A Ducati Corse já está a preparar uma das maiores mudanças técnicas da história recente do MotoGP. Com a entrada em vigor dos novos regulamentos em 2027, a equipa italiana está a desenvolver uma nova geração da Desmosedici GP, um processo que está a contar com o apoio da Lenovo e da sua infraestrutura de Computação de Alto Desempenho (HPC).
O desafio é particularmente exigente porque a Ducati precisa de desenvolver a moto de 2027 enquanto continua, em simultâneo, a evoluir a Desmosedici GP de 2026. Para responder a esta necessidade, a Lenovo, Title e Technology Partner da Ducati Lenovo Team, expandiu a infraestrutura de HPC disponibilizada à Ducati Corse.
A nova capacidade de processamento permite à equipa realizar simulações mais complexas e acelerar significativamente diferentes fases do processo de desenvolvimento. Segundo a Lenovo, os tempos de simulação CFD tridimensional do motor foram reduzidos em 50%, enquanto as análises estruturais são agora realizadas em menos 30% do tempo.
Mais capacidade para desenvolver a MotoGP de 2027
Os regulamentos que entram em vigor em 2027 representam uma das maiores alterações técnicas no MotoGP em mais de uma década. A Ducati terá de repensar praticamente todos os principais componentes da Desmosedici GP, desde o motor à aerodinâmica.
Entre as alterações está a introdução de um novo motor de 850 cc, o que obriga a uma quantidade significativa de trabalho de engenharia e simulação. A possibilidade de testar virtualmente diferentes configurações permite aos engenheiros avaliar um número muito maior de soluções antes de avançarem para a construção de protótipos.
A infraestrutura HPC atualizada disponibiliza mais de 108 TFLOPS de desempenho computacional teórico combinado em dupla precisão. Face à geração anterior de nós de computação, a expansão praticamente duplicou a memória disponível e aumentou em cerca de 48% a capacidade de processamento.
Na prática, isto significa que a Ducati pode executar várias simulações de motor e aerodinâmica em simultâneo, explorando mais alternativas de design num período de tempo mais curto.

Menos tempo de simulação, menos protótipos
A redução dos tempos de processamento assume especial importância num campeonato onde cada evolução pode fazer a diferença.
Ao cortar para metade o tempo necessário para as simulações CFD tridimensionais do motor e em 30% o tempo das análises estruturais, a Ducati consegue filtrar virtualmente um maior número de soluções e concentrar os recursos de fabrico apenas nos projetos considerados mais promissores.
Esta abordagem permite não só acelerar o desenvolvimento, mas também reduzir os custos associados à construção de protótipos. Ao mesmo tempo, a equipa pode chegar à fase de testes físicos com maior confiança de que as peças desenvolvidas correspondem às expectativas obtidas através das simulações.
O processo é particularmente relevante para o desenvolvimento do novo motor de 850 cc, que terá de cumprir os requisitos dos regulamentos de 2027 e, simultaneamente, oferecer o desempenho necessário para manter a Ducati na luta pelas posições de topo.
Aerodinâmica cada vez mais dependente da simulação
A computação de alto desempenho também assume um papel importante no desenvolvimento aerodinâmico da nova moto.
Com os testes em pista condicionados pelo sistema de concessões do MotoGP, a capacidade de realizar simulações detalhadas torna-se ainda mais importante. Os engenheiros podem utilizar modelos computacionais mais sofisticados para estudar o comportamento da moto em diferentes condições e avaliar o impacto de alterações aerodinâmicas no desempenho global.
A maior capacidade de processamento permite aumentar a complexidade destes modelos sem comprometer tanto os tempos de desenvolvimento. O objetivo é conseguir uma representação virtual cada vez mais próxima das condições encontradas em pista.
Para a Ducati, isto significa poder explorar mais soluções antes de levar uma determinada configuração para os testes físicos.

Ducati desenvolve duas motos ao mesmo tempo
O maior desafio passa, no entanto, pela necessidade de manter dois programas de desenvolvimento em funcionamento.
Enquanto a Desmosedici GP de 2027 está a ser completamente redesenhada para responder aos novos regulamentos, a equipa continua a trabalhar na evolução da moto de 2026 durante a atual temporada.
“A Lenovo voltou a desempenhar um papel fundamental ao apoiar-nos com a tecnologia necessária para otimizar o processo de design e engenharia da moto”, explicou Davide Barana, Technical Director da Ducati Corse.
Segundo o responsável, esta capacidade é particularmente importante porque a equipa precisa de finalizar a próxima geração da Desmosedici GP enquanto continua a desenvolver a moto de 2026 durante a temporada e a lutar pelo Campeonato do Mundo de MotoGP.
Ashley Gorakhpurwalla, EVP e President do Infrastructure Solutions Group da Lenovo, destaca igualmente a importância da parceria, considerando que a utilização de tecnologias de computação de alto desempenho permite acelerar a inovação num dos ambientes de engenharia mais exigentes do mundo.
A expansão da infraestrutura HPC da Ducati mostra, assim, que o desenvolvimento de uma moto de MotoGP já não depende apenas do trabalho realizado na pista. A simulação computacional, a análise de dados e a engenharia preditiva assumem um papel cada vez mais importante na procura de décimas de segundo.
Com a chegada dos novos regulamentos em 2027, esta capacidade poderá revelar-se particularmente importante para a Ducati, que terá de equilibrar a evolução da atual Desmosedici com o desenvolvimento de uma moto praticamente nova.




