
Huawei regista queda de 36% no lucro apesar da receita de smartphones disparar
A Huawei divulgou resultados financeiros da primeira metade de 2026 que mostram uma queda de 36% no lucro líquido, apesar da receita de smartphones ter crescido 9,6%. O investimento em I&D explica a descida.
A Huawei divulgou os números financeiros do primeiro semestre de 2026 e o retrato que emerge é paradoxal: por um lado, a receita de smartphones cresceu 9,6% num mercado onde a gigante chinesa luta para recuperar terreno perdido; por outro, o lucro líquido caiu 36% face ao mesmo período do ano anterior. A explicação está na aposta massiva que a empresa decidiu fazer em investigação e desenvolvimento uma estratégia que sacrifica ganhos imediatos em nome da independência tecnológica a longo prazo.
Números que mostram prioridades diferentes
O lucro líquido ficou nos 23,81 mil milhões de yuan no primeiro semestre, uma quebra significativa que contrasta com a receita total de 467,82 mil milhões de yuan. Este valor representa uma recuperação gradual da posição que a empresa ocupava antes das sanções norte-americanas que limitaram o acesso a componentes e tecnologia estrangeira.
Mas o que mais chama a atenção é onde a Huawei está a colocar o dinheiro: o investimento em I&D disparou 25,2%, chegando aos 121,38 mil milhões de yuan quase um quarto (25,9%) de toda a receita gerada. É uma fatia enorme que a maioria das empresas do setor evitaria comprometer, mas que reflete uma escolha clara por parte da marca chinesa.

A aposta em I&D que explica a descida nos lucros
Esta subida acentuada nas despesas de investigação e desenvolvimento não é acidental. A Huawei está a financiar projetos nas áreas de inteligência artificial, tecnologia de comunicações, dispositivos inteligentes e soluções para condução autónoma setores onde a dependência de tecnologia externa pode tornar-se um problema estratégico.
Os custos de fabrico também subiram 12,4%, uma percentagem que supera o crescimento da receita e aperta ainda mais as margens. A isto juntam-se aumentos nos custos administrativos, criando um cenário onde o crescimento das vendas fica rapidamente ofuscado pela escalada de despesas operacionais.
Contexto europeu e português
Para o mercado europeu, incluindo Portugal, estes resultados da Huawei têm um significado direto. A empresa continua a ter presença forte na venda de smartphones e equipamento de rede em vários países europeus, apesar das restrições que enfrentou nos últimos anos. O facto de conseguir manter um crescimento de receita na área de smartphones, mesmo com custos operacionais tão elevados, mostra que há procura pelos seus produtos no mercado global e isso inclui território europeu.

O que esperar para o resto do ano
A própria Huawei admite que os resultados do ano completo são uma incógnita. As despesas operacionais continuam altas e o mercado de componentes enfrenta volatilidade de preços que torna difícil fazer projeções seguras. A empresa afirma que os números do primeiro semestre estavam dentro das expectativas, mas evita fazer promessas concretas para os próximos meses.
Vale a pena recordar que, no primeiro semestre de 2025, a receita tinha sido de 427 mil milhões de yuan (cerca de 59,84 mil milhões de dólares à época) com uma queda de 32% no lucro em relação ao ano anterior. O crescimento de receita entre 2024 e 2025 tinha sido de apenas 4%, o que mostra que a progressão de 2026, embora venha acompanhada de uma quebra de lucro ainda maior, representa pelo menos sinais de recuperação no volume de negócios.
Todos os negócios em crescimento, mas sem detalhes
O relatório financeiro não detalha o desempenho por segmento de negócio, o que dificulta perceber onde estão os pontos fortes e fracos dentro do portefólio da Huawei. A empresa limita-se a afirmar que todas as divisões cresceram de forma efetiva durante o primeiro semestre uma declaração genérica que deixa muitas perguntas sem resposta sobre a saúde individual de cada área.
No fundo, o retrato que emerge é o de uma empresa que escolheu trocar rentabilidade a curto prazo por capacidade de inovação e autonomia tecnológica. É uma aposta arriscada num setor onde os ciclos de produto são rápidos e a pressão dos investidores é constante, mas pode ser também a única via sustentável para uma gigante que enfrenta barreiras políticas e comerciais em múltiplos mercados.
Via: Huawei Central



