da Huawei ao topo do mercado chinês é um dos temas mais interessantes da indústria mobile nos últimos anos. Depois das limitações impostas pelas sanções, a marca conseguiu reinventar-se, apostando em desenvolvimento próprio, integração de hardware e software e uma estratégia focada no mercado interno.
A série Mate 80 é um exemplo claro disso. Não só trouxe inovação ao nível do desempenho e fotografia, como também ajudou a restaurar a confiança dos consumidores na marca. A isto junta-se o reforço no segmento mais acessível com a linha Enjoy 90, que permite à Huawei competir também no volume.
Outro ponto importante é o ecossistema. A aposta no HarmonyOS continua a dar frutos dentro da China, criando uma experiência mais integrada entre dispositivos e fidelizando utilizadores.
Primeiro trimestre vai ser decisivo
Com março já praticamente fechado, não falta muito para conhecermos os resultados completos do primeiro trimestre de 2026. E essa será a verdadeira prova de consistência para a Huawei.
A grande questão agora é perceber se esta liderança é sustentável ou se estamos apenas perante um pico momentâneo impulsionado por lançamentos recentes. A concorrência está muito próxima e qualquer deslize pode custar o primeiro lugar.
Ainda assim, olhando para o ritmo atual, tudo indica que a Huawei tem argumentos suficientes para continuar no topo, pelo menos a curto prazo.



