Huawei avisa: Preços dos smartphones podem disparar devido à memória

A Huawei alerta que a subida acentuada do custo dos chips de memória pode forçar aumentos generalizados nos preços dos smartphones nos próximos meses, com impacto direto no mercado europeu.

O mercado dos smartphones prepara-se para mais uma onda de aumentos de preços, e desta vez o culpado é a memória. A Huawei deixou o aviso claro durante o evento de lançamento de novos produtos a 5 de agosto: o custo crescente dos chips de memória está a atingir níveis que podem tornar insustentável manter os preços atuais dos telemóveis, forçando fabricantes a repensar toda a estratégia de preços ou a vender com prejuízo.

O problema dos chips de memória explicado

Richard Yu, presidente do Comité de Revisão de Investimento em Produtos e da Unidade de Negócio de Consumo da Huawei, foi direto ao ponto durante a apresentação. O boom da inteligência artificial está a sugar capacidade de produção de memória a um ritmo sem precedentes, criando uma pressão enorme sobre toda a indústria. Para agravar, apenas três grandes marcas dominam o mercado de DRAM a nível mundial uma concentração que deixa fabricantes de média e pequena escala reféns de quem controla a produção.

Os stocks industriais de componentes de memória já chegaram ao limite, segundo a empresa chinesa. A isto soma-se a transição em curso de DDR4 para DDR5, um salto tecnológico que está a abalar ainda mais o mercado de chipsets de memória e a empurrar os preços para cima.

Huawei Mate 90

Smartphones vão ficar mais caros em larga escala

“Devido ao preço elevado da memória, os telemóveis podem ter de aumentar de custo em larga escala no futuro; caso contrário, serão vendidos com prejuízo”, afirmou Richard Yu. A frase resume bem o dilema que fabricantes enfrentam: ou passam o custo para o consumidor final, ou começam a perder dinheiro com cada aparelho vendido.

Desde o primeiro trimestre deste ano que os smartphones têm vindo a registar subidas de preço graduais. Marcas como Apple, Samsung e a própria Huawei conseguiram até agora manter algum equilíbrio na estratégia de custos, mas mesmo estas gigantes já anunciaram ajustes importantes um sinal de que a pressão é real e generalizada.

Caso prático: a série Pura 90 equilibrou contas a custo

Quando a Huawei apresentou a série Pura 90, muitos consumidores esperavam ver os preços disparar logo ali, reflexo das dificuldades que o mercado atravessa. A marca conseguiu evitar isso, mas a própria empresa admitiu que esteve sob “pressão imensa” para definir o preço destes modelos. A decisão foi claramente tática: manter o equilíbrio agora, mas avisar que se os problemas persistirem, ajustes futuros serão inevitáveis.

Já em julho, a Huawei anunciou alterações de preços em vários produtos uma admissão de que nem tudo pode ser absorvido internamente. E a grande questão que paira no ar agora é se a série Mate 90, esperada para breve, vai conseguir escapar a essa mesma “situação de aumento de preço” ou se será o primeiro modelo a refletir integralmente o novo panorama de custos.

Impacto no mercado europeu e português

Para quem está a pensar comprar um smartphone novo em Portugal ou noutro mercado europeu, isto significa que convém estar atento. Os aumentos que começaram discretos no início do ano podem acelerar nos próximos meses, especialmente se a tensão no fornecimento de memória se mantiver ou piorar. Modelos de gama média, que dependem de margens mais apertadas, podem ser os primeiros a sentir o choque e a passar a fatura ao consumidor.

A concentração do mercado de DRAM em poucos fornecedores também levanta questões sobre a dependência tecnológica da Europa face a produtores asiáticos, um tema que tem estado na agenda política da União Europeia nos últimos anos, mas que ainda não resultou em alternativas reais no curto prazo.

Conclusão

O recado da Huawei não deixa margem para dúvidas: a escalada de preços nos smartphones não é uma possibilidade remota, é uma tendência já em marcha. Entre a explosão da IA, a transição tecnológica na memória e um mercado dominado por meia dúzia de gigantes, as condições estão reunidas para tornar os telémoveis significativamente mais caros nos próximos tempos. Quem anda a adiar a compra de um modelo novo pode querer acelerar a decisão antes que os próximos aumentos cheguem às prateleiras.

Via: Huawei Central

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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