
Inflação na Zona Euro abranda para 2,8% em junho, mas Portugal mantém-se acima da média
A inflação na Zona Euro desceu para 2,8% em junho, segundo mês consecutivo de abrandamento. Portugal regista 3,1%, ficando acima da média europeia pela pressão dos serviços.
A inflação na Zona Euro voltou a dar sinais de alívio em junho, confirmando uma tendência que muitos esperavam. O Eurostat divulgou esta sexta-feira os dados oficiais que mostram uma descida para 2,8% em termos homólogos, o que representa o segundo mês consecutivo de abrandamento na região da moeda única. É uma notícia que traz algum fôlego aos consumidores europeus, mas nem todos os países acompanham este ritmo de desaceleração – e Portugal é um deles.
Energia puxa a inflação para baixo na Europa
O principal motor desta descida está nos preços da energia, que finalmente começam a dar tréguas depois de meses de volatilidade. Entre maio e junho, a variação homóloga dos preços energéticos passou de uns preocupantes 10,8% para 8,7%. Pode não parecer uma queda espetacular, mas é o suficiente para fazer diferença na inflação geral, que tinha fixado em 3,2% no mês anterior.
Esta travagem na energia era esperada pelos analistas e representa um alívio importante para famílias e empresas que viram as suas contas disparar nos últimos tempos. No entanto, como costuma acontecer em economia, quando uma componente melhora, outra mantém-se teimosamente elevada.
Serviços continuam a pressionar os preços
Se a energia dá uma folga, os serviços continuam a ser uma dor de cabeça. Com uma taxa homóloga de 3,2% em junho, os serviços mantêm-se como o segundo maior contributo para a subida de preços na Zona Euro. Isto inclui tudo, desde cabeleireiros a restaurantes, passando por transportes e seguros – setores onde os custos laborais elevados e a procura robusta continuam a alimentar aumentos de preços.
Logo a seguir vêm a alimentação, bebidas alcoólicas e tabaco, com uma inflação de 1,6%, e os bens industriais não energéticos, que se mantiveram estáveis nos 0,9%. O quadro mostra claramente que, apesar do alívio geral, há componentes da inflação que não cedem com a mesma facilidade.
Portugal destoa da tendência europeia
E onde é que Portugal entra nesta história? Infelizmente, não nas melhores posições. De acordo com os dados confirmados pelo Eurostat, a inflação portuguesa medida pelo Índice Harmonizado de Preços no Consumidor fixou-se em 3,1% em junho. Ou seja, mantemo-nos confortavelmente acima da média da Zona Euro de 2,8%.
Não é a primeira vez que isto acontece. Portugal junta-se assim, uma vez mais, ao grupo de Estados-membros onde os preços sobem a um ritmo mais acelerado do que no conjunto dos 21 países que partilham o euro. É uma posição desconfortável, especialmente quando olhamos para os números dos nossos vizinhos europeus.

Quem está melhor e quem está pior
Segundo os dados divulgados pelo Eurostat, apenas cinco países conseguiram ficar abaixo da média da Zona Euro em junho. A Estónia, França e Malta lideram o pelotão com apenas 2% de inflação cada. Logo atrás vêm a Alemanha com 2,4% e os Países Baixos com 2,5%. Estes países conseguiram conter melhor a pressão inflacionista, beneficiando provavelmente de estruturas económicas diferentes e de políticas locais mais eficazes.
Portugal, com os seus 3,1%, fica bem acima destes valores, o que levanta questões sobre o que está a fazer a diferença. A pressão dos serviços é certamente um fator, tal como a estrutura da nossa economia, mais dependente de setores onde os preços têm sido mais persistentes.
O que esperar para os próximos meses
A questão que muitos se colocam agora é: será que esta tendência de abrandamento vai continuar? A descida dos preços da energia é um bom sinal, mas a inflação nos serviços mostra-se mais resistente. Para Portugal, o desafio é ainda maior, uma vez que continuamos acima da média europeia.
O Banco Central Europeu tem estado atento a estes desenvolvimentos e as suas decisões sobre taxas de juro dependem em larga medida da evolução destes números. Se a inflação continuar a descer na Zona Euro como um todo, pode haver espaço para algum alívio nas políticas monetárias. Para os consumidores portugueses, isso significaria potencialmente juros mais baixos nos empréstimos, mas também a manutenção de taxas de poupança menos atrativas.
No final das contas, estes 2,8% na Zona Euro são uma boa notícia, mas com nuances. Portugal precisa de trabalhar para convergir com a média europeia, e os serviços continuam a ser o elefante na sala em toda a região. Há progressos, sim, mas o caminho de volta à estabilidade de preços ainda tem uns quantos quilómetros pela frente.
Via: ECO



